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......Entregamos
à domicílio
É fácil ver que Domicílio, enquanto substantivo masculino, não pode ter
um artigo feminino a, e portanto não leva acento grave. Quero aqui ressaltar
um outro erro: o verbo entregar significa levar alguma coisa a alguém
em algum lugar. Nesse contexto, domicílio não é o objeto indireto (a alguém)
e sim o adjunto adverbial de lugar. Portando não entregamos a Domicílio,
e sim no domicílio.
.............Vendas
à prazo
É fácil ver que prazo, enquanto substantivo masculino, não pode ter um
artigo feminino a, e portanto não leva acento grave. Para formação de
crase com um substantivo masculino, só com o uso do pronome aquele, mas
no caso de artigo, como pede o artigo o, ficaria vendas ao prazo.
..................à
escolher
Escolher é um verbo e como tal não pede artigo, a não ser que esteja na
sua forma substantivada. Mas nesse caso, um verbo substantivado sempre
vai para o masculino, e portanto pediria artigo o. O escolher é
uma árdua tarefa.
..............à
perder de vista
Perder é um verbo e como tal não pede artigo, a não ser que esteja na
sua forma substantivada. Mas nesse caso, um verbo substantivado sempre
vai para o masculino, e portanto pediria artigo o.
.................Trajes
à rigor.
Rigor é um substantivo masculino e, portanto, não pode ter uma artigo
feminino.
......................à
vista
Este é de longe o erro mais comum e mais cometido no uso do acento grave.
Soa bastante natural o acento em vendas à vista. Porém é simples perceber
que seu uso é incorreto. Basta fazer a substituição da palavra vista por
um substantivo masculino, que no caso o mais prático é a palavra prazo,
por ter um uso bastante similar. Como não dizemos vendas ao prazo, também
não diremos vendas à vista, certo? Há porém que se notar um caso em que
utiliza-se o acento grave: quando vista é usado no sentido de ver, enxergar,
como em terra à vista.
.............de segunda
à sexta.
Podemos nesse caso notar que segunda está sem artigo (de -> da) e portando
Sexta também deve estar sem artigo por uma questão de coerência. Podemos
também fazer o teste substituindo por um substantivo masculino: ... de
segunda a sábado.. Como não falamos ao sábado, não colocamos crase em
a sexta. Fácil, não?
..................à
10 minutos
Numerais, em geral, não levam artigos definidos. Podemos, ao invés disso,
apor um artigo indefinido: a uns 10 minutos, que nos provará que 10 minutos
é masculino. Por outro lado, o acento grave poderia estar ligado a um
substantivo feminino oculto (distância, por exemplo). Porém minuto não
é medida de distância, e sim de tempo, portanto não faz sentido falar-se
em à distância de 10 minutos.
....................à
mão
Temos aqui um substantivo feminino e, portanto, vamos tentar substituí-lo
por um masculino. Podemos traçar uma equivalência de feito a mão com ir
a pé. Como não falamos ir ao pé, não diremos feito à mão.
...............até
às 18:00
Aqui já temos uma preposição (até), cuja função é limitar a continuidade
da ação. Portanto não cabe aqui o uso de mais uma preposição (a) e com
isso não haverá formação da crase.
................à
partir de
Partir é um verbo e como tal não pede artigo, a não ser que esteja na
sua forma substantivada. Mas nesse caso, um verbo substantivado sempre
vai para o masculino, e portanto pediria artigo o.
OLIVEIRA, Edson Roberto de. A crase. (http://www.aresnet.com/crase
)
- Grave - acento
1) "Aí, Guilherme Augusto foi visitar Dona Antônia e deu à ela, uma por
uma, cada coisa de sua cesta." Onde está o erro?
Resposta: o erro está em "à ela" com acento grave. Antes de pronome,
a letra "a" é apenas preposição, nela não há artigo. Apenas substantivos
admitem artigo. Se o pronome estivesse no masculino "a ele", não aconteceria
"ao ele", portanto em "a ela" não há dois ás.
2) A previsão é de arrecadação igual ou superior a deste ano." (Frase
de jornal.)
Resposta: faltou acento grave em "a deste ano", pois o substantivo
feminino "arrecadação" foi omitido: (A previsão é de arrecadação igual
ou superior à arrecadação deste ano.) Substituamos "arrecadação" por "lucro":
A previsão é de lucro igual ou superior ao (lucro) deste ano. Se ocorrer
"ao" em palavra masculino, o acento grave é obrigatório no feminino "à".
- MAIS UMA SOBRE CRASE
As regras sobre a crase são várias e devemos aprendê-las aos poucos. Uma
delas é que não ocorre crase em locuções formadas por duas palavras
repetidas, mesmo estando no feminino: face a face, cara a cara, frente
a frente, terra a terra, porta a porta e outras locuções.
- A HORA E A VEZ DA CRASE
A crase é um tema difícil mas algumas regras imutáveis ajudam-nos a não
errar mais. Uma delas: antes de numeral que indica hora sempre se usa
crase. Os exemplos são pontuais: vou chegar às duas da tarde, ou
à uma da madrugada, ou às oito da noite, ou às 23
horas, ou à meia-noite, ou à zero hora, mesmo sendo zero
uma palavra masculina.
- A CRASE E A CRISE
A crase está sempre em crise. Às vezes não craseamos o a e deveríamos
fazê-lo. Mas às vezes craseamos... e não deveríamos fazê-lo. Três
exemplos de não-uso da crase: Creusa gosta de andar a cavalo; Creusa
comprou um carro a prazo; Creusa ficou a pé. Nos três casos
o a não é craseado. Porque antes de palavra masculina (carro, cavalo
e pé) o a é apenas preposição, e o à é a contração, a união
entre a preposição e o artigo feminino.
- Pé atrás
"Clinton pede perdão a formiga.". A frase saiu nas Dicas da semana passada
. Os leitores ficaram com o pé atrás. "Cadê a crase ?" , perguntaram .
Não há crase. Dúvida? Recorra ao macete. Substitua a palavra feminina
por uma masculina. Mosquito, por exemplo: Clinton pede perdão a mosquito.
Na troca, aparece só a . É que formiga e mosquito estão usados de forma
genérica. Não se trata de uma formiga determinada. Nem de um mosquito
definido. Por isso, nada de artigo. Compare: Clinton pediu perdão à formiga
da fábula. Aí, não é qualquer formiga. Mas a formiga conhecida. Daí a
crase. Fazendo o troca-troca por um machinho, teremos ao : Clinton pediu
perdão ao mosquito de Walt Disney. É isso. Se na substituição der ao,
sinal de crase. Caso contrário, nada feito.
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