É um fato constatado
que a maioria dos estudantes que ingressam na Universidade não gostam ou não
sabem redigir e não tem o bom hábito da leitura. Essa aversão advém, acredita-se,
de uma tradição estrutural de ensino de redação no 1º e 2º graus, muitas vezes
permeado de equívocos que geram insegurança nos alunos e os tornam cada vez
mais distantes do prazer que se deve ter na leitura e na escrita.
............É
muito comum o professor de redação corrigir os textos de seus alunos com aquela
caneta bem vermelha, marcando os erros sem discuti-los. O resultado é que
o estudante se atém mais aos erros que aos acertos e com isso fica cada vez
mais inseguro com aquilo que produz. As aulas de redação (que na verdade deveriam
ser aulas de "Leitura e Produção de Texto", já que não podemos dissociar estes
elementos) tornam-se uma verdadeira sessão de tortura do tipo "Escreva um
texto em 50 minutos sobre esse assunto que você desconhece". Aí reside outro
grande problema: para escrever é preciso conhecer o assunto. Nada adianta
possuir a melhor das técnicas sem o domínio do assunto sobre o qual se deve
escrever. É necessário, então, apresentar aos alunos textos de base, que lhes
dêem subsídios para produzir seus textos; e criar em sala de aula um espaço
aberto à discussão, onde eles se sintam à vontade para abordar o tema e dar
suas opiniões. Os alunos só escreverão bons textos se tiverem o que dizer
a respeito.
............Quando
os alunos chegam à Universidade pensando que não sabem escrever, envergonham-se
de seus textos, têm medo de produzir. Então é necessário resgatar sua autoconfiança
na capacidade de redigir, por isso o trabalho deve ser contínuo e progressivo.
Procurando estimulá-los, tentamos criar nos alunos um auto-conceito positivo
enquanto produtores de texto. Para isso, não grifamos coisa alguma em seus
trabalhos; nem erros, nem acertos. Eles, os tutorandos, é que devem procurar
em seus textos os problemas que surgirem. No princípio, eles costumam se sentir
inseguros e têm dificuldade em encontrar os próprios erros. Mas com o tempo
se habituam a reler seus trabalhos e a corrigi-los, sempre sob a supervisão
de um tutor.
............Cada
aluno conta com três horas/aula semanais, divididas entre a sala de aula e
os encontros em pequenos grupos. Então, num primeiro momento, temos duas horas
em sala de aula com toda a turma - em média 25 alunos -, quando apresentamos
os textos de base, discutimos a respeito debatendo livremente e resolvemos
exercícios práticos. É aí também que os alunos treinam técnicas de leitura
e produzem textos. O segundo momento é o encontro de uma hora na "Casa Amarela"
- sede do Programa de Tutoria - em grupos de aproximadamente cinco alunos.
Eles relêem seus trabalhos, encontram os problemas, apresentam dúvidas e reescrevem
seus textos. A supervisão dos tutores tem como objetivo auxiliar, mas sempre
deixando os tutorandos livres e conscientes de que os textos são seus.
............Outro
ponto importante na nossa filosofia é que as dificuldades partem dos alunos:
é a partir de suas necessidades que escolhemos o conteúdo e a metodologia
a serem aplicados em aula. Procuramos criar um ambiente descontraído e agradável,
onde todos aprendem com prazer. Para isso lançamos mão de material atual como
textos jornalísticos e publicitários, bem como músicas e poesias; cujos temos
se aproximam da realidade do aluno e dos fatos sociais de nossa época. Assim,
tentamos tornar a relação ensino/aprendizagem mais atraente, prazerosa e eficiente.
E temos tido com isso bons resultados.