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PET Ciências Biológicas – UFV Viçosa, outubro de 2007 * Nº52
Vila Gianetti, 30*(31) 3899-2295*www.ufv.br/petbio*petbio@ufv.br |
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Prof. Lino Neto; Prof. Lucio Campos; Carla Oliveira; Christiane Duarte; Étori Aguiar; Evelyze Pinheiro; Fernanda Martinelli; Francisco Castanon; Guilherme Carvalho; Juliana Benevenuto; Karine Freitas; Lucas Dornelas; Lucas Lopes; Marcela Morato; Marcelo Vaz; Tatiana Rigamonte; Vitor Fernandes. ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ |
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Artigos
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Sugestões de livros Raphael Hermano Santos Diniz Mestrando em Microbiologia Departamento de Microbiologia UFV |
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Satíricon Petrônio “O ‘Satiricon’ é, indubitavelmente, um livro escabrosíssimo, um livro que não estará bem entre as mãos de uma criança ou de ingênuas senhoritas”. (Nota dos editores) Como defender a leitura de um livro que os próprios editores tratam como “escabrosíssimo”? Bem, talvez justamente por esta sua singularidade. Muitos poderão pensar que um livro chamado de escabroso foi escrito nos rasteiros dias atuais. Ledo engano, este livro foi escrito em 60 d.C., por Petrônio (27d.C – 66 d.C). Mas por que o livro é escabroso? Por que não é |
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recomendável para crianças ou ingênuas senhoritas? Primeiro vamos à história. Este livro conta as desventuras dos amantes Encólpio, Ascilto e do Gitão, os dois primeiros homens livres e o último um escravo, passam ao vagarem pela Itália. Não assuste quando revelo que os personagens principais do livro eram amantes. Lembre-se que se trata de um livro escrito nos tempos áureos do Império Romano e a homossexualidade não era apenas tolerada, mas também muitas vezes bem vista. Outro detalhe que deve ser revelado é que a opção sexual de todos os personagens do livro varia enormemente dependendo do contexto, ou seja, não existem personagens totalmente heterossexuais ou homossexuais. Nas cidades que nossos três heróis percorrem eles encontram todos os tipos comuns de sua época, os novos ricos, os poetas, as bacantes, os exploradores de heranças, as mulheres frívolas, os homens enciumados, dentre vários outros. O texto de Petrônio descreve a sociedade de seu tempo, não deforma a realidade, nem aprofunda nos caracteres, os personagens mais diferentes são apresentados como homens e mulheres comuns. Mas a grande dúvida é: seria importante para nós conhecermos essa sociedade aparentemente tão distante da nossa? A resposta, pelo menos para mim, é: claro que sim. Vejamos algumas questões: Você acha que foi somente a partir da segunda metade do século XX que supervalorizamos o sexo? “Por que me traíste em pleno vigor dos anos, trazendo pesar sobre mim a fraqueza de um decrépito? Vamos, entrega-me o certificado de morte” (Injúrias de Encólpio à Júpiter após a impotência frente a belíssima Circe). Você acha que hoje não valorizamos a arte? “A declamação (de um poema) de Eumolpo foi acolhida com algumas pedradas por pessoas que passeavam sob o pórtico”. Será que apenas nós pensamos que antigamente era melhor do que hoje? “No nosso tempo aprendíamos cousas bem diferentes” (Homem censurando Ascilto em um banquete). O que você considera como pedofilia? “ – Nada disso, exclamou Quartilha; teria eu talvez idade maior (7 anos) quando me encontrei pela primeira vez entre os braços de um homem?” Sabendo agora um pouco mais do livro podemos responder às questões do início do texto. O livro é escabroso porque ele nos mostra que somos idênticos aos romanos do século I. Ostentação, vulgaridade, desprezo, arrogância, futilidade, efemeridade está tudo no livro, assim como foi ontem também é hoje. Talvez realmente não seja um livro para crianças ou ingênuas senhoritas, mas é altamente recomendável para alguém que quer abrir um pouco mais as portas da percepção.
Preço: Varia de R$ 191,00 a R$ 0,00 no site www.portaldetonando.com.br
Recomendações de leitura: Noções básicas de conjugação na segunda pessoa do singular e do plural, um bom dicionário do lado e uma mente aberta para novas experiências literárias.
PS: Não poderia falar de Satiricon sem falar mesmo que um pouco do banquete de Trimalchão. Cena detalhada de um banquete de um novo (nem tão novo assim) rico regada a muito mel e contendo até o exagero de conter uma maçã inteira para cada convidado como sobremesa. Você nunca mais verá uma refeição com os mesmos olhos.
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