PET Ciências Biológicas – UFV

Biologia em Foco

Viçosa, novembro de 2006 * Nº47

    Vila Gianetti, 30*(31) 3899-2295*www.ufv.br/petbio*petbio@ufv.br

Prof. Lino Neto; Prof. Lucio Campos; Amanda Miranda; Carla Oliveira; Christiane Duarte; Étori Aguiar; Evelyze Pinheiro;

Lucas Dornelas; Lucas Lopes; Karine Freitas; Marcelo Vaz; Mário Moura; Rômulo Areal; Tatiana Rigamonte; Vitor Fernandes.

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A vida na corte no século XIX sempre despertou grande curiosidade e interesse daqueles que não a vivenciaram.

Para muitos brasileiros, o nome de Carlota Joaquina remete à imagem de uma rainha temperamental e esnobe. Somado a isso ainda havia seu típico desgosto por ter de viver “naquela colônia primitiva, de calor insuportável chamada Brasil”. Embora tais inferências sejam reais, uma análise mais a fundo na história nos revela uma mulher inteligente e ativamente engajada na política de seu tempo.

Nascida no palácio de Aranjuez, em 1775, Carlota era a neta preferida do rei Carlos III, considerado pela historiografia

como “o rei sábio”. Educada nos moldes clássicos da alta nobreza européia, deixou a corte espanhola quando tinha apenas dez anos, para se casar com o então infante português d. João.

Fonte: http://www.artehistoria.com

 Ao se mudar para Portugal, a infanta se viu obrigada a deixar sua família e o seu suntuoso estilo de vida. Mas não se sujeitou à repressão social outorgada às mulheres portuguesas pela tradição religiosa e o conservadorismo.

Precocemente, a princesa ganhou destaque como protagonista política da corte Lusa. Articulava negociações diplomáticas e lutava pela defesa da paz na península. Foi assim em 1804, quando fechou um acordo com o general francês Junot, que ratificou o tratado de neutralidade entre Portugal, Espanha e França, que havia sido cancelado em 1801 na Guerra das Laranjas.

1806 foi um ano desastroso para Carlota. Acusada de liderar a Conspiração de Alfeite, movimento que visava a sua ascensão ao poder português. Tida como traidora, foi colocada em cárcere privado a mando de d. João. Mas a verdadeira derrota da princesa veio em 1807, com a partida para o Brasil, com a corte de Braganças.

O exílio tropical implicou em seu afastamento definitivo dos amigos e da família, que fora posteriormente feita prisioneira por Napoleão na cidade francesa de Bayonne. Tal fato tornara Carlota a única herdeira direta de Carlos IV em liberdade, gerando estímulo para um intenso trabalho diplomático para o reconhecimento da regência de Carlota Joaquina ao trono espanhol.
Devido ao seu apoio à resistência realista em Montevidéu, quando a então d. Carlota chegou ao ponto de vender grande parte de suas jóias para financiar a resistência no Rio da Prata, sua popularidade cresceu, tanto na Espanha quanto na América.

Carlota era apoiada por Manuel Belgrano e por vários outros intelectuais partidários do reconhecimento de seus direitos à regência do trono espanhol. Entretanto, a oposição ao carlotismo foi mais eficaz e conseguiu impedir que ela assumisse como regente espanhola, colocando em seu lugar seu irmão Fernando VII.

Um ano após retornar a Portugal, em 1822, a polêmica rainha foi mais uma vez o centro das atenções, quando se recusou a jurar a Constituição da Monarquia. O ato de negação levou à perda de seus direitos e dignidades de rainha, que só foram plenamente restituídos em 1828, quando d. Miguel, seu filho, foi coroado rei de Portugal.

Carlota Joaquina morreu no dia 7 de janeiro de 1830. Sua vida tumultuada e sua personalidade forte e um tanto quanto subversiva fizeram dela uma das mais representativas figuras da história da monarquia portuguesa.

 

 

 

 Vitor Dias Fernandes

 

 

Referências:

 

- AZEVEDO, F.N. A rainha conspiradora. Revista Nossa História. Nº. 5. Março de 2004.

- WIKIPEDIA. Carlota Joaquina de Bourbon. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlota_Joaquina_de_Bourbon. Acessado em 13 Nov, 2006.