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PET Ciências Biológicas – UFV Viçosa, março de 2007 * Nº49
Vila Gianetti, 30*(31) 3899-2295*www.ufv.br/petbio*petbio@ufv.br |
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Prof. Lino Neto; Prof. Lucio Campos; Amanda Miranda; Carla Oliveira; Christiane Duarte; Étori Aguiar; Juliana Benevenuto; Karine Freitas; Lucas Dornelas; Lucas Lopes; Marcelo Vaz; Mário Moura; Tatiana Rigamonte; Vitor Fernandes. ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ |
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Artigos
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Um convite à filosofia da educação: Os desafios e atitudes que um profissional da educação deverá enfrentar
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Existe uma grande variedade de concepções que a filosofia propõe para a educação. Porém, para que consigamos um norte nessa discussão e para que possamos chegar a algumas conclusões, torna-se necessário partirmos da idéia de que o verdadeiro papel da filosofia não está na discussão de infinitas teorias já pensadas, mas sim nos questionamentos e nas inquietações que a educação atual nos leva a ter. Como disse Lílian do Valle, professora de filosofia na UERJ, quando passamos a analisar filosoficamente a educação, não significa necessariamente ter acesso a um “menu” já pronto, mas sim perceber o quão necessário é discutirmos e entendermos esse assunto. |
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A filosofia é importante, por exemplo, no posicionamento de um professor perante a sociedade em que vive. É a partir de uma concepção filosófica de educação que este percebe a necessidade de uma atitude e passa a assumir seu papel político. Como defendia Paulo Freire, numa sociedade marcada pela dialética opressor/oprimido, o não posicionamento leva apoio ao sistema vigente, que indubitavelmente está do lado dos opressores. Quebrar o conceito de que não existe um direito natural para o domínio dos opressores sobre os oprimidos tem sido um desafio para os defensores de uma educação transformadora. Tanto Paulo Freire como Gadotti, autor do livro Pedagogia da práxis, acreditam numa pedagogia transformadora em que quatro fundamentos poderiam auxiliar em verdadeiras transformações educacionais. São elas: a contradição, divergência, desobediência e desrespeito. A primeira permite que o homem entenda a sua condição de imperfeito e inacabado, sendo necessários muitos estudos para uma melhor compreensão das realidades que o cercam. A divergência auxilia na compreensão de que vivemos numa sociedade onde cada pessoa é única e, portanto a educação deve considerar essas singularidades. A desobediência estimula o progresso humano, porque é através dela que criamos atitudes para o que está errado na sociedade. Por último o desrespeito, que vem questionar o educador como submisso ao sistema vigente. O educador deve estar pronto para diagnosticar falhas e buscar mudanças que possam melhorar o sistema. A filosofia assume importante papel para a educação devido ao simples fato do questionamento e da reflexão estarem embutidos em suas raízes. É por isso que Lílian do Valle vem colocar a educação como enigma. Por mais que o homem venha entender o que ocorre, seu conhecimento nunca será absoluto, por existirem singularidades neste, como sua autonomia e auto-criação. O indivíduo humano se “auto-constrói” de maneira única e peculiar, que se reflete numa sociedade muito eclética e variada. Entendendo essa grande diversidade percebemos que, ao contrário do que se observa, a verdadeira solução para a educação não está simplesmente na busca pela melhor metodologia de ensino, mas sim no embasamento filosófico; na epistemologia da educação.
É através de questionamentos como esses que percebemos
o principal erro do modelo reprodutivista: esse não considera as diferenças
existentes, não abre espaço para o questionamento e não aceita como fator
determinante a constante auto-criação humana. Aparentemente existe uma
tentativa de se anular o poder criador existente nas pessoas através de
vários métodos e técnicas levando a uma redução do papel do professor. Como
conseqüências, percebemos alunos mais rebeldes, violentos, indisciplinados e
frustrados. Já os professores aparentemente são incompetentes e falhos,
concomitantemente a tudo isso existe o construtivismo, no qual se baseia a
necessidade de construção de conhecimentos, abordando as diferenças e as
dificuldades que cada um, na sua condição de pessoa única, pode apresentar. Como dizia Paulo Freire, a educação não é neutra, e o comodismo nos leva a uma educação conformista, silenciosa e submissa às desigualdades tão claras ao nosso redor. É por isso que Gadotti vem ressaltar a necessidade de um professor politizado, que consiga perceber o papel da educação nessa sociedade em conflito. Pois as soluções para tantos problemas educacionais estão na coragem dos professores e outros profissionais da educação em mostrar e problematizar as dificuldades que cercam o ambiente escolar. Existe uma grande resistência em se desapegar do que já deu certo, muitas vezes em reflexo ao forte vínculo que os professores atuantes ainda possuem com o modelo reprodutivista. A solução para esses problemas está relacionada com a busca de uma maior interação das crianças com o mundo em que vive: moderno, comunicativo e dinâmico e não com o ambiente monótono que tem sido uma sala de aula. As novas escolas devem-se preocupar com o que cerca a criança, pois é nesse meio que ela está constantemente interagindo. Enfim, todos concordam que a educação não pode fechar os olhos para a sociedade em conflito que a cerca. É através dela que podemos formar cidadãos críticos, politizados e presentes na sociedade. Esse cidadão deve ser capaz de lutar por mudanças que julgue necessário. Tudo isso pode parecer improvável, mas é a partir de utopias que o mundo tem progredido.
Lucas Souza Lopes
Referências:
- VALLE, L. do. A concepção filosófica da educação. Colóquio de filosofia da educação, 1998. - RUIZ, M. J. F. O papel social do professor: uma contribuição da filosofia da educação e do pensamento Freireano à formação do professor. Revista Iberoamericana de Educación, pág. 55-77, nº33 2003.
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