PET Ciências Biológicas – UFV

Biologia em Foco

Viçosa, maio de 2007 * Nº50

    Vila Gianetti, 30*(31) 3899-2295*www.ufv.br/petbio*petbio@ufv.br

Prof. Lino Neto; Prof. Lucio Campos; Amanda Miranda; Carla Oliveira; Christiane Duarte; Étori Aguiar; Juliana Benevenuto; Karine Freitas;

Lucas Dornelas; Lucas Lopes; Marcelo Vaz; Mário Moura; Tatiana Rigamonte; Vitor Fernandes.

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A cascavel, Crotalus durissus terrificus Laurenti, 1768 (Serpentes, Viperidae), é comumente encontrada nas áreas de vegetação aberta do Cerrado. Entretanto, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro documentou recentemente a presença de cascavéis, como invasoras, em municípios do Estado do Rio de Janeiro. A novidade reside no fato de se tratar de um Estado predominantemente dominado pela Mata Atlântica, bioma  que  não  abrange     a     área    de   distribuição  da  cascavel.    A   invasão     é    tida    como   uma     possível     conseqüência     do

Fonte: http://www.museum.nantes.fr

 desmatamento.

Por 500 anos, a Mata Atlântica vem sendo vítima de uma exploração desenfreada, que nas últimas décadas se intensificou devido à produção de carvão e plantio do café que foi posteriormente substituído pelo pasto, após o desgaste do solo.

No Rio de Janeiro, a introdução desses pastos, durante o período de 1870 a 1920, pode ter contribuído para a abertura de corredores de área desmatada entre o Cerrado e a Mata Atlântica. O surgimento desses corredores pode ter favorecido a dispersão das cascavéis. Mas a principal teoria é a de que as cascavéis chegaram ao Estado do Rio carreadas durante enchentes que ocorreram entre as décadas de 1950 e 1960 no Rio Preto, vindo de Minas Gerais.

Conforme os registros consultados, provindos tanto de fontes formais quanto informais, essas serpentes muito provavelmente invadiram o município de Valença, Rio de Janeiro, próximo às margens do Rio Preto. A pesquisa também revelou a ocorrência das cascavéis no município de Barra do Piraí, que não tem fronteira com o Rio Preto, o que indica a preocupante habilidade de dispersão desta espécie por áreas abertas de pastos.

Responsável por aproximadamente 8% dos acidentes causados por picadas de cobra no Brasil, a invasão de Crotalus durissus terrificus no Rio de Janeiro pode se tornar um problema de saúde pública. Também há a possibilidade de que a chegada dessas cobras possa causar perturbações nas populações de serpentes nativas, como Bothrops jararaca.

Um programa de monitoramento de radio-telemetria já está sendo implantado em Valência, com o objetivo de reunir maiores informações sobre esses ofídios. A partir desses dados, medidas eficientes para o manejo desta espécie nessas novas condições ambientais poderão ser aplicadas.

 

 

 

 

 Vitor Dias Fernandes

 

 

Referências:

 

- Bastos, E.G.M.; Araújo, A.F.B.; Silva, H.R. Records of the rattlesnakes Crotalus durissus terrificus (Laurenti) (Serpentes, Viperidae) in the State of Rio de Janeiro, Brazil: a possible case of invasion facilitated by deforestation. Rev. Bras. Zool. vol.22 no.3 Curitiba July/Sept. 2005
- Cardoso, J.L.C. et al. Animais peçonhentos no Brasil. São Paulo. SARVIER, 2003.