|
PET Ciências Biológicas – UFV Viçosa, julho de 2006 * Nº45
Vila Gianetti, 30*(31) 3899-2295*www.ufv.br/petbio*petbio@ufv.br |
|
Prof. Lucio Campos; Amanda Miranda; Carla Oliveira; Étori Aguiar; Evelyze Pinheiro; Lucas Dornelas; Karine Freitas; Marcelo Vaz; Mário Moura; Odair Campos; Paula São Thiago; Rômulo Areal; Swiany Lima; Tatiana Rigamonte; Vitor Fernandes. ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ |
|
Artigos
|
Cientistas: |
|
|
|
Michelle Picinin Filardi
Estudante
de Ciências Biológicas na UFV Hoje pela manhã peguei a conta de luz, e no final da página estava escrito: “A tuberculose tem remédio. Não abandone o tratamento.” Lembrei de Robert Kock, o cientista que descobriu a bactéria causadora da tuberculose e formulou postulados que foram usados para identificar microrganismos causadores de várias doenças |
Fonte: Site Prêmio Nobel |
||
|
infecciosas. Parei para pensar na importância dessa descoberta para a população, já que essa era uma das principais causas de morte naquele tempo. Muitos escritores brasileiros foram acometidos pela doença, dentre eles, Manuel Bandeira, que viveu muitos anos de sua vida sabendo que a morte poderia chegar a qualquer hora. “Vou-me embora pra Pasárgada” é um de seus poemas no qual ele lista algumas coisas que faria se não estivesse doente: “Farei ginástica, andarei de bicicleta, montarei um burro brabo, subirei no pau-de-sebo, tomarei banhos de mar”. Sempre tive curiosidade de saber como os importantes cientistas do passado viveram, como eram suas vidas, quais eram seus hábitos, como eles faziam pesquisa e como chegaram a descobertas que mudaram a história do homem na Terra. Eu digitei ““Robert Koch” tuberculosis” no Google, e o primeiro site listado foi o oficial do Prêmio Nobel. Fantástico! Um lindo texto sobre a palestra de apresentação das suas descobertas e a introdução do discurso: “Se a importância de uma doença para a raça humana é medida pelo número de fatalidades que ela causa, então a tuberculose deve ser considerada muito mais importante do que aquelas doenças infecciosas mais temidas, peste, cólera e similares. Um em cada sete seres humanos morre de tuberculose. Se considerarmos apenas os grupos de meia idade, tuberculose ataca um terço ou mais.” As imagens da palestra vieram à minha mente como acontecia quando minha mãe contava estórias para minha irmã e eu antes de dormirmos. Aquele foi realmente um momento marcante na história da ciência! Mas eu não sabia quão difícil tinha sido chegar àqueles resultados até o momento em que joguei o jogo “Tuberculosis Experiments and Discoveries” no mesmo site. Ele foi um gênio! Apesar das muitas dificuldades que encontrou, ele não desistiu. E quando retorno ao momento presente, percebo quantos equívocos temos cometido. Nós lemos sobre descobertas como se elas fossem fatos simples que contribuíram para a ciência de alguma forma, vemos uma linha do tempo com datas, nomes e uma pequena frase: “Postulados de Koch”. E a beleza da ciência, onde fica? Gabriel Chalita, o secretário da Educação de São Paulo, escreveu em um de seus artigos intitulado “Por uma educação poética”: “É necessário que os educadores propiciem aos seus aprendizes a consciência do que é o bem, o bom e o belo.” Richard Felder, em seu livro “Ensino efetivo: uma oficina”, ilustra os dois tipos de estudantes universitários que ingressm em cursos de ciências citando Sheila Tobias: “O primeiro consiste daqueles que progridem para obter diplomas em áreas científicas; e o segundo, daqueles que têm a intenção original e a capacidade de assim fazer mas que se transferem mais tarde para áreas não científicas.” Quando essas descobertas são apresentadas a nós, estudantes universitários, geralmente pensamos (quando pensamos sobre isso): “Nossa! Eu nunca seria capaz de fazer uma coisa dessas...” Provavelmente não, nós estamos muito ocupados tentando memorizar datas, nomes, processos e repetir tudo isso em provas. É o que tem sido feito no Brasil há alguns séculos. Deve haver algum problema com o nosso sistema educacional, costumo pensar. Quando criança, eu tinha certeza de que seria uma ótima cientista. Fiz meu próprio microscópio com lentes de um brinquedo do Kinder Ovo, alguns suportes de madeira e o puxador de uma gaveta, o qual era movido para cima e para baixo para focalizar a amostra. Fiz algumas observações sobre pêlos de animais, cabelos brancos e pretos, e anotei conclusões sobre o que poderia fazê-los parecer tão diferentes. Foi incrível ler algumas cartas do famoso cientista Antoni Leeuwenhoek para o Sr. Oldenburg, o secretário da Royal Society. Leeuwenhoek, conhecido como o autor dos primeiros relatos sobre organismos vivos a partir de observações ao microscópio, escreveu em um de seus relatos: “Eu também escrevi minhas especulações sobre a razão pela qual um cabelo enrola, outro estica, e como nós imaginamos ver um buraco no cabelo de qualquer animal.” Ele termina a carta mais como poeta do que como cientista: “Se você quiser ver os desenhos que fiz de dois cabelos com suas raízes, mandarei para o senhor, e permaneço seu grato serviçal, Antoni Leeuwenhoek.”
Se pretensões eu tivesse em ser
cientista, elas se foram assim que iniciei um curso superior de ciências
nesta universidade.
* texto publicado com autorização do autor
|
|||