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PET Ciências Biológicas – UFV Viçosa, fevereiro de 2007 * Nº48
Vila Gianetti, 30*(31) 3899-2295*www.ufv.br/petbio*petbio@ufv.br |
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Prof. Lino Neto; Prof. Lucio Campos; Amanda Miranda; Carla Oliveira; Christiane Duarte; Étori Aguiar; Lucas Dornelas; Lucas Lopes; Karine Freitas; Marcelo Vaz; Mário Moura; Rômulo Areal; Tatiana Rigamonte; Vitor Fernandes. ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ |
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Artigos
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Aminas pra quê?
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Não há dúvidas quanto à presença marcante da química em todos os nossos dias, em todas as nossas ações. Quando pensamos, cozinhamos, corremos, ou tomamos um comprimido para a dor de cabeça, acionamos em nosso organismo uma série coordenada de reações bioquímicas. Quando tomamos banho, preparamos o café ou lavamos a louça, utilizamos um amplo conjunto de eventos físico-químicos. Dentre os vários compostos que a química orgânica nos apresenta, cujo número já ultrapassa os 11 milhões, devemos conhecer a grande classe de substâncias representadas pelas |
Fonte: http://www.ifcc.org/ |
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aminas. Antes, porém, de investigarmos sua atuação em nosso dia-a-dia, devemos nos lembrar que, estruturalmente, as aminas são compostos que possuem um, dois ou três grupos orgânicos ligados a um átomo de nitrogênio. De acordo com os ligantes presentes, temos as aminas classificadas como alifáticas, aromáticas, e as reações responsáveis pela formação de amidas, sulfonamidas, sais de amônio e outros vários compostos nitrogenados. As propriedades químicas das aminas são devidas, principalmente, à presença do par de elétrons não-ligantes no átomo de nitrogênio. Para que tenhamos consciência da presença dessa classe de substâncias na vida – e na morte – das pessoas, e na história da humanidade, basta que pensemos em alguns exemplos, como os que são abordados a seguir. Aminas produzidas por plantas e animais apresentam as mais diversas propriedades fisiológicas. As histaminas fazem parte de um grupo de substâncias denominadas aminas bioativas. Sob condições fisiológicas normais os músculos contêm as poliaminas espermina e espermidina, que atuam como hormônio ou fator de crescimento, sendo essenciais para as células. A adrenalina é liberada pelas glândulas supra-renais, quando sentimos forte medo ou excitação. A noradrenalina e a mescalina pertencem à mesma classe de compostos da adrenalina. Os aminoácidos que compõem as proteínas são unidos por ligações peptídicas, e quando, por exemplo, um pedaço de carne sofre decomposição por bactérias, há formação de putrescina e a cadaverina, as aminas responsáveis pelo mau cheiro. A metilamina, a dimetilamina e a trimetilamina são responsáveis pelo odor dos peixes. As vitaminas são co-fatores de proteínas de grande importância no funcionamento do organismo. O nome foi estabelecido em 1911, quando o químico polonês Casimir Funk descobriu na casca do arroz um "fator anti-beriberi" (vitamina B6 ou niacinamida), capaz de prevenir e curar a doença experimentalmente em animais e seres humanos. Como a substância era uma amina, Funk a denominou de "vital amin" (ou amina vital), abreviado para "vitamina". Na execução de Sócrates, em aproximadamente 400 a.C., o filósofo grego foi forçado a tomar um extrato de Conium maculatum. O principal composto deste extrato é a coniina, uma substância extremamente tóxica. Os curares eram drogas obtidas de diversas plantas dos gêneros Strychnos e Chondodendron americanas e africanas, utilizadas pelos índios para produzir flechas envenenadas para caça e pesca. Os extratos de curares agem como bloqueadores neuromusculares, sendo capazes de causar morte por asfixia mesmo em animais de grande porte. Várias sulfonamidas, ou simplesmente sulfas, são utilizadas como medicamento antibacteriano, pois inibem a síntese de ácido fólico em bactérias. A nicotina é um alcalóide encontrado em grande quantidade (4-6%) em folhas de fumo, Nicotiana tabacum, utilizada no século XVII como o primeiro inseticida orgânico. A cocaína, presente na folha de coca, Erythroxylon coca, foi isolada pela primeira vez em 1860. Em 1886, o farmacêutico americano Dr. John Pemberton começou a comercializar uma bebida preparada com extrato de Cola acuminata e Erythroxylon coca. Por sugestão, a bebida, inicialmente chamada de “French Wine Coca”, passou a ser denominada coca-cola. A utilização de extrato de E. coca foi proibida, em função da presença da cocaína. Apesar de ser considerada uma droga de uso ilícito, a cocaína foi o primeiro composto a ser utilizado como anestésico local para cirurgia de olhos e extração de dentes. O ópio, preparado dos bulbos de Papaver somniferum, é conhecido há séculos por suas propriedades soporíferas (que causam sonolência) e analgésicas. Em 1804, na França, Armand Séquin isolou o seu constituinte principal, a morfina. Sais de amônio quaternário são surfactantes catiônicos bastante usados nas formulações de sabões, detergentes, shampoos e amaciantes. Na composição de amaciantes, sais de amônio quaternário contendo duas cadeias carbônicas longas e duas menores são normalmente utilizados. Esses compostos atuam ligando-se por atração eletrostática à superfície da fibra, e formam um filme extremamente fino. As cadeias longas atuam como lubrificantes conferindo maior flexibilidade e maciez ao tecido. Assim, embora a química orgânica geralmente não nos seja apresentada, diariamente, sob forma de teoria, na prática estamos imersos em um grande globo de reações bio-físico-químicas, que, de forma coordenada e regulada, permitem o funcionamento das células, órgãos e organismos. Também utilizamos e controlamos essas reações nos processos industriais, na preparação de cosméticos e alimentos. Além do mais, são esses simples eventos que compõem todo o ambiente à nossa volta, com seus cheiros, texturas e cores.
Tatiana Alves Rigamonte
Referências:
- L. C. A. Barbosa; ‘Química orgânica;
uma introdução para as ciências agrárias e biológicas’. Viçosa: UFV, 354p,
2000
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