PET Ciências Biológicas – UFV

Biologia em Foco

Viçosa, abril de 2006 * Nº44

    Vila Gianetti, 30*(31) 3899-2295*www.ufv.br/petbio*petbio@ufv.br

Prof. Lucio Campos; Amanda Miranda; Carla Oliveira; Étori Aguiar; Evelyze Pinheiro; Karine Freitas; Lucas Dornelas; Mário Moura;

Odair Campos; Paula São Thiago; Rômulo Areal; Swiany Lima; Tatiana Rigamonte; Vitor Fernandes.

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                                       Departamento de Biologia Geral

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    Fonte: www.livrarialeitura.pt

As intermitências da morte

José Saramago

Imagine um país em que, por um capricho qualquer, a morte deixa de agir! Este é o ponto de partida dessa mais recente obra de José Saramago. O que a princípio parece ser um acontecimento que só pode trazer a felicidade às pessoas, subitamente transforma-se em um problema religioso, político, econômico e social. Empresários que se vêem "brutalmente desprovidos da sua matéria-prima". Hospitais e seguradoras em crises financeiras, a falta de visão do primeiro-ministro ao enfrentar uma crise religiosa, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja". O que fazer com as instituições que muitas vezes dependem da morte? O que fazer com

aquelas pessoas que ficam doentes, agonizantes, mas não morrem porque a morte recusa-se a levá-las? E, pior do que tudo, e se a morte, por ser intermitente, retomar seus afazeres, provocando ainda maiores confusões ao mudar seu estilo de ação?

José Saramago, aos 84 anos, demonstra mais uma vez a sua enorme capacidade de expor os problemas das pessoas, a partir de uma situação que é extremamente inusitada, como já fez várias vezes em outras obras, como "Ensaio sobre a cegueira" e "Ensaio sobre a lucidez". E mostra que ele mesmo zomba da morte ao se aproximar dela, com bom humor e espírito crítico contra todos os setores da sociedade.
Não é certamente um escritor de fácil leitura, mas o leitor sempre se surpreende ao ficar preso à trama criada pelo autor, e muitas vezes nem percebe que as sentenças criadas por Saramago são enormes, os personagens não têm nomes e a história é a princípio inverídica. E fica preso à história ao perceber que a personagem central da história é a própria morte, que também tem seus problemas e os enfrenta de maneiras bastante insólitas. Leia este livro com espírito crítico e tenha certeza que você conseguirá ver muito além da fábula criada pelo autor.