A Bacteriologia de Plantas na UFV
Murcha em tomateiro causada por Ralstonia solanacearum
  Bactérias constituem importantes patógenos de plantas, quer pela gravidade das enfermidades que incitam em culturas de importância econômica, quer pela facilidade com que se disseminam, quer pelas dificuldades encontradas para seu efetivo controle. Em regiões de clima favorável, a ocorrência de certas bacterioses de plantas pode condicionar e mesmo inviabilizar certas atividades agronômicas.
    A ocorrência de enfermidade bacteriana em campo implica, sempre, em que se arcarem, implicitamente, com as perdas decorrentes. Essas perdas podem ser totais posto que ainda não se desenvolveram produtos e, ou, metodologias passíveis de serem utilizados para curar ou, pelo menos, cercear o surto epidêmico que se inicia. Tanto assim que a maioria das medidas de controle consideradas efetivas enfermidades de plantas incitadas por bactérias são, ainda hoje, as de caráter preventivo ou de exclusão.
 Há mister buscar e testar novas alternativas de controle, conhecer melhor as bacterioses de plantas no que tange a etiologia, fisiologia e epidemiologia, desenvolver métodos de detecção de patógenos bacterianos em unidades propagativas de plantas mais precisos e sensíveis assim como enriquecer o acervo de informações sobre as fitobacterioses que ocorrem no Brasil e sua importância.
    É um desafio para a humanidade, no milênio que se inicia, a produção de alimentos e enfermidades bacterianas de plantas são, de forma inegável, um dos impecilhos que a comunidade científica deverá enfrentar, tendo como únicas armas a pesquisa e o enriquecimento do acervo de informações.



    A partir do início dos  anos  70, a Bacteriologia de Plantas  passou a  se constituir  uma  das  linhas  mestras de  pesquisa  do  Departamento. Em 1976 é publicado o primeiro livro (ROMEIRO,  R.  S. Identificação de Bactérias Fitopatogênicas. Imprensa Universitária-UFV. Viçosa. 1976. 91p) sobre o assunto e, neste mesmo ano, um docente é enviado aos Estados Unidos para programa de doutoramento em fitopatologia com especialização em bactérias fitopatogênicas. Em 1981 é defendida a primeira tese sobre o tema na UFV. Até o momento, no Laboratório de Bacteriologia de Plantas da UFV, foram defendidas 19 teses, sendo 7 de doutorado e 12 de mestrado, concedidos dezenas de estágios a estudantes de Iniciação Científica e de Aperfeiçoamento, publicados dezenas de trabalhos científicos, apostilas e monografias. Em 1995, foi publicado o segundo livro (ROMEIRO,  R. S. Bactérias Fitopatogênicas. Imprensa Universitária, UFV.  Viçosa. 1995. 367p). Contando atualmente com dois docentes, ambos com doutorado, um técnico de nível médio e vários estudantes de pós-graduação, iniciação científica e aperfeiçoamento, o Laboratório de Bacteriologia de Plantas da UFV conduz, no momento, vários projetos de pesquisa em áreas como patologia de sementes, controle biológico, fisiologia do parasitismo, resistência de plantas a enfermidades incitadas por bactérias e uso de rizobactérias no biocontrole de enfermidades. O Laboratório é dotado de excelentes facilidades, como espaço físico, equipamentos sofisticados, casa de vegetação e reagentes, adquiridas ao longo dos anos graças a dezenas de convênios firmados com, ou a projetos de pesquisa financiados por entidades como CNPq, FINEP, FAPEMIG, FUNBEC e Fundação Volkswagen (Alemanha).  Os intgrantes do laboratório mantêm laços de cooperação recíproca com entidades de pesquisa nacionais (EMBRAPA, PESAGRO, EPAMIG, IBSP, Universidades Federais) e internacionais como Universidade de Missouri (USA), Istituto Sperimentale per la Patologia Vegetale (Itália), Universidade de Braunschweig  (Alemanha), Auburn University (USA),  Universidade de Minnesota (USA), etc.



    Pesquisa com bactérias que incitam enfermidades de plantas são usualmente dispendiosas e recursos advêm de projetos de pesquisa submetidos a órgãos governamentais brasileiros (CNPq, FINEP, FAPEMIG, etc) ou internacionais como GTZ e Fundação Volkswagen (Alemanha). Problemas com fitobacterioses e indagações básicas sobre a natureza dessas enfermidades são investigados através temas de teses de mestrado e doutorado,  projetos individuiais conduzidos por pesquisadores do grupo isoladamente ou em parceria com outras instituições.
    A divulgação de resultados é feita através de trabalhos publicados em revistas especializadas, apresentados em congressos científicos, de aulas de graduação e de pós-graduação, de livros, de monografias e apostilas, de seminários e simpósios.
     Os investimentos em recursos humanos são feitos quer por treiamentos periódicos de membros da equipe no país ou no exterior como pelo contínuo fluxo de estudantes de iniciação científica e aperfeiçoamento aceitos como estagiários no laboratório.