CAFEICULTURA e a UFV

    Na área da cafeicultura, a UFV foi pioneira no estudo da biologia e do controle da ferrugem do cafeeiro. Um dos objetivos a serem alcançados era a obtenção de cultivares portadores de resistência genética a Hemileia vastatrix Berk et Br, o agente causal da ferrugem. Visando atingir esse objetivo, o Departamento de Fitopatologia (DFP) da UFV, por iniciativa de seu então chefe, prof. Geraldo Martins Chaves, introduziu em 1970/71, do Centro de Investigações das Ferrugens do Cafeeiro (CIFC), localizado em Oeiras –Portugal, um vasto e valioso germoplasma de café, oriundo do Híbrido de Timor, portador de fatores de resistência a H. vastatrix , e clones diferenciadores de raças fisiológicas de H. vastatrix . Foi iniciado, dessa forma, a cooperação UFV-CIFC e o Programa de Melhoramento Genético do Cafeeiro com Resistência à Ferrugem, tendo como material de origem os Híbridos de Timor. Em 1974, o programa da UFV se associou à Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais). Como resultado dessa associação, utilizando-se como fonte de resistência o Híbrido de Timor, foi lançada a variedade resistente ‘Oeiras- MG 6851', cujo nome é uma homenagem à cidade de Oeiras – Portugal, onde se localiza o Centro de Investigações das Ferrugens do Cafeeiro – CIFC. Posteriormente, a UFV e a EPAMIG lançaram as cultivares resistentes ‘Paraíso MG H 419-1', Araponga MG 1, Sacramento MG1, Pau-Brasil MG1, Catinguá MG1 e Catinguá MG 2.

    Mais tarde, na década de 80, foi desenvolvida pelo saudoso Prof. João da Cruz Filho, do DFP/UFV, a Calda Viçosa, composta por uma mistura de nutrientes e cobre, visando proporcionar o controle químico da ferrugem do cafeeiro e suprir os micronutrientes, boro e o zinco, essenciais ao cafeeiro. Até hoje, a Calda Viçosa é empregada no controle da ferrugem no Brasil, principalmente por pequenos produtores. Além de suprir micronutrientes, a Calda Viçosa é eficiente, econômica e não-poluente .

    No ano de 2005, a UFV iniciou um projeto inédito denominado Produção Integrada do Café, visando estabelecer normas para serem incorporadas no programa de certificação e rastreabilidade do café, coordenado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Essas normas constituirão as bases para a exportação do café brasileiro.

    Hoje, a UFV conta com cerca de 80 professores e pesquisadores e aproximadamente 350 alunos de pós-graduação e graduação dedicando-se à pesquisa com café nas mais diversas áreas.