Planilha Eletrônica

 

 

PE00098A.gif (1966 bytes)
Clique aqui para
falar conosco!

 

Back Home Up Next

Planilhas Eletrônicas para o
Dimensionamento de Redes de Drenagem Urbana.

Cesar JR, Kléos Magalhães Lenz
Bohnenberger, José Carlos 

 

Resumo

O dimensionamento de redes de drenagem urbana é uma tarefa um pouco mais complexa para os alunos de engenharia quando comparado com outros sistemas urbanos de saneamento. Assim, na parte prática da disciplina CIV 347 – Sistemas de Esgotos, os alunos desenvolveram planilhas eletrônicas para auxiliar o dimensionamento de redes de microdrenagem urbana.

Embora o trabalho a princípio possa parecer simples, destacam-se alguns aspectos positivos do uso desta ferramenta que permitem:

otimizar a declividade das galerias;

obter uma rede menos profunda respeitado o recobrimento mínimo das galerias;

trabalhar com relações h/D mais próximas de 0,81;

verificar as linhas de energia de montante e jusante nos poços de visita;

minimizar os degraus porventura existentes junto ao PV’s;

revisar permanentemente o projeto hidráulico realizado;

calcular os volumes de escavação, bota-fora e reaterro.

Desta forma consegue-se um projeto final mais eficaz, pois a planilha eletrônica permite, rápida e eficientemente, realizar uma série de simulações com base nos parâmetros acima apresentados, obtendo-se por conseguinte um projeto mais econômico.

 1 - Introdução

Neste trabalho apresenta-se um conjunto de seis planilhas eletrônicas interconectadas, a saber: 1-Topografia, 2-Sarjetas, 3-Escoamento na Sarjeta, 4-Projeto Hidráulico das Galerias, 5-Resumo e 6-Galerias, com a sistematização do cálculo de um sistema de galerias de drenagem urbana, projetado para coletar e conduzir as descargas referentes à Chuva Inicial de Projeto, para um ponto de lançamento dentro do Sistema Geral de Drenagem.

O projeto básico foi extraído do livro Drenagem Urbana - Manual de Projeto (DAEE/CETESB, 1980), cujos desenhos: planta topográfica, divisão das áreas contribuintes, a rede de drenagem e os respectivos perfis longitudinais estão disponíveis no trabalho "Publicações de Desenhos Digitais na WEB" apresentado neste Congresso que encontra-se no endereço http//:www.ufv.br/saneamento/drenaweb.

A metodologia de cálculo adotada nas planilhas utiliza o Método Racional e o roteiro apresentando na bibliografia nacional. A rede foi projetada para evitar danos e inconveniências causadas por Chuvas Intensas, com períodos de retorno de 2 e 5 anos.

A vantagem deste trabalho é permitir sistemática e automaticamente, a revisão simultânea do projeto hidráulico, através da adoção de uma declividade ótima para as galerias que, levando em consideração a declividade da rua, respeite o recobrimento mínimo e a relação h/D máxima (i81). Com isto, consegue-se reduzir a profundidade da rede de drenagem, dos PV's e dos degraus, resultando em volumes escavados menores e portanto num projeto mais econômico.

2 - Das Planilhas Desenvolvidas

2.1. Topografia


Figura 01

Nesta planilha apresenta-se, trecho a trecho, os dados topográficos da área, contribuinte, a contribuição de trechos laterais e a profundidade e declividade médias das área sub-dividida.

As áreas acumuladas esquerda e direita servirão inicialmente para calcular a capacidade de escoamento das sarjetas e posteriormente das galerias. Já a profundidade e declividade média da sub-bacia serve para calcular o Tempo de Escoamento Superficial (TES).

Nesta planilha, na coluna Contribuição Lateral, a função ProcV (Excel 97) realiza a pesquisa se algum dos PV's, está ou não recebendo contribuições laterais, como no caso de PV3 e PV2, e acumula estas áreas para fins do dimensionamento dos trechos subsequentes.

2.2. Sarjetas


Figura 02

Permite-se nesta planilha inserir qualquer modelo de sarjeta, em qualquer tipo de rua, com declividades transversais, rugosidades e grau máximo de inundação (tirante molhado) variáveis. À configuração desejada atribui-se um nome (Rsec, Rpri, Av, Hosp), caracterizando assim, um catálogo de sarjetas.

A velocidade e a vazão teórica da sarjeta estão relativizadas pela declividade longitudinal que pode variar a cada trecho. Nesta planilha não utilizou-se nenhum fator de redução da capacidade teórica de escoamento das sarjetas, sendo a capacidade admissível obtida de modo indireto, a partir do grau máximo de inundação tolerável ou admissível (Tmáx).

Os perfis transversais das ruas e avenidas estão representados no trabalho "Publicações de Desenhos Digitais na WEB" apresentado neste Congresso.

2.3. Escoamento na Sarjeta

Nesta planilha compara-se a vazão decorrente da chuva com a capacidade de escoamento admissível da sarjeta identificando assim a necessidade ou não de Bocas de Lobo no trecho.


Figura 03

Calcula-se, com os dados das planilhas anteriores, os tempos de escoamento superficial (TES), de percurso na sarjeta (TPS) e de concentração (TC) além da Intensidade da Chuva conforme equação apresentada, cujos parâmetros podem ser alterados de acordo com a localidade em questão.

Com o surgimento da primeira Boca de Lobo dar-se-á início ao sistema de galerias, sendo que os demais valores de Qchuva podem ser utilizados para o Cálculo da Capacidade de Engolimento das Bocas de Lobo ao longo do sistema.

2.4. Projeto Hidráulico das Galerias

Com a vazão da galeria no trecho e em função de uma declividade adotada, entre os valores de irua e i81, calcula-se o diâmetro necessário da galeria trabalhando à plena seção, respeitado o recobrimento mínimo de 1,0 metro acima da geratriz superior dos tubos e a velocidade máxima de 7,0 m/s (célula P6 da Figura 04).

Posteriormente, com a escolha do diâmetro comercial, calcula-se a relação Q/Qc, a partir da qual a função ProcV busca as demais relações (h/D, V/Vc) que permitem calcular "h" e "v2/2g" e consequentemente as linhas de energia.

Com a comparação dos valores das diferentes linhas de energia num PV, determina-se o valor dos degraus porventura existentes. Aqui, a função ProcV pesquisa igualmente os trechos laterais, a exemplo de PV3 e PV2, comparando todas as linhas de energia e definindo comparativamente o degrau resultante.

A profundidade da geratriz inferior de cada tubo é igualmente calculada definindo-se a profundidade dos PV's. A profundidade inicial pode ser adotada e no caso foi de 2,0 m (célula S5 da Figura 04).


Figura 04

Uma rápida observação nas colunas de declividades (i rua, i 81 e i adot) combinada com os valores de recobrimento de jusante dos tubos permite verificar que o projeto foi otimizado ao máximo em termos de volume escavado. Por isto criou-se um destaque para o valor do volume escavado acumulado (1645 m3) no alto da planilha.

2.5. Resumo

Apresenta um resumo dos principais dados que permitem elaborar o perfil longitudinal da rede de galerias, que está igualmente apresentado no trabalho "Publicações de Desenhos Digitais na WEB".

Aproveitou-se para calcular os volumes referentes a escavação, reaterro e bota fora que orientará a obtenção de uma rede menos profunda, portanto de menor custo (Figura 05).

2.6. Galerias

Apresenta os dados das galerias como: diâmetro, rugosidade, espessura da parede e os dados referentes a área, raio hidráulico, velocidade e vazão do conduto cheio (Figura 06).


Figura 05


Figura 06

3. Conclusões

Embora a planilha é um recurso limitado, pois não é uma linguagem de programação, esta mostrou-se um instrumento interessante para resolver alguns problemas de drenagem urbana, em especial a otimização do projeto visando obter uma rede hidraulicamente bem balanceada, de menor profundidade, respeitando o recobrimento mínimo dos tubos.

Desta forma, tem-se um excelente instrumento didático para o ensino do tópico Drenagem Urbana nas disciplinas de saneamento.

4. Bibliografia

VÁRIOS AUTORES. Drenagem Urbana: Manual de Projeto. São Paulo. DAEE/CETESB. 1980. 468 p.

WILKEN, Paulo Sampaio. Engenharia de Drenagem Superficial. São Paulo. CETESB. 1978 .478p.

VÁRIOS AUTORES. Drenagem e Controle da Erosão Urbana. Curitiba. EDUCA. 1984 . 396p.

SANTOS, Marcos J. Murta. Drenagem e Controle da Erosão Urbana. Belo Horizonte. Edições COTEC. 1984. 255 p.

FIGUEREDO, S.V.A . Sarjetas para drenagem urbana. Camboriú. Trabalho apresentado no 12° Congresso da ABES. 1983. 28 p.

MARQUES, B.C.A . & FIGUEREDO, S.V.A . Diagramas para dimensionamento de Bocas de Lobo. Contagem. Edições FUMEC. 1981. 30 p.

VÁRIOS AUTORES. Drenagem Urbana. Porto Alegre. ABRH/Editora da UFRGS, volume 5 da Coleção de Recursos Hídricos da ABRH. 1995. 428 p.

Back Home Up Next

 


by Kléos M Lenz César JR.
For problems or questions regarding this web contact [kleos@ufv.br].

Universidade Federal de Viçosa
Departamento de Engenharia Civil
Last updated: Junho 25, 1999.