CLONAGEM DE EUCALIPTUS SP

Autora:Adriana Araújo                    Graduanda de Engenharia Florestal

Contatos:

E-mail: e31938@alunos.ufv.br

             driaraujo@ieg.com.br

 

 

 


 


1. Introdução

 

1.1 O Eucalipto

 

O eucalipto é uma árvore exótica, ou seja, não pertence à flora natural do Brasil. Foi trazido no início deste século, proveniente da Austrália, onde existem mais de 600 espécies. Cada espécie apresenta características diferentes e é adequada para aplicações também diferentes. Na década de setenta, foram plantados mais de dois milhões de hectares de eucalipto no estado de Minas Gerais. Aqui estão os maiores maciços florestais plantados de todo o planeta. Estes plantios foram feitos para atender principalmente a necessidade de madeira para a produção de carvão para a siderurgia e de celulose para as indústrias de papel. Algumas espécies foram selecionadas e desenvolvidas geneticamente para as condições de clima e de solo das diversas regiões do país. Híbridos de alta produtividade foram obtidos após anos de pesquisa e hoje os plantios são feitos normalmente pelo processo de clonagem. No caso da aplicação do eucalipto na construção rural, algumas espécies se destacam pela densidade alta, o que permite obter peças uniformes, de alta resistência mecânica e características anatômicas de reconhecida aptidão para imunização.

As características apresentadas por estas espécies de eucalipto nada ficam devendo às madeiras nativas de qualidade. Só para se ter uma idéia, estas espécies são utilizadas para a obtenção de postes para transmissão de energia e telefonia e mesmo para a produção de dormentes para ferrovias, cujas exigências de qualidade são muito grandes.

Existem postes de eucalipto com mais de 30 anos em operação e que ainda estão em boas condições de utilização. Estas espécies são utilizadas também para produtos serrados, onde a resistência mecânica é importante. Outras espécies de menor densidade, a exemplo do E. grandis, têm sido largamente utilizadas para outras aplicações, entre elas a indústria moveleira. No início de sua cultura no Brasil, o eucalipto era visto como uma espécie que causava uma série de problemas ao meio ambiente. Depois de todos estes anos de pesquisa, os estudos comprovaram que o eucalipto é uma monocultura como outra qualquer. Tem vantagens e desvantagens, mas o seu saldo é positivo. O eucalipto, plantado de forma adequada e sendo bem manejado, pode se transformar em um grande aliado da natureza. Algumas áreas degradadas têm sido recuperadas com o plantio de eucalipto, com bons resultados. As florestas plantadas de eucalipto são florestas renováveis, o que dá a esta espécie uma grande importância quando se fala da utilização da madeira, aliada à preservação do meio ambiente.

 

1.2 Espécies de Eucaliptus

 

Eucalyptus camaldulensis Dehn

Esta espécie ocorre praticamente em todos os Estados Australianos, Exceto na Tasmânia. As áreas principais de ocorrência estão situadas entre as latitudes de 15,5o à 38 os, nas altitudes variando desde 30 a 600 m. Caracteriza-se por ser uma espécie que predominantemente ocorre margeando rios. A precipitação pluviométrica média anual varia de 250 a 625 mm, as chuvas concentrando-se no inverno ou no verão.

A temperatura média das máximas do mês mais quente situa-se entre 29 a 35oC, enquanto que média das mínimas do mês mais frio situa-se de 11 a 200C.

O período seco varia de 4 a 8 meses ou mais. Nas regiões tropicais não ocorrem geadas, enquanto que ao sul da zona de ocorrência podem ocorrer 50 dias/ano. Na Austrália a madeira é muito utilizada para serraria, dormentes e carvão.

Considera-se o E. camaldulensis uma das espécies mais adequadas para zonas críticas de reflorestamento, onde as deficiências hídricas e problemas ligados ao solo, sejam fatores limitantes para outras espécies. Nos países em que a espécie foi introduzida com sucesso, as conclusões básica foram:

·       Boa adaptação em regiões caracterizadas por solos pobres e prolongada estação seca.

·       Tolerância a inundações periódicas.

·       Moderada resistência a geadas.

·       As árvores no geral são mais tortuosas do que E. grandis, E. saligna e E. propinqua.

·       Produz madeira mais densa com cerne bem diferenciado e mais colorido do que E. grandis e E. saligna.

·       Regenera muito bem através das brotações de cepas.

Nos estudos efetuados em São Paulo a espécie demonstrou ser útil para serraria, postes, dormentes , mourões, lenha e carvão. Para celulose e papel não é muito aceita.

 

Eucalyptus citriodora Hook

Ocorre nas regiões norte e centro de Queensland. As áreas de maior concentração estão situadas entre as latitudes de 15,5 e 25 o S em altitudes compreendidas entre 80 a 800 m . A precipitação pluviométrica média anual varia de 625 a 1.000 mm . Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 29 a 35oC, temperatura média das mínimas do mês mais frio entre 5 a 10oC. Período de seca variando de 5 a 7 meses, envolvendo a época mais quente do ano. Praticamente não ocorrem geadas na zona de ocorrência natural. A madeira é muito utilizada para: construções , estruturas , caixotaria , postes , dormentes , mourões , lenha e carvão.

No Estado de São Paulo a espécie apresenta susceptibilidade à geadas, boa resistência à deficiências hídrica. Em solos pobres pode haver alta incidência de bifurcações ligadas a deficiências nutricionais (principalmente boro) ; regenera-se muito bem por brotações das cepas.

Em função das característica básicas da espécie e dos resultados obtidos em São Paulo , deve-se sempre considerar as geadas severas como fator limitante.

 

Eucalyptus grandis Hill ex Maiden

Ocorre naturalmente na Austrália, ao norte do estado de New South Wales, ao sul de Queensland ( próximo a região costeira e na parte central) , e ao norte de Queensland em áreas de altitude (300 a 900 m) . A precipitação pluviométrica varia de 1.000 a 1.700 mm, predominantemente no verão. Estação seca não ultrapassando 3 meses. Geadas ocasionais nas regiões mais interiores da área de ocorrência natural. Temperatura média das máximas do mês mais quente compreendida entre 29 a 32oC, e a média das mínimas do mês mais frio entre 5 a 6oC.

A madeira de E. grandis é leve e fácil de ser trabalhada. Utilizada intensivamente, na Austrália e na república Sul Africana, como madeira de construção , quando oriunda de plantações de ciclo longo. A madeira produzida em ciclos curtos é utilizada para caixotaria. Normalmente a madeira oriunda de árvores com rápido crescimento, apresenta problemas de empenamento, contrações e rachaduras quando do desdôbro. Plantações, convenientemente manejadas, podem produzir madeira excelente para serraria e laminação. É a principal fonte de matéria prima para celulose e papel do Estado de São Paulo.

Em algumas áreas poderá haver incidência do cancro do eucalpto (fungo Dia porthe cubensis Bruner) . Atribui-se, essa incidência, á intensidade da deficiência hídrica nas áreas em questão.

 

Eucalyptus pellita F. Muell

Na Austrália ocorre em duas regiões distintas:

·       Região A - entre as latitudes de 12 a 18o S.

·       Região B - entre 27 a 36oS.

Em relação as altitudes podem variar desde o nível do mar até 800 m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 900 a 2.400 mm. As chuvas distribuem-se uniformemente durante o ano ou são concentradas no verão, não havendo um período seco severo. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 24 a 33oC, e das mínimas do mês mais frio 12 a 16oC. As geadas são raras na Região B e inexistentes na Região A.

A madeira é muito utilizada para construções e estruturas. Em nossas condições há necessidade de estudos mais detalhados para se determinar a viabilidade de outras utilizações.

Acredita-se que a espécie foi introduzida em São Paulo, com sementes oriundas da região B, por essa razão os resultados obtidos na experimentação e nas plantações piloto, não foram tão animadores. Em testes avaliados até o momento permitem considerar a espécie como altamente potencial para as regiões onde não ocorram geadas severas.

 

Eucalyptus pilularis Sm

Ocorre naturalmente em New South Wales nas planícies litorâneas, e nas zonas montanhosas próximas ao litoral , estendendo-se sua ocorrência até ao sul de Queensland. Essa área situa-se entre as latitudes de 25oS a 37,5oS. As altitudes variam desde o nível do mar até 700m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 1.000 a 1.500 mm. A distribuição das chuvas é do tipo uniforme durante o ano ou concentradas no verão. Nas áreas onde as chuvas concentram-se no verão, o período de seca pode ter a duração de 3 a 4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 29 a 32oC, e das mínimas do mês mais frio entre 5 a 6oC. As geadas ocorrem numa intensidade de 5 a 15 dias/ano.

A espécie, em sua zona de ocorrência , apresenta crescimento rápido e madeira com qualidade adequadas para : laminação, móveis, construções, dormentes, postes, moirões, escoras e caixotaria. Poderá ser potencial para produção de celulose e papel. Em nossas condições a espécie apresenta suceptibilidade à geadas e às deficiências hídricas severas. É tolerante ao fogo mais apresenta baixa capacidade de regeneração por brotação.

 

Eucalyptus robusta Sm

Ocorre naturalmente no litoral de New South Wales e no sul de Queensland . Essa área situa-se entre as latitudes de 23 a 36oS. Em relação a altitude a espécie ocorre, predominantemente, ao nível do mar. A precipitação pluviométrica média anual varia de 1.000 a 1.500mm, concentrando-se no verão. O período de seca não ultrapassa 4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 30 a 32oC e das mínimas do mês mais frio 3 a 5oC . Durante o inverno podem ocorrer geadas na intensidade de 5 a 10 dias / ano.

A madeira pode ser utilizada para: serraria, laminação, postes, dormentes e mourões. Embora tenha na Austrália ocorrência restrita ao litoral, nas introduções realizadas fora da sua zona natural, vem apresentando alta plasticidade, podendo ser recomendada para ocupação de solos hidromórficos, ou francamente arenosos em diferentes altitudes. A espécie possue alta capacidade de regeneração por brotação das cepas, como demonstram os estudos, em que um plantio piloto de 10.458 árvores, apresentou aos 29 anos de idade, após 3 cortes rasos sucessivos, 94,64% de brotação das cepas.

 

Eucalyptus saligna Sm

Ocorre geralmente na região litorânea e nos vales das cadeias montanhosas próximas ao litoral de New South Wales, e ao sul de Queensland. A distribuição natural da espécie situa-se entre as latitudes de 28 a 35oS, em altitudes desde o nível do mar até 1.000 m . A precipitação pluviométrica anual situa-se entre 800 a 1.200mm, chuvas uniformemente distribuídas durante o ano, ou concentradas no verão. A estação seca não ultrapassa 4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 28 a 30oC e das mínimas do mês mais frio entre 3 a 4oC. As geadas ocorrem numa intensidade de 5 a 10 dias/ano.

A madeira é indicada para uso generalizados. Freqüentemente a espécie é confundida com E. grandis em função das afinidades existentes entre elas. Em nosso Estado o E.saligna oriundo da Austrália, Mairinque ou Itatinga, produz madeira de maior densidade quando comparada ao E .grandis , e apresenta menor suceptibilidade à deficiência de Boro. Identicamente ao E.grandis, em áreas onde a deficiência hídrica seja severa, poderá ser atacada pelo cancro do eucalypto.

As características da madeira a tornam indicada para: laminação, móveis, estruturas, caixotaria, postes, escoras, mourões, celulose e carvão. Apresenta suceptibilidade às geadas severas, tolera fogo baixo, e tem alta capacidade de regeneração por brotação das cepas.

Em função do sucesso alcançado com a espécie no Estado de São Paulo, ela é recomendada para todas as regiões, com restrições a locais onde ocorram geadas ou deficiências hídricas severas.

 

Eucalyptus tereticornis Sm

Espécie amplamente distribuída na Austrália. A zona de ocorrência natural compreende os Estados de Queensland, New South Wales, Victoria atingindo até Papua - Nova Guiné. Tão vasta área esta situada entre as latitudes de 6 a 38oS, as altitudes que podem variar desde o nível do mar até 1.000m no continente australiano. Em Papua - Nova Guiné pode ocorrer a 2.000 m de altitude. Precipitação pluviométrica média anual compreendida entre 500 a 1.500 mm. As chuvas poderão ser predominantes no verão ou no inverno. O período seco pôde atingir até 7 meses. A temperatura média das máximas do mês mais quente em torno de 22 a 32oC, e das mínimas do mês mais frio entre 2 a 12oC. Em relação às geadas podem não ocorrer ou ocorrer numa intensidade de 1 a 15 dias/ano.

A madeira é intensamente utilizada para serraria, estruturas, construções, postes, mourões e carvão. O E. teriticornis e o E. camaldulensis são as espécies mais importantes para o reflorestamento em zonas tipicamente tropicais da África, e começam a despontar como potenciais para o Brasil.

Em todos os estudos efetuados a espécie vem revelando boa resistência à pragas, doenças e à deficiências hídricas , boa capacidade de regeneração por brotação das cepas e tolerância ao fogo rasteiro . O E. tereticornis poderá ser recomendado para plantio em todas as regiões, executando as áreas onde ocorram geadas intensas.

 

Eucalyptus urophylla S.T. Blake

Sua área de ocorrência natural situa-se em Timor e outras ilhas a leste do arquipélago Indonesiano, entre as latitudes de 8 a 10o e altitudes de 400 a 3.000 m. Precipitação pluviométrica média anual compreendida entre 1.000 a 1.500 mm concentrada no verão. Período seco não ultrapassa 4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente em torno de 29oC, e das mínimas do mês mais frio entre 8 a 12oC. As geadas podem ocorrer nas zonas de maior altitude.

Na área de ocorrência natural a madeira é utilizada para construções e estruturas que demandem alta resistência. Em nosso meio a madeira é para utilização geral.

 

Eucalyptus viminalis Labill

Ocorre naturalmente nos Estados de New South Wales, Victoria e Tasmânia, entre as latitudes de 28 a 43,5oS. As altitudes podem variar desde o nível do mar até 1.500 m. Aprecipitação pluviométrica média anual varia de 625 a 1.400 mm, predominantemente no inverno ou no verão. A média das temperaturas máximas do mês mais quente não ultrapassa 21oC, enquanto que a média das mínimas do mês mais frio varia de 1 a 4oC. Podem ocorrer geadas na intensidade de 5 a 60 dias/ano.

A madeira pode ser utilizada para caixotaria, escoras de construção, mourões e lenha. Para celulose e papel há necessidade de estudos mais detalhados. A espécie é altamente resistente à geadas, susceptível à deficiências hídricas e apresenta boa capacidade de regeneração por brotações das cepas. Pelas características acima relatadas o é altamente potencial para a região onde ocorrem geadas severas.

 

Eucalyptus torelliana F. Muell

Ocorre geralmente em Queensland, na região de Atherton, entre as latitudes de 16 a 19oS e altitudes de 100 a 800 m. A precipitação pluviométrica média anual situa-se em torno de 1.000 a 1.500 mm, Concentrando-se predominantemente no verão . O período seco não ultrapassa 3 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente em torno de 29o e das mínimas do mês mais frio entre 10 a 16o. Praticamente não ocorrem geadas.

É uma das poucas espécies do gênero, que ocorre associada a floresta tropical. Aparentemente necessita de solos férteis e com boa drenagem. A madeira é muito semelhante a do E. citridora e do E. grandis.

 

Eucalyptus resinifera Sm

Tem sua área de ocorrência natural localizada no litoral e cadeias montanhosas litorâneas do norte de New South Wales, e ao sul de Queensland. Essa área situa-se entre as latitudes 17 a 34oS, em altitudes variando desde o nível do mar até 600 m. Precipitação pluviométrica média anual entre 1.350 a 1.500mm, chuvas predominantes no verão. Estação seca não ultrapassando 4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 27 a 32oC, e das mínimas do mês mais frio entre 4 a 5oC.

É uma das mais importantes espécies da Austrália podendo ser a sua madeira utilizada para serraria, construções, móveis, caixotaria, dormentes, postes e mourões. É susceptível à geadas e à deficiência hídrica severa, tolerante a fogo e regenera-se bem por brotação das cepas.

 

Eucalyptus punctata DC

Ocorre naturalmente na região central, no litoral e serras litorâneas de New South Wales. Essa área situa-se entre as latitudes de 32 a 35oS. As latitudes estão compreendidas entre o nível do mar a 1.000 m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 625 a 1.250 mm. O regime de chuvas é caracterizado por uma uniforme distribuição durante o ano, ou por chuvas concentradas no verão. A estação seca tem uma duração média de 4 meses. Temperatura média de 4 meses das máximas do mês mais quente entre 27 a 32oC, e das mínimas do mês mais frio entre 4 a 5oC. As geadas ocorrem numa intensidade de 1 a 10 dias/ano.

A madeira é altamente recomendável para serraria, estruturas, postes e dormentes. Regenera-se bem por brotação das cepas.

 

Eucalyptus propinqua Deane & Maiden

Ocorre geralmente ao norte de New South Wales e ao sul de Queensland, em zonas de altitudes próximas ao Litoral. Essa área está compreendida entre as latitudes 24 a 33oS. As altitudes variam desde o nível do mar até 350 m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 875 a 1.400 mm, concentrando-se basicamente no verão. O período seco tem duração máxima de 4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 27 a 33oC, e das mínimas do mês mais frio entre 4 a 10oC. As geadas podem ocorrer numa intensidade de 1 a 10 dias/ano.

A madeira é altamente recomendável para serraria, estruturas, postes, dormentes, e mourões. A espécie apresenta boa capacidade de regeneração por brotação das cepas. O plantio não é recomendado para regiões onde ocorram geadas.

 

Eucalyptus paniculata Sm

Ocorre no litoral de New South Wales, entre as latitudes de 30 a 36,5oS, altitudes desde o nível do mar até 500m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 825 a 1500mm. Chuvas predominantes no verão, estação seca variando de 4 a 6 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 24 a 29oC, e das mínimas do mês mais frio entre 2 a 5oC. No inverno ocorrem geadas pouco intensas.

A madeira é muito utilizada para dormentes, pontes, postes, mourões, carvão e escoras. Caracteriza-se por sua alta densidade e durabilidade.

Nas introduções feitas fora da Austrália revelou ser susceptível à geadas, moderadamente susceptível a seca, tolerante ao fogo rasteiro, boa capacidade de regeneração por brotação das cepas.

 

Eucalyptus microcorys F. Muell

Ocorre ao norte de New South Wales e ao sul de Queensland, nas latitudes compreendidas entre 25 a 32,5oS, e altitudes desde o nível do mar até 800m. A precipitação média anual varia de 900 a 1.500 mm. As chuvas concentram-se no verão e a estação seca não ultrapassa 3 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente em torno de 32oC, e das mínimas do mês mais frio 5oC. As geadas ocorrem numa intensidade de 10 a 30 dias/ano.

A madeira apresenta boas características para laminação, móveis, construções, postes, dormentes, moirões, escoras para construções e caixotaria. A espécie é moderadamente resistente às geadas, susceptível à deficiência hídricas severas e tolerantes ao fogo. Apresenta boa capacidade de regeneração através da brotação das cepas.

É uma das espécies que vem recebendo atenção especial pelas entidades florestais australianas, em função do seu aproveitamento para serraria. Restrições onde ocorram geadas severas e onde ocorram deficiências hídricas severas.

 

Eucalyptus maidenii F. Muell

Ocorre geralmente nas zonas de altitude no sul de New South Wales e no nordeste de Victoria, entre as latitudes de 34 a 39oS e altitudes de 230 a 915m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 750 a 1.250 mm. As chuvas são uniformemente distribuídas durante o ano ou concentradas no inverno. Temperatura média das máximas do mês mais frio em torno de 5oC. As geadas ocorrem numa intensidade de 20 a 120 dias/ano.

A madeira pode ser utilizada para serraria, escoras, postes e mourões. Para celulose e papel há necessidade de melhores estudos. É uma espécie resistente à geadas, susceptível à deficiências hídricas severas e ao fogo. Apresenta boa capacidade de regeneração por brotação das cepas .

 

Eucalyptus maculata Hook

Ocorre na Austrália, no litoral e no interior do Estado de Queensland, e no litoral de New Soth Wales, entre as latitudes de 25 a 37oS, nas altitudes desde o nível do mar até 800 m. A precipitação média anual nessas áreas varia de 625 a 1.250 mm. A distribuição das chuvas pode ser uniforme durante o ano, ou concentradas no verão. Nas regiões onde as chuvas concentram-se no verão o período de seca varia no sentido sul para o norte, podendo situar-se no intervalo de 3 a 6 meses. Em toda a área de ocorrência as geadas são pouco freqüentes. A temperatura média das máximas do mês mais quente situa-se entre 22 a 35o C, e a média das mínimas do mês mais frio entre 2 a 5oC.

A madeira apresenta boas características para utilização em laminação, marcenaria, construções, dormentes, postes, moirões e caixotaria. A espécie regenera-se bem por brotação das cepas, é moderadamente susceptível à geadas, secas pronunciadas, e ao fogo.

Recomenda-se a espécie para altitudes inferiores a 1.600 m.

 

Eucalyptus dunnii Maiden

Ocorrência restrita na região nordeste de New South Wales e sudeste de Queensland, entre as latitudes de 28 a 30o C e altitudes de 150 a 800 m. Precipitação pluviométrica média anual variando de 800 a 1.500 mm, chuvas concentradas no verão. Temperatura média das máximas do mês mais quente compreendida entre 27 a 29o C, e a média das mínimas do mês mais frio em torno de 8oC . O período de seca não ultrapassa a 3 meses geralmente no inverno. Na área de ocorrência natural ocorrem poucas geadas com baixa intensidade. É uma das espécies com maior crescimento na Austrália.

A madeira é muito semelhante a do E. grandis, podendo ter as mesmas utilizações. Os primeiros estudos visando seu aproveitamento para celulose e papel, são altamente animadores. As maiores restrições à espécie são a inexistência de produção de sementes em nosso meio, e a impossibilidade de importação de sementes em quantidades suficientes. Existindo possibilidade da produção de sementes ou mudas, a espécie poderá ser potencial para todas as regiões bioclimáticas do Estado.

 

Eucalyptus cloeziana F. Muell

Ocorre geralmente nas regiões central e norte do Estado de Queensland. Caracteriza-se por não ocorrer em populações contínuas, mas sim de forma esparsa. A área de distribuição está compreendida entre as latitudes de 60 s 900 m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 1.000 a 1.600 mm, concentrando-se no verão. A temperatura média das máximas do mês mais quente, situa-se em torno de 29oC, e a média das mínimas do mês mais frio, entre 8 a 12oC. O período de seca não ultrapassa 3 a 4 meses. As geadas são raras e pouco severas. A madeira produzida pela espécie é de alta densidade, durável e com ampla utilização.

As plantações estabelecidas fora da Austrália tem como finalidades principais: serraria, postes, escoras, estruturas, dormentes, etc. Vem sendo considerada a melhor espécie para postes.Tratando de uma espécie oriunda de zonas predominantes tropicais, ela é susceptível à geadas e não se adapta bem em regiões com deficiência hídrica severa. Aparentemente é susceptível a fogo rasteiro. Apresenta baixa capacidade por brotação de cepas.

Aparentemente a espécie exige solos de fertilidade média a boa, recomenda-se evitar locais com incidências de geadas, altitudes superiores a 1.600 m. e onde as deficiências hídricas sejam severas.

 

Eucalyptus botryoides Sm

Ocorre naturalmente, na Austrália, no Litoral Sul do Estado de New South Wales e em Victoria, entre as latitudes de 32 a 39,5oS e altitudes de 0 a 300m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 625 a 1.000 mm, com chuvas uniformemente distribuídas durante o ano. Temperatura média das máximas do mês mais quente 23 a 28oC, e das mínimas do mês mais frio 2 a 9oC. Período seco normalmente não ultrapassa 2 a 3 meses. Intensidade de geadas desde 0 a 20 dias/ano.

Na Austrália a espécie é considerada valiosa para o litoral, apresentando alta resistência à ventos. A madeira pode ser utilizada para: laminação , estruturas, dormentes , caixotaria, estacas e mourões . Em locais fora da Austrália a espécie apresenta susceptibilidade à geadas, e à deficiência hídrica.

 

 

2. PRODUÇÃO DE MUDAS DE EUCALIPTO

 

 

            A produção de mudas tem sido realizada pelo método sexuado e assexuado. O primeiro refere-se à produção de mudas por meio de sementes e o segundo, por meio de propagação vegetativa.O processo de lavagem de tubetes, embadejamento, preparo do substrato e envasamento são comuns tanto na propagação sexuada como na propagação assexuada. Independente dos diferentes sistemas utilizados, vale salientar a quantidade de água no substrato. Uma das maneiras práticas seria pressionar o substrato nas mãos, caso a, água escorrera por entre os dedos, não deverá passar de pequenas gotas, caso contrário o substrato estará com umidade excessiva.

 

2.1 Propagação vegetativa

 

As espécies de Eucalyptus se destacam por sua grande variabilidade intra e interespecífica como: produção de biomassa, taxa de crescimento, resistência a geadas e déficit hídrico, entre outros (Chaperon, 1987). Uma forma de manter as características favoráveis, evitando a variabilidade encontrada em árvores obtidas a partir de sementes, é recorrer a propagação vegetativa.

A propagação vegetativa por estaquia iniciou-se em escala comercial na República Popular do Congo (África), em 1975, onde implantou-se 3000ha de florestas, e tendo como meta alcançar 30000ha (Delwaufle et al., 1983). No Brasil, os primeiros estudos utilizando-se brotações de árvores adultas iniciaram-se com Poggiani & Suiter Filho em 1974. Porém, a produção massal de mudas clonais iniciou-se na região litorânea do Espirito Santo, em 1979, e estendeu-se a outras regiões do Brasil (Campinhos, 1983). Borba & Brune (1983) realizaram, no município de Lassance, MG, vários estudos no qual mostraram a viabilidade por estaquia em condições ambientais controladas, ou seja, em casa de vegetação.

Muitos métodos têm sido usados para a propagação vegetativa de plantas jovens de eucaliptos. Entretanto, com relação a muitas outras espécies de árvores, a propagação vegetativa de eucalipto adulto tem demonstrado muita dificuldade, exceto pelo uso de brotos epicórmicos originários da base das árvores e pela enxertia.

 

2.2 Princípios básicos da propagação vegetativa

 

A propagação vegetativa pela estaquia ou micropropagação facilitará a ligação de um genótipo. O processo da propagação vegetativa não inclui meiose, portanto os rametes (brotações originárias da planta doadora) são geneticamente idênticos aos ortetes (planta doadora). Variações fenotípicas entre os rametes (brotações originárias da planta doadora) dentro de um clone, todavia, existem. As causas das variações são, provavelmente, ambientais e são devidos a fatores relacionados ao propágulo, isto é, tamanho da estaca, período que as estacas são coletadas e as condições em viveiro (Ou seja, vigor do propagação ou a qualidade do sistema radicular). Burton & Shelboume (l974) denominaram este efeito como "Efeito M" (um tipo de efeito material) e Lemer (1958) usou o termo "Efeito C", para os mesmos efeitos. Porém, o "Efeito C" parece ser importante principalmente para características mensuradas relativamente após a propagação. O estado de maturação (ontôgenia) tem um grande efeito na facilidade de propagação e subsequente crescimento dos propágulos originários de estacas ou da cultura de tecidos. Técnicas para manter ou reduzir a juvenilidade são as chaves do sucesso para qualquer programa de propagação vegetativa. Fases diferenciadas de maturação entre os clones podem parecer como "Efeito C", e resultariam em um aumento artificial da variação clonal, portanto, poderiam aumentar as estimativas de ganhos genéticos na seleção clonal.

Entre os problemas associados com a propagação vegetativa estão:

 

a) Os rametes propagados de diferentes partes de uma mesma árvore (Figura 1) podem crescer e se desenvolver diferentemente para cada ortete e/ou formas de ortetes. Geralmente, propágulos de regiões inferiores ou centrais de uma árvore possuem características mais juvenis que aqueles originados das regiões superiores e periféricas (Bonga, 1982).

 

b) Propágulos de árvores mais velhas, geralmente, crescem diferentemente daqueles derivados de árvores jovens e nem sempre duplicam a expressão das características associadas com a forma de crescimento juvenil. Portanto, os ortetes originários de árvores mais jovens tem menor variação no crescimento e desenvolvimento do que aqueles originados de árvores mais velhas (Franclet, 1985).

 

c) As condições ambientais das árvores doadoras podem afetar seu desenvolvimento, principalmente na qualidade dos rametes (Libby & Jund, 1962).

 

Pesquisas envolvendo a propagação vegetativa de espécies arbóreas têm desenvolvido terminologias para descrever as influências desses fatores no desenvolvimento. A ciclófise (Olesen, 1978) é o processo de maturação dos meristemas apicais. A topófise (Dodd & Power, 1988) é o estado resultante da diferenciação no potencial de desenvolvimento e fisiológico dos meristemas apicais entre as posições hierárquicas dos ramos, independente dos processos de maturação dos rneristemas terminais. Perífise (Hallé et al., 1978) é o efeito do ambiente no pré-condicionamento do material vegetal (tecido).

Devido as influências da clófise, topófise e perífise, propágulos derivados de um mesmo genótipo têm desempenhos diferenciados quando estabelecidos em condições de campo. Esses fatores não somente contribuem para variação entre os clones e diferenças entre os tipos de propágulos mas, se for comum aos membros de um clone, podem induzir estimativas de produtividade do desempenho clonal. Tais fatores não genéticos comuns aos membros de um grupo, tais como clones ou famílias são referidos como "Efeito C". Em geral, as diferenças entre os tipos de propágulos vegetativos ou entre propágulos originários de diferentes idades são os resultados do "Efeito C" (casos em que grupos geneticamente similares são comparados). Geneticistas quantitativos são particularmente preocupados em relação ao efeito "Efeito C", uma vez que este poderia influenciar nas estimativas da variância genética total e de outros parâmetros, tais como, herdabilidade, correlações entre características e ganhos genéticos.

 


 


Figura 1. Gradientes de juvenilidade-maturidade que se inicia quase na base da árvore.

Esquerda: o gradiente do estado juvenil em A > F > E > D > C > B.

Direita: o gradiente do estado juvenil em A > G; B: broto originário de raízes adventícias; C: brotos epicórmicos; D: esferoblástos (adventícias); E - F: brotação de touças, onde B - F: representam brotações juvenis.

 

2.3 Métodos de propagação clonal

 

A propagação clonal pode ser alcançado pela macropropagação ou pela micropropagação. A propagação vegetativa pela macropropagação envolve métodos convencionais, como a estaca e a enxertia enquanto que na micropropagação se desenvolve a técnica da cultura de tecidos.

Muito tem sido feito para o melhoramento genético das espécies arbóreas nestas últimas décadas, principalmente no que se refere a hibridação entre árvores superiores e estabelecimento de pomares de sementes. No entanto, para alcançar os ganhos genéticos, em espécies florestais, é necessário um programa de melhoramento para selecionar árvores em poucas gerações, no qual são necessários não menos de 15 a 50 anos. Um dos caminhos para alcançar rapidamente os ganhos de produtividade desejados seria pelo método vegetativo através de material propagado clonalmente.

A propagação de plantas através da cultura de tecidos tem sido realizada pelo emprego das culturas de calos, órgãos, células e protoplastos. Embora explantes vegetativos de espécies arbóreas, geralmente, sejam de difícil crescimento e diferenciação intro, a cultura de órgãos tem sido promissora para algumas espécies arbóreas, e empregada intensamente na propagação clonal. O emprego da cultura de calos, suspensão e protoplastos não tem tido sucesso em grande escala para regeneração em florestas clonais. A cultura de calos exibe alto grau de variação genética em relação a cultura de órgãos.A micropropagação, pela embriogênese somática, é outro caminho para a propagação clonal em plantas. Tão como embriões zigóticos, os embriões somáticos também desenvolvem uma forma bipolar, tendo dois pólos, um para formação da parte aérea e outro radicular. Embriões somáticos se desenvolvem a partir de células somáticas embriogenicamente competentes in vitro. A dificuldade na indução de embriões somáticos em algumas espécies e/ou genótipos estão relacionados com a maturação e germinação dos embriões somáticos e desenvolvimento de plântulas somáticas viáveis. Estudos quanto a estabilidade morfológica e genética dos embriões somáticos estão sendo intensamente pesquisados.

 

 

2.4 Rejuvenescimento

 

A propagação vegetativa de árvores adultas requer material fisiologicamente juvenil (gemas epicórmicas basais) ou com rejuvenescimento da habilidade de formar raízes em material adulto (Hartney, 1980). As árvores adultas necessitam de técnicas especiais de reverter a juvenilidade para resgatar condições favoráveis para enraizamento e crescimento.

A reversão da fase adulta à fase juvenil é denominada rejuvenescimento. O rejuvenescimento para o estágio juvenil, naturalmente, ocorre durante a reprodução sexuada e na apomixia. Durante a propagação vegetativa o rejuvenescimento também pode ocorrer e tem sido alcançado de varias maneiras: (l) poda drástica ("severe hedging"), (2) aplicações de citocininas, (3) propagação seriada via enxertia, (4) propagação seriada via estaquia e (5) micropropagação.

 

2.5 Enraizamento

 

Para obter uma alta taxa de enraizamento das estacas de eucaliptos alguns fatores são importantes, tais como um ambiente limpo, nebulização para prevenir o estresse hídrico (Poggiani & Suiter Filho, 1974), um substrato que proporcione uma boa drenagem e aeração; temperatura elevadas (25 - 30ºC); e uma auxina (ácido indol butírico), usualmente utilizado na base da estaca (Hartney, 1980).

Muitos fatores afetam o enraizamento de estacas. Práticas baseadas nestes fatores têm sido desenvolvidas para promover o enraizamento em espécies com dificuldade para o enraizamento.

 

Estes fatores podem ser divididos em:

 

a) Fatores químicos (endógeno ou exógeno) que promovam o enraizamento. Os hormônios mais utilizados para o enraizamento de eucaliptos são o AIB e o ANA (Couvillon, 1988). Os experimentos com estes hormônios envolvem a dosagem ótima para a estaquia. o melhor método para a sua aplicação, e a eficácia dos diferentes hormônios auxínicos (Loach, 1988). Além dos estudos com hormônios, vários estudos estão sendo desenvolvidos com a utilização de açúcares (carboidratos), herbicidas e nebulização de nutrientes minerais para promover o enraizamento das estacas.

 

b) Fatores da planta que afetam o enraizamento: a juvenilidade dos brotos, a posição do broto do qual as estacas são retiradas, diâmetro das estacas, a presença de gemas e/ou folhas, efeito do período de coleta das estacas, influência das espécies, efeito do período de dormência e influência do estado nutricional;

 

c) Efeitos ambientais no enraizamento: controle da umidade; luminosidade; aquecimento do substrato; fotoperíodo e tratamento e/ou acondicionamento dos brotos e estacas antes da estaquia.

 

d) Outros fatores que afetam a resposta ao enraizamento: composição do substrato e efeito do ferimento.

 

2.6 Desenvolvimento da planta

 

Durante o ciclo de desenvolvimento (Figura 2), as árvores sofrem sucessivas mudanças morfológicas e fisiológicas. O desenvolvimento geralmente aparece como um acumulo gradual e contínuo de pequenas alterações, ainda que algumas características pareçam passar por mudanças bruscas e/ou repentinas em um período particular no estágio de desenvolvimento (Sussex, 1976). Visto que, os meristemas são os centros ou pontos de crescimento e organização nas arvores, eles estão intimamente envolvidos nestas alterações.

Os processos que controlam o desenvolvimento são complexos e não são inteiramente conhecidos, mas parecem estar envolvidos com: (l) reações dos meristemas a competição ou estímulo das diferentes partes da árvore; (2) idade ontogenética dos meristemas (número de divisões celulares que estão sofrendo) e; (3) reações dos meristemas aos fatores externos da árvore (Hackett, 1976).

Durante o processo de maturação, ocorre a ativação e inativação dos genes nos diferentes estágios de desenvolvimento e diferenciação resultando na síntese ou bloqueio de proteínas específicas. A maturação pode envolver inativação seletiva e progressiva dos genes durante o desenvolvimento. Alguns desses genes podem ser essenciais para reposição das proteínas específicas e na divisão celular. Mecanismos de inativação dos genes podem envolver a metilação do DNA cromossômico, eucromatização, heterocromatizacão, ou mudanças ao nível de clorofila ab (Cab) junto com as proteínas. Uma hipótese alternativa seria que estariam envolvidas com a ativação de genes específicos da maturação levando ao acúmulo gradativo de proteínas

específicas da maturação. Impariamento da função do gene pelas alterações genéticas no genoma (eventuais mutações ou elementos transponíveis) poderiam ser ainda possíveis no processo de maturação. O papel do DNA mitocondrial e do DNA dos cloroplastos no processo de maturação não são ainda bem conhecidos. Inativacão ou impariamento dos genes mitocondriais poderiam levar a uma perda do potencial energético e respiratório das células. A maturação genética e fisiológica nas plantas poderiam, em parte, ser reguladas pelo DNA do cloroplasto, até mesmo nas árvores adultas. Técnicas de cultura de tecidos podem permitir a expressão seletiva destas células totipotentes nas árvores adultas, para propagação clonal (Ahuja, 1993).


 


Figura 2. Ciclo de vida da árvore.

 

Portanto, a maturação não ocorre na mesma velocidade em todas as partes da planta ou seja em muitas espécies arbóreas existem meristemas que são dormentes, e que são ativados durante o ciclo de desenvolvimento da planta.

No ciclo de desenvolvimento da planta, Fortanier & Jonkers (1976) tem dividido a idade em: idade cronológica, idade ontogenética e idade fisiológica. Estes autores descrevem que a idade cronológica inicia-se na germinação. A idade ontogenética se refere a passagem da planta durante as sucessivas fases do desenvolvimento, isto é, embriogênese, germinação e as fases de crescimento vegetativo e sexual. Idade fisiológica, de acordo com a definição destes autores, refere-se primariamente aos "aspectos negativos da idade, tais como perda do vigor, o aumento da suscetibilidade as condições adversas, ou a deterioração em geral". O uso do termo "maturação", portanto, seria bem definido no caso da idade ontogenética. Os fatores que poderiam estar ligados aos mecanismos de maturação seriam detectados pelo ambiental-nutricional ou fatores intrínsecos da célula. O controle fisiológico relacionado a maturação seria induzido por qualquer tipo de estresse, principalmente nutricional e hídrico. Estas agressões que as plantas sofrem durante o seu desenvolvimento poderiam promover a maturação acarretando não somente a indução do florescimento, mas também a redução da taxa de enraizamento das estacas ou controlar a taxa de flores masculinas ou femininas em algumas árvores. Portanto, a redução do período de enraizamento das estacas seria um indício de rejuvenescimento do material vegetal ou a diferença de enraizamento entre as estacas do mesmo material genético indicariam as diferenças no grau de maturação do material vegetal.

Edson N. Higashi

Ronaldo Luiz V. A. Silveira

 

Reportagens

 

Em busca do Eucalipto de proveta

Indústria do papel terá como matéria-prima árvores com baixo teor de lignina

Elza Pires ;Ciência Hoje/ Brasília

 

Eucaliptos desenvolvidos em laboratório serão no futuro a alternativa para a indústria brasileira de celulose e papel. Árvores modificadas geneticamente, com baixo teor de lignina -- carboidrato responsável pela dureza dos tecidos vegetais, principalmente troncos -- substituirão as extensas plantações atuais da espécie, uma das principais matérias-primas para a produção de celulose. As novas plantas beneficiarão a indústria de duas maneiras: baixando o custo de produção da pasta de celulose e reduzindo a poluição ambiental.

O Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genérticos e Biotecnologia (Cenargen), em Brasília, trabalha há mais de um ano na regeneração (clonagem) e transformação das plantas. Os técnicos da área de tecidos, coordenados por Pedro Barrueto, já conseguiram sucesso na primeira fase, produzindo novas plantas -- clones -- a partir de pequenos pedaços de tecido, embora a regeneração de plantas lenhosas seja um processo extremamente complexo. Os resultados da área de transformação genética, sob a responsabilidade de Ana Cristina Brasileiro, também são animadores.

Duas técnicas estão sendo utilizadas para a introdução na planta do gene responsável pela redução do teor de lignina: o vetor pode ser uma bactéria ou um acelerador de partículas. Depois de introduzido o gene, será preciso induzir no tecido transformado a formação de um calo -- uma massa de células que cresce como um tumor --, a partir do qual serão obtidas, por clonagem, as plantas transgênicas. As variedades geneticamente modificadas ainda terão que passar por testes de campo, previstos para 1998, antes que possam substituir as árvores convencionais nas plantações.

A pesquisa é fruto de um acordo entre a empresa Aracruz Celulose, que fornece o material biológico e financia o projeto, e a equipe do Cenargen, que cuida da parte laboratorial. O uso dos resultados alcançados -- produtos e processos -- será decidido em conjunto pelas duas instituições. Sediada no Espírito Santo, a Aracruz Celulose produz anualmente cerca de um milhão de toneladas de polpa de celulose, exportando 80% desse volume para os Estados Unidos e países da Europa e Ásia. A empresa possui, no Espírito Santo e na Bahia, cerca de 200 mil hectares de terra: 140 mil estão cobertos com plantações de eucalipto de alta produtividade e 60 mil são mantidos como reservas naturais.

O projeto Cenargen/Aracruz pretende obter, a partir do cruzamento das espécies Eucalyptus grandis e Eucalyptus urophylla, uma variedade cujo teor de lignina seja 30% menor que o das plantas hoje usadas na indústria. Além disso, essa variedade terá que apresentar boa performance, quanto à rapidez de crescimento, e resistência ao cancro, doença que ataca o tronco. Como o atual processo industrial exige grande quantidade de insumos químicos (como hidróxido de sódio e sulfeto de sódio) e altas temperaturas para a remoção da lignina, além do reprocessamento do rejeito antes de sua liberação, as plantas transgênicas poderão baratear e tornar menos poluente a produção da celulose.

Este texto foi publicado na Ciência Hoje número 119 (volume 20).

 

 

 

Microestaquia: uma maximização da micropropagação de eucalyptus1

 

Aloísio Xavier2 e João Comério2

RESUMO - Os objetivos do presente trabalho foram apresentar e discutir o princípio básico da técnica de microestaquia, bem como sua potencialidade e suas limitações na silvicultura clonal, com base em experimentação desenvolvida pela Champion Papel e Celulose Ltda. Este método alternativo de clonagem de Eucalyptus baseia-se no rejuvenescimento "in vitro" de clones selecionados e na multiplicação destes por meio de propágulos vegetativos provenientes de mudas micro-propagadas. Esta técnica, denominada microestaquia, busca a minimização do efeito "C" (efeito da clonagem), mediante a associação com a técnica de micropropagação. Resultados obtidos mostram que o processo de microestaquia é técnica e economicamente viável na clonagem de Eucalyptus.

Palavras-chave: Silvicultura clonal, propagação vegetativa de Eucalyptus e micropropagação.

1 Recebido para publicação em 29.12.1995.

Aceito para publicação em 12.06.1996.

2 Champion Papel e Celulose Ltda. Caixa Postal 176, 13840-000 Mogi-Guaçu-SP.

 

 

Propagação clonal de híbridos de eucalyptus spp. por miniestaquia1

 

Ivar Wendling2, Aloisio Xavier3, José Mauro Gomes3, Ismael Eleotério Pires3 e Hélder Bolognani Andrade4

RESUMO - Este estudo teve por objetivo avaliar a técnica de miniestaquia como método de propagação vegetativa para cinco clones híbridos de Eucalyptus spp. (clone 1 = E. urophylla x E. grandis; clones 2, 3 e 5 = E. grandis x Eucalyptus spp.; e clone 4 = E. tereticornis x E. pellita), quanto à produção e sobrevivência das minicepas em sucessivas coletas e à sobrevivência, ao enraizamento e ao vigor vegetativo (altura e diâmetro do coleto) das miniestacas provenientes das coletas sucessivas no jardim miniclonal. As minicepas no jardim miniclonal, após as cinco coletas, apresentaram sobrevivência média entre 99,2 e 100% e produção média entre 1,5 e 2,3 miniestacas por minicepa, para os clones avaliados. Variações expressivas entre os clones foram observadas quanto às características estudadas. A sobrevivência média das miniestacas obtida na saída da casa de vegetação, para as cinco coletas, variou de 17,4 a 77,6% e o enraizamento médio na saída da casa de sombra, de 17,2 a 67,2%. Os resultados deste trabalho indicaram a ocorrência de grandes variações entre os clones e as coletas estudadas, quanto às características avaliadas, bem como a sustentabilidade de produção de miniestacas no jardim miniclonal. Em termos gerais, o clone 3 apresentou o melhor desempenho e o clone 5, o pior, para as características avaliadas, sendo ambos híbridos naturais de Eucalyptus grandis.

Palavras-chave: Miniestaquia, propagação vegetativa de Eucalyptus e silvicultura clonal.

1 Recebido para publicação em 28.9.1998.Aceito para publicação em 5.5.1999.

2 Estudante de Pós-Graduação em Ciência Florestal da UFV;
3 Prof. do Dep. de Engenharia Florestal da UFV, 36571-000 Viçosa-MG.

4 Engenheiro Florestal – Mannesmann Florestal S.A., 39391-000 Bocaiúva-MG.

 

Efeito do regulador de crescimento aib na propagação de clones de eucalyptus spp. por miniestaquia1

 

Ivar Wendling2, Aloisio Xavier3, José Mauro Gomes3, Ismael Eleotério Pires3 e Hélder Bolognani Andrade4

RESUMO - Este estudo teve por objetivo avaliar os efeitos da aplicação de diferentes dosagens do regulador de crescimento AIB (0, 1.000, 3.000 e 6.000 ppm) na sobrevivência, no enraizamento e no vigor vegetativo das miniestacas de cinco clones híbridos de Eucalyptus spp. (clone 1 = E. grandis x E. urophylla; clone 2, 3 e 5 = E. grandis x Eucalyptus spp. e clone 4 = E. pellita x E. tereticornis), oriundas das brotações de mudas produzidas segundo os procedimentos da técnica de miniestaquia. O efeito da aplicação de AIB sobre as características avaliadas foi positivo e, de modo geral, as dosagens de 1.000 e 3.000 ppm apresentaram os melhores resultados. Os resultados deste trabalho mostraram a ocorrência de grandes variações entre os clones estudados, quanto às características avaliadas e ao efeito positivo do uso do regulador de crescimento AIB no processo de miniestaquia, principalmente para os clones que apresentaram menores índices de enraizamento e sobrevivência quando da sua não-aplicação.

Palavras-chave: Miniestaquia de Eucalyptus spp., silvicultura clonal e propagação vegetativa.

1 Recebido para publicação em 7.5.1998.

Aceito para publicação em 5.5.1999.

Trabalho financiado em parte pela CAPES (bolsa de Pós-Graduação M.S. do primeiro autor).

2 Estudante de Pós-Graduação em Ciência Florestal, DEF/UFV;

3 Prof. do Dep. de Engenharia Florestal da UFV, 36571-000 Viçosa-MG.

4 Engenheiro Florestal – Mannesmann Florestal S.A., 39391-000 Bocaiúva-MG.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ASSIS, F.T., ROSA, O .P., GONÇALVES, S. I . Propagação clonal de Eucalyptus por microestaquia. In: CONGRESSO FLORESTAL ESTADUAL, 7, 1992, Nova Prata. Anais... Santa Maria: UFSM, 1992. P.824.

 

ASSIS, F.T. Propagação vegetativa de Eucalyptus por microestaquia. In: CONFERÊNCIA IUFRO SOBRE SILVICULTURA E MELHORAMENTO DE EUCALIPTOS, 1997, Salvador. Proceedings... Colombo: EMBRAPA/CNPF, 1997. v.1 p. 300-304.

 

CHAMPERON, H. Vegetative propagation of Eucalyptus. In: SIMPÓSIO SOBRE SILVICULTURA Y MEJORAMIENTO GENÉTICO DE ESPÉCIES FORESTALES, 1987, Buenos Aires. Annales... Buenos Aires: 1987. V.1,p.215-232.

 

GOMES, A .L . Propagação clonal: princípios e particularidades. Vila Real: Universidade de Trás–os Montes e Alto Douro, 1987. 67p. (Série Didática, Ciências Aplicadas,1)

 

GREENWOOD, M.S., HUTCHISON, K. W. Maturation as a development process. In: AHUJA, M. R., LIBBY, W. J. (Eds.) Clonal florestry I: genetics and biotechnology. Berlin: Springer- Verlag, 1993. p.13-14.

 

XAVIER, A ., COMÉRIO, J. Microestaquia: uma maximização da micropropagação de Eucalyptus. Viçosa, Revista Árvore, Viçosa, v.20, n.1, p.9-16, 1996.

 

XAVIER, A ., COMÉRIO, J., IANNELLI, C. M. Eficiência da estaquia, da microestaquia e da micropropagação na clonagem de Eucalyptus spp. In: CONFERÊNCIA IUFRO SOBRE SILVICULTURA E MELHORAMENTO DE EUCALIPTOS, 1997, Salvador. Proceedings... Colombo: EMBRAPA/CNP, 1997. v.2. p.40-52.

 

XAVIER, A ., WENDLING, I. Miniestaquia na clonagem de Eucalyptus. Viçosa: SIF,1998. 8p. (Informativo Técnico, 11)

 

ASSIS, T. F. Melhoramento genético do eucalipto. Informe agropecuário, Belo Horizonte, v. 12, n. 141, p. 36-46, 1986

 

OTTONI, N.C. Aspectos gerais da cultura de tecidos. Viçosa, MG: UFV , 1984. 22p.(seminário)

 

XAVIER, A ; WENDLING, I. Miniestaquia na clonagem de Eucalyptus. Informe técnico SIF, n° 11/ 198.

 

GOMES, J. M.; PAIVA, N. H. Propagação de espécies florestais. Apostila , n° 322, UFV.

 

SITES: www.ipef.br

             www.preservar.com.br

             www.riocell.com.br

             www.globoruralon.com.br

Material conseguido na Net (contém alterações)

 

Adriana Araujo

Graduanda de Engenharia Florestal

Contatos:

E-mail: e31938@alunos.ufv.br

             driaraujo@ieg.com.br