CLONAGEM DE EUCALIPTUS
SP
Autora:Adriana Araújo Graduanda de Engenharia Florestal
Contatos:
E-mail: e31938@alunos.ufv.br

1. Introdução
1.1 O Eucalipto
O eucalipto
é uma árvore exótica, ou seja, não pertence à flora natural do Brasil. Foi
trazido no início deste século, proveniente da Austrália, onde existem mais de
600 espécies. Cada espécie apresenta características diferentes e é adequada
para aplicações também diferentes. Na década de setenta, foram plantados mais
de dois milhões de hectares de eucalipto no estado de Minas Gerais. Aqui estão
os maiores maciços florestais plantados de todo o planeta. Estes plantios foram
feitos para atender principalmente a necessidade de madeira para a produção de
carvão para a siderurgia e de celulose para as indústrias de papel. Algumas
espécies foram selecionadas e desenvolvidas geneticamente para as condições de
clima e de solo das diversas regiões do país. Híbridos de alta produtividade
foram obtidos após anos de pesquisa e hoje os plantios são feitos normalmente
pelo processo de clonagem. No caso da aplicação do eucalipto na construção
rural, algumas espécies se destacam pela densidade alta, o que permite obter
peças uniformes, de alta resistência mecânica e características anatômicas de
reconhecida aptidão para imunização.
As
características apresentadas por estas espécies de eucalipto nada ficam devendo
às madeiras nativas de qualidade. Só para se ter uma idéia, estas espécies são
utilizadas para a obtenção de postes para transmissão de energia e telefonia e
mesmo para a produção de dormentes para ferrovias, cujas exigências de
qualidade são muito grandes.
Existem
postes de eucalipto com mais de 30 anos em operação e que ainda estão em boas
condições de utilização. Estas espécies são utilizadas também para produtos
serrados, onde a resistência mecânica é importante. Outras espécies de menor
densidade, a exemplo do E. grandis,
têm sido largamente utilizadas para outras aplicações, entre elas a indústria
moveleira. No início de sua cultura no Brasil, o eucalipto era visto como uma
espécie que causava uma série de problemas ao meio ambiente. Depois de todos
estes anos de pesquisa, os estudos comprovaram que o eucalipto é uma
monocultura como outra qualquer. Tem vantagens e desvantagens, mas o seu saldo
é positivo. O eucalipto, plantado de forma adequada e sendo bem manejado, pode
se transformar em um grande aliado da natureza. Algumas áreas degradadas têm
sido recuperadas com o plantio de eucalipto, com bons resultados. As florestas
plantadas de eucalipto são florestas renováveis, o que dá a esta espécie uma
grande importância quando se fala da utilização da madeira, aliada à
preservação do meio ambiente.
Eucalyptus camaldulensis Dehn
Esta
espécie ocorre praticamente em todos os Estados Australianos, Exceto na
Tasmânia. As áreas principais de ocorrência estão situadas entre as latitudes
de 15,5o à 38 os, nas altitudes variando
desde 30 a 600 m. Caracteriza-se por ser uma espécie que predominantemente
ocorre margeando rios. A precipitação pluviométrica média anual varia de 250 a
625 mm, as chuvas concentrando-se no inverno ou no verão.
A temperatura média das
máximas do mês mais quente situa-se entre 29 a 35oC, enquanto
que média das mínimas do mês mais frio situa-se de 11 a 200C.
O período seco varia de 4
a 8 meses ou mais. Nas regiões tropicais não ocorrem geadas, enquanto que ao
sul da zona de ocorrência podem ocorrer 50 dias/ano. Na Austrália a madeira é
muito utilizada para serraria, dormentes e carvão.
Considera-se o E. camaldulensis uma das espécies mais
adequadas para zonas críticas de reflorestamento, onde as deficiências hídricas
e problemas ligados ao solo, sejam fatores limitantes para outras espécies. Nos
países em que a espécie foi introduzida com sucesso, as conclusões básica
foram:
· Boa
adaptação em regiões caracterizadas por solos pobres e prolongada estação seca.
· Tolerância
a inundações periódicas.
· Moderada
resistência a geadas.
· As
árvores no geral são mais tortuosas do que E.
grandis, E. saligna e E. propinqua.
· Produz
madeira mais densa com cerne bem diferenciado e mais colorido do que E. grandis e E. saligna.
· Regenera
muito bem através das brotações de cepas.
Nos estudos efetuados em
São Paulo a espécie demonstrou ser útil para serraria, postes, dormentes ,
mourões, lenha e carvão. Para celulose e papel não é muito aceita.
Eucalyptus citriodora Hook
Ocorre
nas regiões norte e centro de Queensland. As áreas de maior concentração estão
situadas entre as latitudes de 15,5 e 25 o S em altitudes
compreendidas entre 80 a 800 m . A precipitação pluviométrica média anual varia
de 625 a 1.000 mm . Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 29 a
35oC, temperatura média das mínimas do mês mais frio entre 5
a 10oC. Período de seca variando de 5 a 7 meses, envolvendo a
época mais quente do ano. Praticamente não ocorrem geadas na zona de ocorrência
natural. A madeira é muito utilizada para: construções , estruturas ,
caixotaria , postes , dormentes , mourões , lenha e carvão.
No
Estado de São Paulo a espécie apresenta susceptibilidade à geadas, boa
resistência à deficiências hídrica. Em solos pobres pode haver alta incidência
de bifurcações ligadas a deficiências nutricionais (principalmente boro) ;
regenera-se muito bem por brotações das cepas.
Em função das
característica básicas da espécie e dos resultados obtidos em São Paulo ,
deve-se sempre considerar as geadas severas como fator limitante.
Eucalyptus
grandis Hill ex
Maiden
Ocorre
naturalmente na Austrália, ao norte do estado de New South Wales, ao sul de
Queensland ( próximo a região costeira e na parte central) , e ao norte de
Queensland em áreas de altitude (300 a 900 m) . A precipitação pluviométrica
varia de 1.000 a 1.700 mm, predominantemente no verão. Estação seca não
ultrapassando 3 meses. Geadas ocasionais nas regiões mais interiores da área de
ocorrência natural. Temperatura média das máximas do mês mais quente
compreendida entre 29 a 32oC, e a média das mínimas do mês
mais frio entre 5 a 6oC.
A madeira de E. grandis é leve e fácil de ser
trabalhada. Utilizada intensivamente, na Austrália e na república Sul Africana,
como madeira de construção , quando oriunda de plantações de ciclo longo. A
madeira produzida em ciclos curtos é utilizada para caixotaria. Normalmente a
madeira oriunda de árvores com rápido crescimento, apresenta problemas de
empenamento, contrações e rachaduras quando do desdôbro. Plantações,
convenientemente manejadas, podem produzir madeira excelente para serraria e
laminação. É a principal fonte de matéria prima para celulose e papel do Estado
de São Paulo.
Em algumas áreas poderá
haver incidência do cancro do eucalpto (fungo Dia porthe cubensis Bruner) .
Atribui-se, essa incidência, á intensidade da deficiência hídrica nas áreas em
questão.
Eucalyptus
pellita F.
Muell
Na Austrália ocorre em
duas regiões distintas:
· Região
A - entre as latitudes de 12 a 18o S.
· Região
B - entre 27 a 36oS.
Em relação as altitudes
podem variar desde o nível do mar até 800 m. A precipitação pluviométrica média
anual varia de 900 a 2.400 mm. As chuvas distribuem-se uniformemente durante o
ano ou são concentradas no verão, não havendo um período seco severo.
Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 24 a 33oC,
e das mínimas do mês mais frio 12 a 16oC. As geadas são raras
na Região B e inexistentes na Região A.
A madeira é muito
utilizada para construções e estruturas. Em nossas condições há necessidade de
estudos mais detalhados para se determinar a viabilidade de outras utilizações.
Acredita-se que a espécie
foi introduzida em São Paulo, com sementes oriundas da região B, por essa razão
os resultados obtidos na experimentação e nas plantações piloto, não foram tão
animadores. Em testes avaliados até o momento permitem considerar a espécie
como altamente potencial para as regiões onde não ocorram geadas severas.
Eucalyptus pilularis Sm
Ocorre
naturalmente em New South Wales nas planícies litorâneas, e nas zonas
montanhosas próximas ao litoral , estendendo-se sua ocorrência até ao sul de
Queensland. Essa área situa-se entre as latitudes de 25oS a
37,5oS. As altitudes variam desde o nível do mar até 700m. A
precipitação pluviométrica média anual varia de 1.000 a 1.500 mm. A
distribuição das chuvas é do tipo uniforme durante o ano ou concentradas no
verão. Nas áreas onde as chuvas concentram-se no verão, o período de seca pode
ter a duração de 3 a 4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente
entre 29 a 32oC, e das mínimas do mês mais frio entre 5 a 6oC.
As geadas ocorrem numa intensidade de 5 a 15 dias/ano.
A
espécie, em sua zona de ocorrência , apresenta crescimento rápido e madeira com
qualidade adequadas para : laminação, móveis, construções, dormentes, postes,
moirões, escoras e caixotaria. Poderá ser potencial para produção de celulose e
papel. Em nossas condições a espécie apresenta suceptibilidade à geadas e às
deficiências hídricas severas. É tolerante ao fogo mais apresenta baixa
capacidade de regeneração por brotação.
Eucalyptus robusta Sm
Ocorre
naturalmente no litoral de New South Wales e no sul de Queensland . Essa área
situa-se entre as latitudes de 23 a 36oS. Em relação a
altitude a espécie ocorre, predominantemente, ao nível do mar. A precipitação
pluviométrica média anual varia de 1.000 a 1.500mm, concentrando-se no verão. O
período de seca não ultrapassa 4 meses. Temperatura média das máximas do mês
mais quente entre 30 a 32oC e das mínimas do mês mais frio 3
a 5oC . Durante o inverno podem ocorrer geadas na intensidade
de 5 a 10 dias / ano.
A
madeira pode ser utilizada para: serraria, laminação, postes, dormentes e
mourões. Embora tenha na Austrália ocorrência restrita ao litoral, nas
introduções realizadas fora da sua zona natural, vem apresentando alta
plasticidade, podendo ser recomendada para ocupação de solos hidromórficos, ou
francamente arenosos em diferentes altitudes. A espécie possue alta capacidade
de regeneração por brotação das cepas, como demonstram os estudos, em que um
plantio piloto de 10.458 árvores, apresentou aos 29 anos de idade, após 3
cortes rasos sucessivos, 94,64% de brotação das cepas.
Eucalyptus saligna Sm
Ocorre
geralmente na região litorânea e nos vales das cadeias montanhosas próximas ao
litoral de New South Wales, e ao sul de Queensland. A distribuição natural da
espécie situa-se entre as latitudes de 28 a 35oS, em
altitudes desde o nível do mar até 1.000 m . A precipitação pluviométrica anual
situa-se entre 800 a 1.200mm, chuvas uniformemente distribuídas durante o ano,
ou concentradas no verão. A estação seca não ultrapassa 4 meses. Temperatura
média das máximas do mês mais quente entre 28 a 30oC e das
mínimas do mês mais frio entre 3 a 4oC. As geadas ocorrem
numa intensidade de 5 a 10 dias/ano.
A
madeira é indicada para uso generalizados. Freqüentemente a espécie é
confundida com E. grandis em função
das afinidades existentes entre elas. Em nosso Estado o E.saligna oriundo da Austrália, Mairinque ou Itatinga, produz
madeira de maior densidade quando comparada ao E .grandis , e apresenta menor suceptibilidade à deficiência de
Boro. Identicamente ao E.grandis, em
áreas onde a deficiência hídrica seja severa, poderá ser atacada pelo cancro do
eucalypto.
As
características da madeira a tornam indicada para: laminação, móveis,
estruturas, caixotaria, postes, escoras, mourões, celulose e carvão. Apresenta
suceptibilidade às geadas severas, tolera fogo baixo, e tem alta capacidade de
regeneração por brotação das cepas.
Em
função do sucesso alcançado com a espécie no Estado de São Paulo, ela é
recomendada para todas as regiões, com restrições a locais onde ocorram geadas
ou deficiências hídricas severas.
Eucalyptus tereticornis Sm
Espécie
amplamente distribuída na Austrália. A zona de ocorrência natural compreende os
Estados de Queensland, New South Wales, Victoria atingindo até Papua - Nova
Guiné. Tão vasta área esta situada entre as latitudes de 6 a 38oS,
as altitudes que podem variar desde o nível do mar até 1.000m no continente
australiano. Em Papua - Nova Guiné pode ocorrer a 2.000 m de altitude.
Precipitação pluviométrica média anual compreendida entre 500 a 1.500 mm. As
chuvas poderão ser predominantes no verão ou no inverno. O período seco pôde
atingir até 7 meses. A temperatura média das máximas do mês mais quente em
torno de 22 a 32oC, e das mínimas do mês mais frio entre 2 a
12oC. Em relação às geadas podem não ocorrer ou ocorrer numa
intensidade de 1 a 15 dias/ano.
A
madeira é intensamente utilizada para serraria, estruturas, construções,
postes, mourões e carvão. O E.
teriticornis e o E. camaldulensis são as espécies mais importantes para o
reflorestamento em zonas tipicamente tropicais da África, e começam a despontar
como potenciais para o Brasil.
Em todos os estudos
efetuados a espécie vem revelando boa resistência à pragas, doenças e à
deficiências hídricas , boa capacidade de regeneração por brotação das cepas e
tolerância ao fogo rasteiro . O E. tereticornis
poderá ser recomendado para plantio em todas as regiões, executando as áreas
onde ocorram geadas intensas.
Eucalyptus
urophylla S.T.
Blake
Sua
área de ocorrência natural situa-se em Timor e outras ilhas a leste do
arquipélago Indonesiano, entre as latitudes de 8 a 10o e
altitudes de 400 a 3.000 m. Precipitação pluviométrica média anual compreendida
entre 1.000 a 1.500 mm concentrada no verão. Período seco não ultrapassa 4
meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente em torno de 29oC,
e das mínimas do mês mais frio entre 8 a 12oC. As geadas
podem ocorrer nas zonas de maior altitude.
Na
área de ocorrência natural a madeira é utilizada para construções e estruturas
que demandem alta resistência. Em nosso meio a madeira é para utilização geral.
Eucalyptus viminalis Labill
Ocorre
naturalmente nos Estados de New South Wales, Victoria e Tasmânia, entre as
latitudes de 28 a 43,5oS. As altitudes podem variar desde o
nível do mar até 1.500 m. Aprecipitação pluviométrica média anual varia de 625
a 1.400 mm, predominantemente no inverno ou no verão. A média das temperaturas
máximas do mês mais quente não ultrapassa 21oC, enquanto que
a média das mínimas do mês mais frio varia de 1 a 4oC. Podem
ocorrer geadas na intensidade de 5 a 60 dias/ano.
A
madeira pode ser utilizada para caixotaria, escoras de construção, mourões e
lenha. Para celulose e papel há necessidade de estudos mais detalhados. A
espécie é altamente resistente à geadas, susceptível à deficiências hídricas e
apresenta boa capacidade de regeneração por brotações das cepas. Pelas
características acima relatadas o é altamente potencial para a região onde
ocorrem geadas severas.
Eucalyptus
torelliana F.
Muell
Ocorre
geralmente em Queensland, na região de Atherton, entre as latitudes de 16 a 19oS
e altitudes de 100 a 800 m. A precipitação pluviométrica média anual situa-se
em torno de 1.000 a 1.500 mm, Concentrando-se predominantemente no verão . O
período seco não ultrapassa 3 meses. Temperatura média das máximas do mês mais
quente em torno de 29o e das mínimas do mês mais frio entre
10 a 16o. Praticamente não ocorrem geadas.
É uma das poucas espécies
do gênero, que ocorre associada a floresta tropical. Aparentemente necessita de
solos férteis e com boa drenagem. A madeira é muito semelhante a do E. citridora e do E. grandis.
Eucalyptus resinifera Sm
Tem
sua área de ocorrência natural localizada no litoral e cadeias montanhosas
litorâneas do norte de New South Wales, e ao sul de Queensland. Essa área
situa-se entre as latitudes 17 a 34oS, em altitudes variando
desde o nível do mar até 600 m. Precipitação pluviométrica média anual entre
1.350 a 1.500mm, chuvas predominantes no verão. Estação seca não ultrapassando
4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 27 a 32oC,
e das mínimas do mês mais frio entre 4 a 5oC.
É uma das mais importantes
espécies da Austrália podendo ser a sua madeira utilizada para serraria,
construções, móveis, caixotaria, dormentes, postes e mourões. É susceptível à
geadas e à deficiência hídrica severa, tolerante a fogo e regenera-se bem por
brotação das cepas.
Eucalyptus punctata DC
Ocorre
naturalmente na região central, no litoral e serras litorâneas de New South
Wales. Essa área situa-se entre as latitudes de 32 a 35oS. As
latitudes estão compreendidas entre o nível do mar a 1.000 m. A precipitação
pluviométrica média anual varia de 625 a 1.250 mm. O regime de chuvas é
caracterizado por uma uniforme distribuição durante o ano, ou por chuvas
concentradas no verão. A estação seca tem uma duração média de 4 meses.
Temperatura média de 4 meses das máximas do mês mais quente entre 27 a 32oC,
e das mínimas do mês mais frio entre 4 a 5oC. As geadas
ocorrem numa intensidade de 1 a 10 dias/ano.
A madeira é altamente
recomendável para serraria, estruturas, postes e dormentes. Regenera-se bem por
brotação das cepas.
Eucalyptus propinqua Deane & Maiden
Ocorre
geralmente ao norte de New South Wales e ao sul de Queensland, em zonas de
altitudes próximas ao Litoral. Essa área está compreendida entre as latitudes
24 a 33oS. As altitudes variam desde o nível do mar até 350
m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 875 a 1.400 mm,
concentrando-se basicamente no verão. O período seco tem duração máxima de 4
meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 27 a 33oC,
e das mínimas do mês mais frio entre 4 a 10oC. As geadas
podem ocorrer numa intensidade de 1 a 10 dias/ano.
A
madeira é altamente recomendável para serraria, estruturas, postes, dormentes,
e mourões. A espécie apresenta boa capacidade de regeneração por brotação das
cepas. O plantio não é recomendado para regiões onde ocorram geadas.
Ocorre
no litoral de New South Wales, entre as latitudes de 30 a 36,5oS,
altitudes desde o nível do mar até 500m. A precipitação pluviométrica média
anual varia de 825 a 1500mm. Chuvas predominantes no verão, estação seca
variando de 4 a 6 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre
24 a 29oC, e das mínimas do mês mais frio entre 2 a 5oC.
No inverno ocorrem geadas pouco intensas.
A madeira é muito
utilizada para dormentes, pontes, postes, mourões, carvão e escoras.
Caracteriza-se por sua alta densidade e durabilidade.
Nas introduções feitas
fora da Austrália revelou ser susceptível à geadas, moderadamente susceptível a
seca, tolerante ao fogo rasteiro, boa capacidade de regeneração por brotação
das cepas.
Eucalyptus microcorys F. Muell
Ocorre
ao norte de New South Wales e ao sul de Queensland, nas latitudes compreendidas
entre 25 a 32,5oS, e altitudes desde o nível do mar até 800m.
A precipitação média anual varia de 900 a 1.500 mm. As chuvas concentram-se no
verão e a estação seca não ultrapassa 3 meses. Temperatura média das máximas do
mês mais quente em torno de 32oC, e das mínimas do mês mais
frio 5oC. As geadas ocorrem numa intensidade de 10 a 30
dias/ano.
A
madeira apresenta boas características para laminação, móveis, construções,
postes, dormentes, moirões, escoras para construções e caixotaria. A espécie é
moderadamente resistente às geadas, susceptível à deficiência hídricas severas
e tolerantes ao fogo. Apresenta boa capacidade de regeneração através da
brotação das cepas.
É uma das espécies que vem
recebendo atenção especial pelas entidades florestais australianas, em função
do seu aproveitamento para serraria. Restrições onde ocorram geadas severas e
onde ocorram deficiências hídricas severas.
Eucalyptus
maidenii F.
Muell
Ocorre
geralmente nas zonas de altitude no sul de New South Wales e no nordeste de
Victoria, entre as latitudes de 34 a 39oS e altitudes de 230
a 915m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 750 a 1.250 mm. As
chuvas são uniformemente distribuídas durante o ano ou concentradas no inverno.
Temperatura média das máximas do mês mais frio em torno de 5oC.
As geadas ocorrem numa intensidade de 20 a 120 dias/ano.
A
madeira pode ser utilizada para serraria, escoras, postes e mourões. Para
celulose e papel há necessidade de melhores estudos. É uma espécie resistente à
geadas, susceptível à deficiências hídricas severas e ao fogo. Apresenta boa
capacidade de regeneração por brotação das cepas .
Eucalyptus maculata Hook
Ocorre
na Austrália, no litoral e no interior do Estado de Queensland, e no litoral de
New Soth Wales, entre as latitudes de 25 a 37oS, nas
altitudes desde o nível do mar até 800 m. A precipitação média anual nessas
áreas varia de 625 a 1.250 mm. A distribuição das chuvas pode ser uniforme
durante o ano, ou concentradas no verão. Nas regiões onde as chuvas
concentram-se no verão o período de seca varia no sentido sul para o norte,
podendo situar-se no intervalo de 3 a 6 meses. Em toda a área de ocorrência as
geadas são pouco freqüentes. A temperatura média das máximas do mês mais quente
situa-se entre 22 a 35o C, e a média das mínimas do mês mais
frio entre 2 a 5oC.
A
madeira apresenta boas características para utilização em laminação,
marcenaria, construções, dormentes, postes, moirões e caixotaria. A espécie
regenera-se bem por brotação das cepas, é moderadamente susceptível à geadas,
secas pronunciadas, e ao fogo.
Recomenda-se a espécie
para altitudes inferiores a 1.600 m.
Eucalyptus dunnii
Maiden
Ocorrência
restrita na região nordeste de New South Wales e sudeste de Queensland, entre
as latitudes de 28 a 30o C e altitudes de 150 a 800 m.
Precipitação pluviométrica média anual variando de 800 a 1.500 mm, chuvas
concentradas no verão. Temperatura média das máximas do mês mais quente
compreendida entre 27 a 29o C, e a média das mínimas do mês
mais frio em torno de 8oC . O período de seca não ultrapassa
a 3 meses geralmente no inverno. Na área de ocorrência natural ocorrem poucas
geadas com baixa intensidade. É uma das espécies com maior crescimento na
Austrália.
A
madeira é muito semelhante a do E.
grandis, podendo ter as mesmas utilizações. Os primeiros estudos visando
seu aproveitamento para celulose e papel, são altamente animadores. As maiores
restrições à espécie são a inexistência de produção de sementes em nosso meio,
e a impossibilidade de importação de sementes em quantidades suficientes.
Existindo possibilidade da produção de sementes ou mudas, a espécie poderá ser
potencial para todas as regiões bioclimáticas do Estado.
Eucalyptus
cloeziana F.
Muell
Ocorre
geralmente nas regiões central e norte do Estado de Queensland. Caracteriza-se
por não ocorrer em populações contínuas, mas sim de forma esparsa. A área de
distribuição está compreendida entre as latitudes
de 60 s 900 m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 1.000 a
1.600 mm, concentrando-se no verão. A temperatura média das máximas do mês mais
quente, situa-se em torno de 29oC, e a média das mínimas do
mês mais frio, entre 8 a 12oC. O período de seca não
ultrapassa 3 a 4 meses. As geadas são raras e pouco severas. A madeira
produzida pela espécie é de alta densidade, durável e com ampla utilização.
As
plantações estabelecidas fora da Austrália tem como finalidades principais:
serraria, postes, escoras, estruturas, dormentes, etc. Vem sendo considerada a
melhor espécie para postes.Tratando de uma espécie oriunda de zonas
predominantes tropicais, ela é susceptível à geadas e não se adapta bem em
regiões com deficiência hídrica severa. Aparentemente é susceptível a fogo
rasteiro. Apresenta baixa capacidade por brotação de cepas.
Aparentemente a espécie exige
solos de fertilidade média a boa, recomenda-se evitar locais com incidências de
geadas, altitudes superiores a 1.600 m. e onde as deficiências hídricas sejam
severas.
Eucalyptus botryoides Sm
Ocorre
naturalmente, na Austrália, no Litoral Sul do Estado de New South Wales e em
Victoria, entre as latitudes de 32 a 39,5oS e altitudes de 0
a 300m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 625 a 1.000 mm, com
chuvas uniformemente distribuídas durante o ano. Temperatura média das máximas
do mês mais quente 23 a 28oC, e das mínimas do mês mais frio
2 a 9oC. Período seco normalmente não ultrapassa 2 a 3 meses.
Intensidade de geadas desde 0 a 20 dias/ano.
Na Austrália a espécie é
considerada valiosa para o litoral, apresentando alta resistência à ventos. A
madeira pode ser utilizada para: laminação , estruturas, dormentes ,
caixotaria, estacas e mourões . Em locais fora da Austrália a espécie apresenta
susceptibilidade à geadas, e à deficiência hídrica.
2. PRODUÇÃO DE MUDAS
DE EUCALIPTO
A produção de mudas tem sido realizada pelo método
sexuado e assexuado. O primeiro refere-se à produção de mudas por meio de
sementes e o segundo, por meio de propagação vegetativa.O processo de lavagem
de tubetes, embadejamento, preparo do substrato e envasamento são comuns tanto
na propagação sexuada como na propagação assexuada. Independente dos diferentes
sistemas utilizados, vale salientar a quantidade de água no substrato. Uma das
maneiras práticas seria pressionar o substrato nas mãos, caso a, água escorrera
por entre os dedos, não deverá passar de pequenas gotas, caso contrário o
substrato estará com umidade excessiva.
As
espécies de Eucalyptus se destacam por sua grande variabilidade intra e interespecífica
como: produção de biomassa, taxa de crescimento, resistência a geadas e déficit
hídrico, entre outros (Chaperon, 1987). Uma forma de manter as características
favoráveis, evitando a variabilidade encontrada em árvores obtidas a partir de
sementes, é recorrer a propagação vegetativa.
A
propagação vegetativa por estaquia iniciou-se em escala comercial na República
Popular do Congo (África), em 1975, onde implantou-se 3000ha de florestas, e
tendo como meta alcançar 30000ha (Delwaufle et al., 1983). No Brasil, os
primeiros estudos utilizando-se brotações de árvores adultas iniciaram-se com
Poggiani & Suiter Filho em 1974. Porém, a produção massal de mudas clonais
iniciou-se na região litorânea do Espirito Santo, em 1979, e estendeu-se a
outras regiões do Brasil (Campinhos, 1983). Borba & Brune (1983)
realizaram, no município de Lassance, MG, vários estudos no qual mostraram a
viabilidade por estaquia em condições ambientais controladas, ou seja, em casa
de vegetação.
Muitos
métodos têm sido usados para a propagação vegetativa de plantas jovens de
eucaliptos. Entretanto, com relação a muitas outras espécies de árvores, a
propagação vegetativa de eucalipto adulto tem demonstrado muita dificuldade,
exceto pelo uso de brotos epicórmicos originários da base das árvores e pela
enxertia.
A
propagação vegetativa pela estaquia ou micropropagação facilitará a ligação de
um genótipo. O processo da propagação vegetativa não inclui meiose, portanto os
rametes (brotações originárias da planta doadora) são geneticamente idênticos
aos ortetes (planta doadora). Variações fenotípicas entre os rametes (brotações
originárias da planta doadora) dentro de um clone, todavia, existem. As causas
das variações são, provavelmente, ambientais e são devidos a fatores
relacionados ao propágulo, isto é, tamanho da estaca, período que as estacas
são coletadas e as condições em viveiro (Ou seja, vigor do propagação ou a
qualidade do sistema radicular). Burton & Shelboume (l974) denominaram este
efeito como "Efeito M" (um tipo de efeito material) e Lemer (1958)
usou o termo "Efeito C", para os mesmos efeitos. Porém, o
"Efeito C" parece ser importante principalmente para características
mensuradas relativamente após a propagação. O estado de maturação (ontôgenia)
tem um grande efeito na facilidade de propagação e subsequente crescimento dos
propágulos originários de estacas ou da cultura de tecidos. Técnicas para
manter ou reduzir a juvenilidade são as chaves do sucesso para qualquer
programa de propagação vegetativa. Fases diferenciadas de maturação entre os
clones podem parecer como "Efeito C", e resultariam em um aumento
artificial da variação clonal, portanto, poderiam aumentar as estimativas de
ganhos genéticos na seleção clonal.
Entre os problemas
associados com a propagação vegetativa estão:
a) Os rametes propagados
de diferentes partes de uma mesma árvore (Figura 1) podem crescer e se
desenvolver diferentemente para cada ortete e/ou formas de ortetes. Geralmente,
propágulos de regiões inferiores ou centrais de uma árvore possuem
características mais juvenis que aqueles originados das regiões superiores e
periféricas (Bonga, 1982).
b) Propágulos de árvores
mais velhas, geralmente, crescem diferentemente daqueles derivados de árvores
jovens e nem sempre duplicam a expressão das características associadas com a
forma de crescimento juvenil. Portanto, os ortetes originários de árvores mais
jovens tem menor variação no crescimento e desenvolvimento do que aqueles
originados de árvores mais velhas (Franclet, 1985).
c) As condições ambientais
das árvores doadoras podem afetar seu desenvolvimento, principalmente na
qualidade dos rametes (Libby & Jund, 1962).
Pesquisas
envolvendo a propagação vegetativa de espécies arbóreas têm desenvolvido
terminologias para descrever as influências desses fatores no desenvolvimento.
A ciclófise (Olesen, 1978) é o processo de maturação dos meristemas apicais. A
topófise (Dodd & Power, 1988) é o estado resultante da diferenciação no
potencial de desenvolvimento e fisiológico dos meristemas apicais entre as
posições hierárquicas dos ramos, independente dos processos de maturação dos
rneristemas terminais. Perífise (Hallé et al., 1978) é o efeito do ambiente no
pré-condicionamento do material vegetal (tecido).
Devido
as influências da clófise, topófise e perífise, propágulos derivados de um
mesmo genótipo têm desempenhos diferenciados quando estabelecidos em condições
de campo. Esses fatores não somente contribuem para variação entre os clones e
diferenças entre os tipos de propágulos mas, se for comum aos membros de um
clone, podem induzir estimativas de produtividade do desempenho clonal. Tais
fatores não genéticos comuns aos membros de um grupo, tais como clones ou
famílias são referidos como "Efeito C". Em geral, as diferenças entre
os tipos de propágulos vegetativos ou entre propágulos originários de
diferentes idades são os resultados do "Efeito C" (casos em que
grupos geneticamente similares são comparados). Geneticistas quantitativos são
particularmente preocupados em relação ao efeito "Efeito C", uma vez
que este poderia influenciar nas estimativas da variância genética total e de
outros parâmetros, tais como, herdabilidade, correlações entre características
e ganhos genéticos.

Figura 1. Gradientes de
juvenilidade-maturidade que se inicia quase na base da árvore.
Esquerda: o gradiente do
estado juvenil em A > F > E > D > C > B.
Direita: o gradiente do
estado juvenil em A > G; B: broto originário de raízes adventícias; C:
brotos epicórmicos; D: esferoblástos (adventícias); E - F: brotação de touças,
onde B - F: representam brotações juvenis.
A
propagação clonal pode ser alcançado pela macropropagação ou pela
micropropagação. A propagação vegetativa pela macropropagação envolve métodos
convencionais, como a estaca e a enxertia enquanto que na micropropagação se
desenvolve a técnica da cultura de tecidos.
Muito
tem sido feito para o melhoramento genético das espécies arbóreas nestas
últimas décadas, principalmente no que se refere a hibridação entre árvores
superiores e estabelecimento de pomares de sementes. No entanto, para alcançar
os ganhos genéticos, em espécies florestais, é necessário um programa de
melhoramento para selecionar árvores em poucas gerações, no qual são
necessários não menos de 15 a 50 anos. Um dos caminhos para alcançar
rapidamente os ganhos de produtividade desejados seria pelo método vegetativo
através de material propagado clonalmente.
A
propagação de plantas através da cultura de tecidos tem sido realizada pelo emprego
das culturas de calos, órgãos, células e protoplastos. Embora explantes
vegetativos de espécies arbóreas, geralmente, sejam de difícil crescimento e
diferenciação intro, a cultura de órgãos tem sido promissora para algumas
espécies arbóreas, e empregada intensamente na propagação clonal. O emprego da
cultura de calos, suspensão e protoplastos não tem tido sucesso em grande
escala para regeneração em florestas clonais. A cultura de calos exibe alto
grau de variação genética em relação a cultura de órgãos.A micropropagação,
pela embriogênese somática, é outro caminho para a propagação clonal em
plantas. Tão como embriões zigóticos, os embriões somáticos também desenvolvem
uma forma bipolar, tendo dois pólos, um para formação da parte aérea e outro
radicular. Embriões somáticos se desenvolvem a partir de células somáticas
embriogenicamente competentes in vitro. A dificuldade na indução de embriões
somáticos em algumas espécies e/ou genótipos estão relacionados com a maturação
e germinação dos embriões somáticos e desenvolvimento de plântulas somáticas
viáveis. Estudos quanto a estabilidade morfológica e genética dos embriões
somáticos estão sendo intensamente pesquisados.
A
propagação vegetativa de árvores adultas requer material fisiologicamente
juvenil (gemas epicórmicas basais) ou com rejuvenescimento da habilidade de
formar raízes em material adulto (Hartney, 1980). As árvores adultas necessitam
de técnicas especiais de reverter a juvenilidade para resgatar condições
favoráveis para enraizamento e crescimento.
A
reversão da fase adulta à fase juvenil é denominada rejuvenescimento. O
rejuvenescimento para o estágio juvenil, naturalmente, ocorre durante a
reprodução sexuada e na apomixia. Durante a propagação vegetativa o
rejuvenescimento também pode ocorrer e tem sido alcançado de varias maneiras:
(l) poda drástica ("severe hedging"), (2) aplicações de citocininas,
(3) propagação seriada via enxertia, (4) propagação seriada via estaquia e (5)
micropropagação.
Para
obter uma alta taxa de enraizamento das estacas de eucaliptos alguns fatores
são importantes, tais como um ambiente limpo, nebulização para prevenir o
estresse hídrico (Poggiani & Suiter Filho, 1974), um substrato que
proporcione uma boa drenagem e aeração; temperatura elevadas (25 - 30ºC); e uma
auxina (ácido indol butírico), usualmente utilizado na base da estaca (Hartney,
1980).
Muitos fatores afetam o
enraizamento de estacas. Práticas baseadas nestes fatores têm sido
desenvolvidas para promover o enraizamento em espécies com dificuldade para o
enraizamento.
Estes fatores podem ser
divididos em:
a) Fatores químicos
(endógeno ou exógeno) que promovam o enraizamento. Os hormônios mais utilizados
para o enraizamento de eucaliptos são o AIB e o ANA (Couvillon, 1988). Os
experimentos com estes hormônios envolvem a dosagem ótima para a estaquia. o
melhor método para a sua aplicação, e a eficácia dos diferentes hormônios
auxínicos (Loach, 1988). Além dos estudos com hormônios, vários estudos estão
sendo desenvolvidos com a utilização de açúcares (carboidratos), herbicidas e
nebulização de nutrientes minerais para promover o enraizamento das estacas.
b) Fatores da planta que
afetam o enraizamento: a juvenilidade dos brotos, a posição do broto do qual as
estacas são retiradas, diâmetro das estacas, a presença de gemas e/ou folhas,
efeito do período de coleta das estacas, influência das espécies, efeito do
período de dormência e influência do estado nutricional;
c) Efeitos ambientais no
enraizamento: controle da umidade; luminosidade; aquecimento do substrato;
fotoperíodo e tratamento e/ou acondicionamento dos brotos e estacas antes da
estaquia.
d) Outros fatores que
afetam a resposta ao enraizamento: composição do substrato e efeito do
ferimento.
Durante
o ciclo de desenvolvimento (Figura 2), as árvores sofrem sucessivas mudanças
morfológicas e fisiológicas. O desenvolvimento geralmente aparece como um
acumulo gradual e contínuo de pequenas alterações, ainda que algumas
características pareçam passar por mudanças bruscas e/ou repentinas em um
período particular no estágio de desenvolvimento (Sussex, 1976). Visto que, os
meristemas são os centros ou pontos de crescimento e organização nas arvores,
eles estão intimamente envolvidos nestas alterações.
Os
processos que controlam o desenvolvimento são complexos e não são inteiramente
conhecidos, mas parecem estar envolvidos com: (l) reações dos meristemas a
competição ou estímulo das diferentes partes da árvore; (2) idade ontogenética
dos meristemas (número de divisões celulares que estão sofrendo) e; (3) reações
dos meristemas aos fatores externos da árvore (Hackett, 1976).
Durante
o processo de maturação, ocorre a ativação e inativação dos genes nos
diferentes estágios de desenvolvimento e diferenciação resultando na síntese ou
bloqueio de proteínas específicas. A maturação pode envolver inativação
seletiva e progressiva dos genes durante o desenvolvimento. Alguns desses genes
podem ser essenciais para reposição das proteínas específicas e na divisão celular.
Mecanismos de inativação dos genes podem envolver a metilação do DNA
cromossômico, eucromatização, heterocromatizacão, ou mudanças ao nível de
clorofila ab (Cab) junto com as proteínas. Uma hipótese alternativa seria que
estariam envolvidas com a ativação de genes específicos da maturação levando ao
acúmulo gradativo de proteínas
específicas da maturação.
Impariamento da função do gene pelas alterações genéticas no genoma (eventuais
mutações ou elementos transponíveis) poderiam ser ainda possíveis no processo
de maturação. O papel do DNA mitocondrial e do DNA dos cloroplastos no processo
de maturação não são ainda bem conhecidos. Inativacão ou impariamento dos genes
mitocondriais poderiam levar a uma perda do potencial energético e respiratório
das células. A maturação genética e fisiológica nas plantas poderiam, em parte,
ser reguladas pelo DNA do cloroplasto, até mesmo nas árvores adultas. Técnicas
de cultura de tecidos podem permitir a expressão seletiva destas células
totipotentes nas árvores adultas, para propagação clonal (Ahuja, 1993).

Figura 2. Ciclo de vida da árvore.
Portanto,
a maturação não ocorre na mesma velocidade em todas as partes da planta ou seja
em muitas espécies arbóreas existem meristemas que são dormentes, e que são
ativados durante o ciclo de desenvolvimento da planta.
No
ciclo de desenvolvimento da planta, Fortanier & Jonkers (1976) tem dividido
a idade em: idade cronológica, idade ontogenética e idade fisiológica. Estes
autores descrevem que a idade cronológica inicia-se na germinação. A idade
ontogenética se refere a passagem da planta durante as sucessivas fases do
desenvolvimento, isto é, embriogênese, germinação e as fases de crescimento
vegetativo e sexual. Idade fisiológica, de acordo com a definição destes
autores, refere-se primariamente aos "aspectos negativos da idade, tais
como perda do vigor, o aumento da suscetibilidade as condições adversas, ou a
deterioração em geral". O uso do termo "maturação", portanto,
seria bem definido no caso da idade ontogenética. Os fatores que poderiam estar
ligados aos mecanismos de maturação seriam detectados pelo
ambiental-nutricional ou fatores intrínsecos da célula. O controle fisiológico
relacionado a maturação seria induzido por qualquer tipo de estresse,
principalmente nutricional e hídrico. Estas agressões que as plantas sofrem
durante o seu desenvolvimento poderiam promover a maturação acarretando não
somente a indução do florescimento, mas também a redução da taxa de
enraizamento das estacas ou controlar a taxa de flores masculinas ou femininas
em algumas árvores. Portanto, a redução do período de enraizamento das estacas
seria um indício de rejuvenescimento do material vegetal ou a diferença de
enraizamento entre as estacas do mesmo material genético indicariam as
diferenças no grau de maturação do material vegetal.
Ronaldo Luiz V. A.
Silveira
Em busca do Eucalipto de proveta
Indústria do papel terá como matéria-prima árvores com baixo teor de
lignina
Elza Pires ;Ciência Hoje/
Brasília
Eucaliptos
desenvolvidos em laboratório serão no futuro a alternativa para a indústria
brasileira de celulose e papel. Árvores modificadas geneticamente, com baixo
teor de lignina -- carboidrato responsável pela dureza dos tecidos vegetais,
principalmente troncos -- substituirão as extensas plantações atuais da
espécie, uma das principais matérias-primas para a produção de celulose. As
novas plantas beneficiarão a indústria de duas maneiras: baixando o custo de
produção da pasta de celulose e reduzindo a poluição ambiental.
O
Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genérticos e Biotecnologia (Cenargen),
em Brasília, trabalha há mais de um ano na regeneração (clonagem) e
transformação das plantas. Os técnicos da área de tecidos, coordenados por
Pedro Barrueto, já conseguiram sucesso na primeira fase, produzindo novas
plantas -- clones -- a partir de pequenos pedaços de tecido, embora a
regeneração de plantas lenhosas seja um processo extremamente complexo. Os
resultados da área de transformação genética, sob a responsabilidade de Ana
Cristina Brasileiro, também são animadores.
Duas
técnicas estão sendo utilizadas para a introdução na planta do gene responsável
pela redução do teor de lignina: o vetor pode ser uma bactéria ou um acelerador
de partículas. Depois de introduzido o gene, será preciso induzir no tecido
transformado a formação de um calo -- uma massa de células que cresce como um
tumor --, a partir do qual serão obtidas, por clonagem, as plantas
transgênicas. As variedades geneticamente modificadas ainda terão que passar
por testes de campo, previstos para 1998, antes que possam substituir as
árvores convencionais nas plantações.
A
pesquisa é fruto de um acordo entre a empresa Aracruz Celulose, que fornece o
material biológico e financia o projeto, e a equipe do Cenargen, que cuida da
parte laboratorial. O uso dos resultados alcançados -- produtos e processos --
será decidido em conjunto pelas duas instituições. Sediada no Espírito Santo, a
Aracruz Celulose produz anualmente cerca de um milhão de toneladas de polpa de
celulose, exportando 80% desse volume para os Estados Unidos e países da Europa
e Ásia. A empresa possui, no Espírito Santo e na Bahia, cerca de 200 mil
hectares de terra: 140 mil estão cobertos com plantações de eucalipto de alta
produtividade e 60 mil são mantidos como reservas naturais.
O
projeto Cenargen/Aracruz pretende obter, a partir do cruzamento das espécies
Eucalyptus grandis e Eucalyptus urophylla, uma variedade cujo teor de lignina
seja 30% menor que o das plantas hoje usadas na indústria. Além disso, essa
variedade terá que apresentar boa performance, quanto à rapidez de crescimento,
e resistência ao cancro, doença que ataca o tronco. Como o atual processo
industrial exige grande quantidade de insumos químicos (como hidróxido de sódio
e sulfeto de sódio) e altas temperaturas para a remoção da lignina, além do
reprocessamento do rejeito antes de sua liberação, as plantas transgênicas
poderão baratear e tornar menos poluente a produção da celulose.
Este texto foi publicado
na Ciência Hoje número 119 (volume 20).
Microestaquia:
uma maximização da micropropagação de eucalyptus1
Aloísio Xavier2
e João Comério2
RESUMO - Os objetivos do presente trabalho
foram apresentar e discutir o princípio básico da técnica de microestaquia, bem
como sua potencialidade e suas limitações na silvicultura clonal, com base em
experimentação desenvolvida pela Champion Papel e Celulose Ltda. Este método
alternativo de clonagem de Eucalyptus
baseia-se no rejuvenescimento "in vitro" de clones selecionados e na
multiplicação destes por meio de propágulos vegetativos provenientes de mudas
micro-propagadas. Esta técnica, denominada microestaquia, busca a minimização
do efeito "C" (efeito da clonagem), mediante a associação com a
técnica de micropropagação. Resultados obtidos mostram que o processo de
microestaquia é técnica e economicamente viável na clonagem de Eucalyptus.
Palavras-chave: Silvicultura clonal,
propagação vegetativa de Eucalyptus e
micropropagação.
1
Recebido para publicação em 29.12.1995.
Aceito para publicação em
12.06.1996.
2 Champion Papel e Celulose Ltda. Caixa Postal
176, 13840-000 Mogi-Guaçu-SP.
Propagação
clonal de híbridos de eucalyptus spp. por miniestaquia1
Ivar Wendling2,
Aloisio Xavier3, José Mauro Gomes3, Ismael Eleotério
Pires3 e Hélder Bolognani Andrade4
RESUMO - Este estudo teve por objetivo
avaliar a técnica de miniestaquia como método de propagação vegetativa para
cinco clones híbridos de Eucalyptus
spp. (clone 1 = E. urophylla x E. grandis; clones 2, 3 e
5 = E. grandis x Eucalyptus spp.; e clone 4 = E.
tereticornis x E. pellita),
quanto à produção e sobrevivência das minicepas em sucessivas coletas e à
sobrevivência, ao enraizamento e ao vigor vegetativo (altura e diâmetro do
coleto) das miniestacas provenientes das coletas sucessivas no jardim
miniclonal. As minicepas no jardim miniclonal, após as cinco coletas,
apresentaram sobrevivência média entre 99,2 e 100% e produção média entre 1,5 e
2,3 miniestacas por minicepa, para os clones avaliados. Variações expressivas
entre os clones foram observadas quanto às características estudadas. A
sobrevivência média das miniestacas obtida na saída da casa de vegetação, para
as cinco coletas, variou de 17,4 a 77,6% e o enraizamento médio na saída da
casa de sombra, de 17,2 a 67,2%. Os resultados deste trabalho indicaram a
ocorrência de grandes variações entre os clones e as coletas estudadas, quanto
às características avaliadas, bem como a sustentabilidade de produção de
miniestacas no jardim miniclonal. Em termos gerais, o clone 3 apresentou o
melhor desempenho e o clone 5, o pior, para as características avaliadas, sendo
ambos híbridos naturais de Eucalyptus
grandis.
Palavras-chave: Miniestaquia, propagação
vegetativa de Eucalyptus e
silvicultura clonal.
1 Recebido
para publicação em 28.9.1998.Aceito para publicação em 5.5.1999.
2
Estudante de Pós-Graduação em Ciência Florestal da UFV;
3 Prof. do Dep. de Engenharia Florestal da UFV, 36571-000 Viçosa-MG.
4
Engenheiro Florestal – Mannesmann Florestal S.A., 39391-000 Bocaiúva-MG.
Efeito
do regulador de crescimento aib na propagação de clones de eucalyptus spp. por
miniestaquia1
Ivar Wendling2,
Aloisio Xavier3, José Mauro Gomes3, Ismael Eleotério
Pires3 e Hélder Bolognani Andrade4
RESUMO - Este estudo teve por objetivo
avaliar os efeitos da aplicação de diferentes dosagens do regulador de
crescimento AIB (0, 1.000, 3.000 e 6.000 ppm) na sobrevivência, no enraizamento
e no vigor vegetativo das miniestacas de cinco clones híbridos de Eucalyptus spp. (clone 1 = E. grandis
x E. urophylla; clone 2, 3 e 5 = E.
grandis x Eucalyptus spp. e clone
4 = E. pellita x E. tereticornis),
oriundas das brotações de mudas produzidas segundo os procedimentos da técnica
de miniestaquia. O efeito da aplicação de AIB sobre as características
avaliadas foi positivo e, de modo geral, as dosagens de 1.000 e 3.000 ppm
apresentaram os melhores resultados. Os resultados deste trabalho mostraram a
ocorrência de grandes variações entre os clones estudados, quanto às
características avaliadas e ao efeito positivo do uso do regulador de
crescimento AIB no processo de miniestaquia, principalmente para os clones que
apresentaram menores índices de enraizamento e sobrevivência quando da sua
não-aplicação.
Palavras-chave: Miniestaquia de Eucalyptus spp., silvicultura clonal e
propagação vegetativa.
1
Recebido para publicação em 7.5.1998.
Aceito para publicação em
5.5.1999.
Trabalho financiado em
parte pela CAPES (bolsa de Pós-Graduação M.S. do primeiro autor).
2
Estudante de Pós-Graduação em Ciência Florestal, DEF/UFV;
3
Prof. do Dep. de Engenharia Florestal da UFV, 36571-000 Viçosa-MG.
4
Engenheiro Florestal – Mannesmann Florestal S.A., 39391-000 Bocaiúva-MG.
ASSIS, F.T., ROSA, O .P.,
GONÇALVES, S. I . Propagação clonal de Eucalyptus por microestaquia. In:
CONGRESSO FLORESTAL ESTADUAL, 7, 1992, Nova Prata. Anais... Santa Maria: UFSM,
1992. P.824.
ASSIS, F.T. Propagação
vegetativa de Eucalyptus por microestaquia. In: CONFERÊNCIA IUFRO SOBRE
SILVICULTURA E MELHORAMENTO DE EUCALIPTOS, 1997, Salvador. Proceedings...
Colombo: EMBRAPA/CNPF, 1997. v.1 p. 300-304.
CHAMPERON, H. Vegetative propagation of Eucalyptus. In: SIMPÓSIO SOBRE SILVICULTURA Y
MEJORAMIENTO GENÉTICO DE ESPÉCIES FORESTALES, 1987, Buenos Aires. Annales...
Buenos Aires: 1987. V.1,p.215-232.
GOMES, A .L . Propagação
clonal: princípios e particularidades. Vila Real: Universidade de Trás–os
Montes e Alto Douro, 1987. 67p. (Série Didática, Ciências Aplicadas,1)
GREENWOOD, M.S., HUTCHISON, K. W. Maturation as a
development process. In: AHUJA, M. R., LIBBY, W. J. (Eds.) Clonal florestry I:
genetics and biotechnology. Berlin: Springer- Verlag, 1993. p.13-14.
XAVIER, A ., COMÉRIO, J.
Microestaquia: uma maximização da micropropagação de Eucalyptus. Viçosa,
Revista Árvore, Viçosa, v.20, n.1, p.9-16, 1996.
XAVIER, A ., COMÉRIO, J.,
IANNELLI, C. M. Eficiência da estaquia, da microestaquia e da micropropagação
na clonagem de Eucalyptus spp. In: CONFERÊNCIA IUFRO SOBRE SILVICULTURA E
MELHORAMENTO DE EUCALIPTOS, 1997, Salvador. Proceedings... Colombo: EMBRAPA/CNP,
1997. v.2. p.40-52.
XAVIER, A ., WENDLING, I.
Miniestaquia na clonagem de Eucalyptus. Viçosa: SIF,1998. 8p. (Informativo
Técnico, 11)
ASSIS, T. F. Melhoramento
genético do eucalipto. Informe agropecuário, Belo Horizonte, v. 12, n. 141, p.
36-46, 1986
OTTONI, N.C. Aspectos
gerais da cultura de tecidos. Viçosa, MG: UFV , 1984. 22p.(seminário)
XAVIER, A ; WENDLING, I.
Miniestaquia na clonagem de Eucalyptus. Informe técnico SIF, n° 11/ 198.
GOMES, J. M.; PAIVA, N. H.
Propagação de espécies florestais. Apostila , n° 322, UFV.
SITES: www.ipef.br
Material conseguido na Net
(contém alterações)
Graduanda de Engenharia Florestal
Contatos:
E-mail: e31938@alunos.ufv.br