PERUQUETTI, Rui Carlos. M. S. Universidade Federal de Viçosa, junho de 1999. Padrões eletroforéticos em machos adultos de Euglossini (Hymenoptera: Apidae): variação gênica e diploidia. Orientador: Lucio Antonio de Oliveira Campos. Conselheiros: Fernando Amaral da Silveira e Sílvia das Graças Pompolo.


Machos de Euglossini, coletados em áreas de Minas Gerais e do Espírito Santo, com auxílio de armadilhas contendo compostos aromáticos como iscas ou com redes entomológicas, após serem atraídos aos compostos aromáticos, foram congelados a -20ºC e posteriormente analisados usando-se procedimentos padrões de eletroforese horizontal em gel de amido.
As espécies amostradas em maior número foram utilizadas para a determinação da freqüência de machos diplóides em suas populações. Para este fim foram determinados os padrões eletroforéticos dos sistemas enzimáticos estudados e verificada a existência de variantes enzimáticas geneticamente determinadas, as quais foram usadas como marcadores. Além disso, foi verificada a similaridade genética entre machos de diferentes espécies de Euglossini.
Ao todo, 106 machos de Euglossini, representando 13 espécies, foram coletados. Cinco espécies (Eulaema cingulata, Eufriesea smaragdina, Eufriesea violascens, Euglossa gaianii e Euglossa pleosticta) foram utilizadas para as determinações das freqüências de diplóides entre os machos de suas populações, assim como para a determinação dos padrões eletroforéticos de dezoito sistemas enzimáticos e detecção de polimorfismo entre eles.
O número de locos amostrados variou de 20 a 25, sendo que os maiores valores de heterozigosidade intra-loco foram apresentados pelas esterases (3 locos: Est-1, Est-2 e Est-3), sendo encontrados quatro alelos em Est-1 de Eul. cingulata. Uma hipótese é prosposta relacionando esta variação ao ambiente explorado pela espécie. O polimorfismo encontrado nas cinco espécies estudadas variou de 0,12 a 0,20 e a heterozigosidade média esperada (He) variou de 0,020 a 0,084. As diferenças observadas entre as He das espécies de Euglossini amostradas não foram estatisticamente significativas. O valor médio de He encontrado em Euglossini é maior do que aquele encontrado em Bombus, não diferindo de Hymenoptera como um todo.
Nas populações de Euglossini estudadas neste trabalho não foi encontrado nenhum macho diplóide, diferentemente de estimadas feitas recentemente por outros autores. Este fato pode ser atribuído a diferenças efetivas, quanto à freqüência de machos diplóides, entre as populações analisadas no Panamá e no Brasil ou a possíveis erros de interpretação de resultados.
As análises de similaridade genética revelaram resultados interessantes, apesar de não poderem ser feitas inferências sobre relações filogenéticas entre os gêneros ou espécies amostradas. Utilizando-se eletroforese de enzimas foi possível a formação de grupos onde as espécies neles colocadas são classificadas taxonimocamente como pertencentes ao mesmo gênero. Tais grupos foram: (Eul. nigrita + Eul. cingulata) + Eul. meriana; (Eu. pleosticta + Eu. gaianii) + Eu. liopoda; Euf. smaragdina + Euf. violascens; Eu. sapphirina + (Eu. cordata, Eu. securigera, Eu. modestior e Eu. fimbriata).
Os resultados de similaridade genética apresentados neste trabalho e a posibilidade de aumento no número de sistemas enzimáticos que podem ser amostrados em Euglossini indicam que o uso de eletroforese em gel de amido, em associação com dados morfológicos, pode contribuir para a identificação de espécies de Euglossini, principalmente aquelas de difícil determinação. Sistemas como fosfatase ácida (ACP), enzima málica (ME) e peptidase (PEP) se mostraram interessantes na distinção de espécies.


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