A Cria Ensacada, causada pelo vírus SBV, é uma doença que afeta crias de abelhas em inúmeros países. Embora no Brasil as abelhas Apis mellifera apresentem doença com sintomas semelhantes ao da Cria Ensacada, nenhum vírus pôde ser detectado até o momento. Alguns apicultores apresentavam a hipótese de que essa doença fosse causada por intoxicação por néctar ou pólen de alguma planta.
Para testar a hipótese de que esta doença poderia ser causada por alguma planta tóxica, foi inicialmente produzida uma dieta que permitisse o desenvolvimento das larvas até a fase de pupa, com e sem acréscimo de pólen. A dieta mais adequada foi a proposta por SILVA (1995) para a criação de larvas de operárias, à qual foi adicionado 1% de pólén de Stryphnodendron.
Utilizando esta mesma dieta, foram testados diferentes tipos de grãos de pólen da região de Altinópolis, local onde ocorre a Cria Ensacada Brasileira, para verificar se algum desses grãos de pólen estariam causando a doença. Foi verificado que o pólen de Stryphnodendron polyphyllum (barbatimão), quando adicionado à dieta das larvas de abelhas Apis mellifera, causa aparecimento de sintomas da Cria Ensacada Brasileira.
Após constatar que o pólen de Stryphnodendron era o causador da Cria Ensacada Brasileira, realizou-se um experimento para verificar a dosagem desse pólen capaz de causar o aparecimento de sintomas dessa doença. Observou-se, então, que em doses muito baixas o pólen causa a doença na fase de prepupa, já em doses maiores parece que ele começa agir no estágio larval. Na concentração de 0,04% de pólen na dieta, a probabilidade de mortalidade das larvas é de 50%, enquanto, na concentração de 0,07%, é de 90%.
Desses experimentos pôde-se concluir que o pólen de Stryphnodendron polyphyllum é o responsável pelo aparecimento da Cria Ensacada Brasileira e que, mesmo em concentrações baixas, é capaz de causar sintomas da doença.
Em razão da grande toxidez do pólen de Stryphnodendron e da falta de qualquer outro meio de controle, os apicultores devem retirar suas abelhas do local onde está ocorrendo a florada do barbatimão, para que não haja perda em suas colmeias.