Tipos de sociedade
As diferentes espécies de abelhas e vespas apresentam os mais diversos comportamentos que podem se modificar ao longo do seu desenvolvimento, ou que podem ser típicos de determinadas espécies durante toda a vida.
Com o intuito de se conhecer e entender melhor como vivem e se relacionam esses indíviduos entre si e com o meio, foram criados vários níveis de sociabilidade levando em consideração: o número de fêmeas que fundam um ninho, grau de desenvolvimento dos ovários, como é feita a construção e o aprovisionamento das células, se há divisão de trabalho, a tolerância entre os indivíduos, mecanismos de defesa, quantas gerações adultas convivem no ninho e assim por diante.
Esses níveis sociais, entretanto, podem se alterar para uma mesma espécie até para um mesmo ninho dependendo da situação e do estágio de desenvolvimento em que este se encontra.
Portanto, ao se determinar um nível social para um ninho,
é importante que se descreva a situação deste
no momento da observação.
Agrupamentos para dormir
Segundo Michener(1974), são comumente encontrados agrupamentos de machos de abelhas ou vespas que se formam em um determinado local para passar a noite eles não podem ser considerados colônias, pois não formam um ninho.
Alguns agrupamentos chegam a ter centenas de machos (raramente algumas fêmeas), que podem ser de uma só espécie ou mais de uma juntas. Eles podem também fazer buracos no chão ou utilizar folhas enroladas.
Ainda não se sabe quais são os fatores que atraem
os machos a esses lugares, e que vantagens isso pode trazer para
eles.
Abelhas Solitárias
São espécies onde cada fêmea contrói e aprovisiona suas próprias células. Após a oviposição, a fêmea sela o ninho e inicia a construção de outro.
Normalmente, a fêmea morre antes que a cria amadureça e emerja das células, não havendo portanto contato entre as duas gerações.
Porém, no caso de Halictus quadricinctus e Augochlora pura (Verhoeff, 1987: Stochhammer, 1966) e algumas espécies do gênero Xilocopa pode ocorrer contato entre as gerações.
A maioria das espécies de abelhas solitárias tem
uma única geração por ano; os adultos emergem
e voam por um determinado período passando o resto do tempo
no ninho. A larva passa a maior parte do tempo no estádio
de pré-pupa ou como adulto jovem ainda no ninho em que
nasceram, ou em locais especiais para hibernação
e estivação.
Agregados
São formados quando vários ninhos são fundados
bem próximos podendo ser constituídos de colônias
de todos os níveis de sociabilidade.Esses agregados são
facultativos, mas para algumas espécies são bastante
característicos. Ocorrem mais comumente em espécies
que nidificam no solo; podendo também ocorrer em espécies
que nidificam em madeira e em espécies que constróem
células expostas.
Colônias Para-sociais
Colônias pequenas, constituídas por uma única geração, nas quais há uma maior na defesa da colônia. Podem ser de três tipos: comunal, quase-social e semi-social.
Nas colônias comunais , grupos de fêmeas de
uma mesma geração convivem em um mesmo ninho, cada
uma construindo, aprovisionando e ovipositando suas próprias
células. Nas quase-sociais, já acontece algum
tipo de colaboração entre estas fêmeas, como,
por exemplo, quando uma começa um trabalho de construção
ou aprovisionamento de uma célula e outra pode terminar
ou quando algumas fêmeas, cooperativamente, constróem
e aprovisionam uma célula. A postura, entretanto, é
realizada apenas por uma fêmea. Nas semi-sociais, há
uma ou mais fêmeas fecundadas que põem ovos e outras
fêmeas com ovários não desenvolvidos e não
fertilizados, sendo, entretanto de uma mesma geração.
Uma característica típica de colônias semi-sociais,
além da divisão de trabalho, é que, ao se
abrir um ninho, encontra-se apenas uma célula sendo construída
e aprovisionada, embora várias abelhas estejam coletado
provisões.
Colônias Subsociais
As colônias subsociais são fundadas por uma única fêmea que constrói, aprovisiona e realiza postura em suas próprias células.
Como acontece com as abelhas solitárias, essas fêmeas
também morrem antes que o adulto emerja. Porém,
o aprovisionamento dessas células é feito de maneira
progressiva, diferente do que ocorre nas espécies de abelhas
solitárias.
Colônias Eu-sociais
São compostas, geralmente, por duas gerações adultas; uma fêmea fecundada (rainha), que somente realiza postura e um grupo de fêmeas não fecundadas que realizam diversos trabalhos como construção de células, aprovisionamento e coleta de pólen e néctar. Dividem-se em: privitivamente eu-sociais e altamente eu-sociais.
As colônias primitivamente eusociais caracterizam-se por possuírem rainhas e operárias que se distinguem apenas fisiologicamente e comportamentalmente. Uma rainha jovem, neste caso, é capaz de fundar um ninho sozinha, realizando todas as funções até que nasçam as operárias.
Já nas colônias altamente eu-sociais, a as
rainhas se distinguem das operárias também pelo
tamanho (tendo o abdôme bem maior) e não são
capazes de realizar qualquer tarefa, a de por ovos. Quando uma
rainha nova vai fundar um ninho, isso acontece por enxameagem,
ela leva consigo um grupo de operárias do antigo ninho.
Bibliografia
Michener, C. D. The Social Behavior of the Bees-a comparative
study.404p. 1974
Campos, M. J. O. Aspectos da Sociologia e Fenologia de Pereirapis semiauratus (Hymenoptera, Halictidae, Augochlorini). São Carlos, Departamento de Ciências Biológicas - UFSCar, 1980. 189p. (Dissertação de mestrado)
Luciane Cristina de Oliveira Lisboa
Aluna do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa
e-mail: lcampos@ufv.br
Mariana de Araújo Melo
Aluna do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Viçosa
e-mail: lcampos@ufv.br