SILVA, Izabel Christina da, M.S., Universidade Federal de Viçosa, dezembro de 1995. Avaliação de Dietas para Criação de Operárias e Zangões de Apis mellifera L. (Africanizadas) (Hymenoptera : Apidae) em Condições de Laboratório. Professor Orientador: Dejair Message. Professores Conselheiros: Cosme Damião Cruz e Lúcio Antônio de Oliveira Campos.


Este estudo teve por objetivo determinar as proporções dos nutrientes, utilizados nas dietas, e as exigências nutricionais quantitativas, para criação de abelhas Apis mellifera L. (Africanizadas), em condições de laboratório, visando obter operárias e zangões semelhantes aos desenvolvidos em condições naturais.
As colônias utilizadas foram coletadas na região de Viçosa-MG e mantidas, no Apiário Central da Universidade Federal de Viçosa.
Para criação de operárias, avaliou-se apenas uma dieta, e para zangões, foram avaliadas 15 dietas. A alimentação das larvas em condições controladas foi feita, diariamente, à temperatura de 34°C e umidade relativa de 96%.
A quantidade de dieta consumida por larva de operária foi: 4, 15, 25, 50 e 70 µl, correspondentes aos primeiro, segundo, terceiro, quarto e quinto dias de alimentação.
A determinação da casta, obtida em condições de laboratório, foi feita pela avaliação das características morfológicas e do peso, pelo emprego de técnicas multivariadas, como a Função Discriminante de Anderson e a Técnica dos Componentes Principais. Todas as abelhas obtidas foram classificadas como sendo operárias e constatou-se que, em relação às características morfológicas e aos pesos, estas abelhas, desenvolvidas em laboratório, foram similares às operárias, desenvolvidas em condições naturais. A sobrevivência média foi de 80,0% e 88,6% até à fase adulta, para as abelhas que receberam uma alimentação e duas alimentações por dia, respectivamente.
Para zangões, apenas seis dietas permitiram sobrevivência até à fase adulta. O consumo total destas dietas, durante a fase larval, foi de 466 a 539 mg. Foram obtidos 50% e 55% de sobrevivência até à fase adulta com a utilização das dietas 8 e 13, respectivamente. Os zangões adultos, alimentados em condições de laboratório,com as dietas 8 e 13, apresentaram pesos semelhantes aos desenvolvidos naturalmente.

RESUMO E CONCLUSÕES

Com o objetivo de obter abelhas operárias em condições de laboratório, foram transferidas larvas, com idade de 18 a 24 horas, provenientes de diferentes colônias, as quais foram alimentadas diariamente. A quantidade de dieta consumida foi determinada para os diferentes dias do desenvolvimento larval. A determinação da casta, obtida no laboratório, foi avaliada por meio de características morfológicas e dos pesos.
Para determinação da casta, utilizaram-se a Função Discriminate de Anderson e a Técnica dos Componentes Principais.
Os resultados obtidos permitiram concluir que:

1. Todas as abelhas, obtidas em laboratório, foram classificadas como operárias.

2. A quantidade de dieta utilizada mostrou-se adequada para o desenvolvimento da criação, em condições de laboratório.

3. A duração das fases de larva e pupa, em condições de laboratório,foram semelhantes àquelas observadas em condições naturais.

4. Os caracteres morfológicos que menos contribuíram para a determinação das castas foram a largura da cabeça e o comprimento do mesoscuto.

5. A alta taxa de sobrevivência, obtida em condições de laboratório, indica a possibilidade de utilização desta técnica para estudos sobre patogênese, resistência a doenças, efeito de antibióticos, toxicidade de inseticidas etc.


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