DOENÇAS HUMANAS GÊNICAS

 

Autora: Beatriz Alemonge de Souza

 

Este trabalho refere-se a Doenças Gênicas humanas o qual são abordadas como exemplo a Anemia Falciforme e o Albinismo, juntamente com suas determinadas descrições (Histórico, Patogênese, Freqüencia, Tratamentos e outros aspectos).

 

1. Introdução

 

Gene é a sequência de nucleotídeos capaz de codificar uma proteína. Além de especificar enzimas, os genes especificam muitas proteínas que exercem outros papéis importantes nas células. Uma das proteínas mais importantes nos seres humanos é a hemoglobina, o pigmento que associado aos glóbulos vermelhos transporta o oxigênio. Sabe-se agora que a mudança de um só aminoácido nessa molécula é a causa da anemia falciforme, ou seja, a substituição de uma base purínica na sequência do DNA por outra, resultando na incorporação da valina, ao invés do ácido glutânico, na cadeia beta da hemoglobina provoca o caráter falciforme. Tal alteração simples na hemoglobina altera gravemente sua capacidade de transportar oxigênio e resulta neste sério distúrbio hereditário. A hemoglobina da maioria das pessoas é conhecida como hemoglobina A . Porém, existem algumas variantes químicas de hemoglobina A que são encontradas em um número pequeno de indivíduos; e uma dessas variantes, a hemoglobina S está envolvida na doença falciforme. O par de alelos com dominância incompleta, responsável por esses tipos de hemoglobina é HbAHbS. A maioria das pessoas pertence ao genótipo HbAHbA . Os indivíduos com anemia falciforme são do genótipo HbSHbS, sendo caracterizados por um conjunto de sintomas, principalmente uma anemia hemolítica crônica. Esta doença é particularmente prevalente em negros nos Estados Unidos e em certos povos da África.

Assim, nas doenças gênicas, um ou mais genes estão alterados e podem ser identificados tanto antes como após o nascimento, são exemplos: Síndrome de Marfan, Fibrose Cística, Albinismo, Doença de Wilson, Distrofia Muscular, Hemoglobinopatias e outras. Em várias dessas doenças, aplicação da tecnologia do DNA trouxe benefícios expressivos.

 

2. Anemia Falciforme

 

As hemoglobinopatias constituem um grupo de doenças genéticas decorrentes de anormalidades na estrutura ou na produção da hemoglobina, molécula presente nos glóbulos vermelhos que leva oxigênio a todas as partes do corpo. As doenças hereditárias causadas por alterações na hemoglobina afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Entre elas destaca-se a anemia falciforme, resultante de uma mutação no gene que codifica a cadeia globina b, levando à formação da hemoglobina de falsificação (HbS), A hemoglobina S, como 90% de outras hemoglobinas anormais, resulta da substituição de um único aminoácido na cadeia globina. A hemoglobina é um tetrâmero de 4 cadeias globina, compreendendo 2 pares de cadeias similares. No adulto normal, a hemoglobina compõe-se de 96% HbA 3% HbA2 e 1% de hemoglobina fetal Hbf. A substituição da valina por glutamina na posição seis da cadeia ß produz a Hbs. No homozigoto toda a HbA é substituída por HbS, enquanto que no heterozigoto, somente cerca da metade é substituída. Assim, esta doença codominante autossômica no heterozigoto, chamada caráter falciforme, é leve; os homozigotos para HbS apresentam a forma completa da anemia falciforme, que afeta os glóbulos ou as células vermelhas do sangue e tem sua manifestação inicial na infância. Torna-se geralmente, aparente no 2o ou no 3o ano de vida, à medida que a hemoglobina fetal (Hbf) vai sendo gradualmente substituída pela hemoglobina de falsificação(Hbs). Na anemia falciforme, os glóbulos podem alterar sua consistência e seu formato, tornando-se rígidos e adotando a forma de foice(figura 1). Nestes casos, podem também agrupar-se e formar tampões, dificultando a circulação sangüínea e, conseqüentemente, a oxigenação dos tecidos. Assim, as manifestações clínicas da doença falciforme são anemia crônica por destruição as hemácias (tipo hemolítico) e os fenômenos trombóticos muitas vezes acompanhados de dor de intensidade que pode ser muito variada. Além de provocar palidez, dificuldades em respirar, e batidas do coração aceleradas, infecções agudas, como meningite, inflamação do baço e derrame cerebral

 

2.1 Principais sintomas da Anemia Falciforme

 

• Crises dolorosas: dor em ossos, músculos e juntas associadas ou não a infecções, exposições ao frio, esforços, etc;

•Palidez, cansaço fácil, icterícia (cor amarelada visível principalmente no branco do olho);

• Úlceras (feridas) nas prenas;

• Nas crianças pode haver inchaço muito doloroso nas mãos e nos pés. Pode haver também seqüestro de sangue no baço, causando palidez muito grande, às vezes, desmaio e aumento do baço;

• Maior tendência a infecções.

 

A anemia falciforme é bastante comum em negros .Cerca de 6 a 10% dos negros americanos são heterozigotos para HbS. Nos Estados Unidos, a anemia falciforme afeta cerca de 1 em 600 negros; em termos mundiais, anemia falciforme é a forma mais comum de anemia hemolítica congênita. No Brasil, atualmente, estima-se que a doença esteja presente em 20 a 30 mil brasileiros, devido a alta taxa de miscigenação difundindo-a em praticamente todos os grupos populacionais, com o aparecimento de 2.500 novos casos por ano, 20% deles não vão atingir a idade de 5 anos, por complicações diretamente relacionadas à hemoglobinopatia. Em seu conjunto, estima-se que 5% de toda população mundial seja portadora de algum distúrbio de hemoglobina.

Os pais que apresentam o traço falciforme tem 25% de possibilidade de gerar filhos com anemia falciforme.

 

2.2 Genética no casamento de dois portadores do traço falciforme

 

 

• 25% normal (AA)

• 50% de traço falciforme (AS)

• 25% de anemia falciforme (SS)

 

 

Embora não exista ainda cura para as hemoglobinopatias, o diagnóstico precoce e a terapia adequada representam papel fundamental na redução da mortalidade nestas crianças. Assim, alertados a tempo sobre o risco de recorrência da doença na família, os pais podem se beneficiar do aconselhamento genético e/ou do diagnóstico pré-natal para uma futura gestação.

 


Figura –1-.   glóbulos  vermelhos do sangue

se alongam e formam células em forma de foice.

 

 

3. Albinismo

 

 Albinismo é a ausência parcial ou total do pigmento melanina na pele, no cabelo e nos olhos. Pessoas de pele clara e rosada, olhos azul acinzentados ou róseo-claros e cabelos esbranquiçados sofrem de albinismo, uma patologia congênita em que os pais, não necessariamente albinos, são portadores do gene causador da doença. Na fecundação , se os dois genes se juntam, as células do bebê não são programadas para produzerem a melanima.

Existe mais de um tipo de albinismo e alguns atingem apenas os olhos. Entretanto, a forma mais perigosa de albinismo é a que determina a total ausência de pigmento por todo o corpo denominada albinismo universal ou óculo-cutâneo .

O albinismo óculo-cutâneo caracteriza-se por uma acentuada hipopigmentação da pele, cabelos e olhos. A pele é branco-leitosa e desenvolve eritemas intensos em resposta à exposição ao sol. O cabelo é branco, amarelado ou pardo-amarelado. Os olhos não têm pigmento na coróide nem na retina, e a íris é diáfana, em geral azul-acinzentada. Invarialvemente ocorrem nistagmo, fotofobia e diminuição da acuidade visual. As pupilas são às vezes vermelhas crianças, mas nos adultos são sempre negras.

Os albinos apresentam grande susceptibilidade ao câncer de pele: sua longevidade está em média diminuida, devido a isso e a acidentes decorrentes da baixa acuidade visual. Os cuidados médicos cnsistem na proteção da pele contra a irradiação solar e no uso de óculos escuros e de grau.

A doença decorre de um bloqueio incurável da síntese de melanina devido à ausência da enzima tirosinase nos melanócitos os quais estão, entretanto, presentes em número normal, mas são incapazes de produzir o pigmento.

O albinismo óculo-cutâneo é um dos erros inatos do metabolismo de terminados por gene autossômico recessivo. Encontra-se consagüinidade entre os pais dos afetados em 20 a 30% dos casos as literatura.

Apesar de condicionadas por mecanismo hereditário autossômico recessivo, distinguem-se atualmente duas formas da doença: albinismo óculo-cutâneo tirosinase-negativo e albinismo óculo-cutâneo tirosinase positivo. Aprimeira forma corresponde à descrita anteriormente pode ser caracterizada mediante um teste de atividade de tirosinase in vitro: ao contrário do que ocorre na forma tirosinase-negativa, melanócitos de bulbos de cabelos de pacientes com variante tirosinase-positiva, são capazes de sintentizar melanina

A diferenciação entre as duas formas apenas por meio de sinais clínicos é raramente possível, pois a única discrepância entre elas é que os albinos tirosinase-positivos, ao contrário dos negativos, podem melhorar de acuidade visual na idade adulta.

Uma das principais evidências para a heterogeneidade genética do albinismo óculo-cutâneo foi fornecida por dois casamentos entre albinos, que tiveram filhos normais, o que se explica pela existência de dois locos autossômicos distintos, um capaz de albergar alelos A(normal) de a (albinismo tirosinase-negativo) e o outro os alelos B(normal) e b(albinismo tirosinase-positivo). O indivíduo 1 é aaBB(albino tirosinase-negativo e homozigoto normal qunato  ao loco dod albinismo tirosinas-positivo) e o indivíduo 2 é Aabb (albino tirosinase-positivo e homozigoto normal quanto ao loco do albinismo tirosinase-negativo), e todos os filhos, são portanto normais (duplo-heterozigoto).

O albinismo óculo-cutâneo tirosinase-positvo ocorre com uma frequência aproximada de 1/40000 entre caucasóides e de 1/15000 entre negros americanos; o albinismo tirosinase-negativo ocorre com frequência de 1/40000 (brancos) e de 1/30000 (negros).

O diagnóstico diferencial do albinismo óculo cutâneo deve ser realizado com as seguintes doenças hereditárias:

• Albinismo parcial: de  herança autossômica dominante, caracteriza-se pela ausência de pigmentação em zonas bem delimitadas da pele ou do cabelo, sem comprometimento do globo ocular;

• Albinismo ocular: condicionado por gene  recessivo localizado no cromossomo X e no  qual a pigmentação da pele e do cabelo normal, porém a melanina do epitélio pigmentar da retina está ausente.

Figura –2    Criança albina.

 


De uma forma geral, não há meios de prevenir o albinismo. Casais de famílias com histórico da  doença devem passar por um trabalho de  aconselhamento genético par evitar que seus filhos nasçam albinos. Não são necessários testes para diagnosticar o albinismo, pois seus sintomas são bem visíveis. A doença de forma alguma modifica ou diminui a expectativa de vida de seus portadores, mas o cotidiano de quem tem albinismo é limitado por causa da intolerância à luz solar. O câncer de pele e a cegueira são as maiores ameaças para essas pessoas, o que exige um monitoramento constante desses riscos.

 

 


Bibliografia

 

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