O presente trabalho tem como objetivo primordial relacionar as principais aberrações cromossômicas constatadas no homem. Também identificar causa e origem das principais anomalias dos cromossomos autossomos e sexuais. Além de avaliar o risco de ocorrência destas nas famílias.
Das anomalias cromossômicas sexuais existentes, a Síndrome de Turner e a Síndrome de Klinefelter foram relatadas nesse trabalho. Também relatou-se as seguintes síndromes ligadas às aberrações dos autossomos: S. de Down, S. de Patau, S. de Edwards, S. do Miado, S. 13q- e 13r, S. 18q- e S. do Olho de Gato.
2.Síndrome de Turner
É
uma monossomia na qual os indivíduos afetados exibem sexo feminino mas
geralmente não possuem cromatina sexual. O exame de seu cariótipo comumente
revela 45 cromossomos, sendo que do par dos sexuais há apenas um X; dizemos que
esses indivíduos são XO (xis zero), sendo seu cariótipo representado por 45,X.
Muitas dessas concepções terminam em aborto; é provável que 97% desses
conceptos sejam eliminados chegando a termo apenas 3%, de modo que essa
monossomia constitui uma das causas mais comuns de vida intra uterina.. Por isso
é uma anomalia cromossômica rara, atingindo apenas um dentre três mil mulheres
normais.
Trata-se,
fundamentalmente, de mulheres com disgenesia gonadal, isto é, cujos ovários são
atrofiados e desprovidos de folículos, portanto, essas mulheres não procriam,
exceto em poucos casos relatados de Turner férteis, em cujos ovários certamente
há alguns folículos. Devido à deficiência de estrógenos elas não desenvolvem as
características sexuais secundárias ao atingir a puberdade, sendo, portanto, identificadas facilmente pela
falta desses caracteres; assim, por exemplo, elas não menstruam (isto é, tem
amenorréia primária). Quando adultas apresentam geralmente baixa estatura, não
mais que 150 cm; infantilismo genital- clitóris pequeno, grandes lábios
despigmentados, escassez de pelos pubianos-; pelve andróide, isto é,
masculinizada; pele frouxa devido à escassez de tecidos subcutâneos, o que lhe
dá aparência senil; unhas estreitas; tórax largo e em forma de barril;
alterações cardíacas e ósseas. No recém nascido, há freqüentemente edemas nas
mãos e nos pés, que leva a suspeitar de anomalia.
As
primeiras observações realizadas com indivíduos severamente afetados associavam
à síndrome de Turner a algum grau de deficiência mental. Posteriormente ficou
evidente que estas pacientes têm um desenvolvimento cognitivo alterado apenas
qualitativamente, pois elas possuem uma inteligência verbal superior à das
mulheres normais, compensando assim, as suas deficiências quanto à percepção
forma-espaço. Disto resulta que o nível intelectual global das Turner é igual
ou, mesmo levemente superior ao da população feminina normal.
Por
outro lado, não exibem desvios de personalidade, o que significa, inclusive,
que sua identificação psicossocial não é afetada.
Em
decorrência da disgenesia ovariana, a única fonte de estrógeno para essas
pessoas são as supra-renais; como a taxa desses hormônios é baixa, as pacientes
devem receber aplicações de estrógenos para estimular o desenvolvimento dos
caracteres sexuais secundários e o aparecimento da menstruação. Usualmente esse
tratamento tem início aos 16 anos para evitar que os estrógenos aplicados
retardem ainda mais o crescimento.

Cariótipo
Sindrômico

Paciente
com síndrome de Turner, 45,X, com 15 anos de idade. Operada de coartação da
aorta.
Sindrômico

Recém-nascida
com S. de Turner, 45,X, apresentando pescoço anômalo e linfedema dos pés.
3. Síndrome de Klinefelter
São
indivíduos do sexo masculino que apresentam cromatina sexual e cariótipo geralmente
47,XXY. Eles constituem um dentre 700 a 800 recém-nascidos do sexo masculino,
tratando-se portanto, de uma das condições intersexuais mais comuns. Outros
cariótipos menos comuns são 48,XXYY; 48,XXXY; 49,XXXYY e 49,XXXXY que,
respectivamente, exibem 1, 2 e 3 corpúsculos de Barr.
A
característica mais comum em um homem com Síndrome de Klinefelter (SK) é a
esterilidade. Adolescentes e adultos com SK possuem função sexual normal mas
não podem produzir espermatozóides e portanto não podem ser pais. Está presumido
que todos os homens sindrômicos são inférteis.
Freqüentemente
adolescentes masculinos com SK podem sofrer desenvolvimento de seios. De fato,
isto não é muito diferente de meninos sem SK que também podem apresentar o
desenvolvimento de seios durante a puberdade, entretanto em meninos normais os
seios são temporários e tendem a desaparecer, enquanto naqueles que apresentam
a síndrome eles podem persistir e aumentar de tamanho. Em alguns casos torna-se
necessária a remoção cirúrgica.
Apesar
de muitos meninos sindrômicos serem altos eles podem não ser particularmente
atléticos ou coordenados. O pênis é usualmente de comprimento médio, apesar dos
testículos serem pequenos. Também podem apresentar uma diminuição no
crescimento de barba.
Estudos
indicam uma dificuldade para falar e problemas de linguagem que contribuem para
problemas sociais e/ou aprendizagem. Meninos com SK podem ter menos confiança
em sua masculinidade, ser mais imaturos, carentes e dependentes em comparação
com seus irmãos e outros meninos de sua idade.
Ainda
podem ser levemente passivos, muito sensíveis, ter falta de iniciativa e
possuírem uma auto-estima frágil.
Fisicamente
são quase indistinguíveis dos homens com cariótipo 46,XX.
Até 1960 a prova definitiva para o
diagnóstico era fornecida pelo exame histológico dos testículos que, mesmo após
a puberdade, revela ausência de células germinativas nos canais seminíferos;
raros são os casos de Klinefelter férteis que, evidentemente, apresentam alguns
espermatozóides normais. Atualmente a identificação dos Klinefelter é
assegurada pelo cariótipo e pela pesquisa da cromatina sexual.
Sumário
das Características da síndrome de klinefelter:
Muitos homens têm sido
avaliados e as quatro condições mais comuns encontradas são:
- Esterilidade
- Desenvolvimento de
seios (Ginecomastia)
- Características
masculinas incompletas
- Problemas sociais
e/ou de aprendizagem
Outras possíveis características
Enquanto as
características acima são as mais comuns, ocasionalmente outras são relatadas
por seus familiares:
- Preferência por
jogos calmos
- São freqüentemente
carentes e reservados
- Tremores na mãos
- Frustração causa
explosão de temperamento
- Dificuldade de
concentração
- Baixo nível de
atividade
- Baixo grau de
paciência
- Dificuldade de despertar
pela manhã
- Baixa auto-estima
Tratamento
O
maior efeito do cromossomo X extra em meninos é a função dos testículos, pois
eles produzem o maior hormônio sexual masculino, a testosterona e a quantidade
deste hormônio pode ser reduzida. Quando estes meninos estão entre 10 e 12 anos
de idade é muito útil medir periodicamente o nível de hormônios no sangue, para
verificar sua normalidade. Caso o nível de testosterona encontre-se baixo isso
irá resultar na diminuição das mudanças sexuais que ocorrem durante a
puberdade.
Na
ocorrência de outras características apontarem para o metabolismo com falta do
nível existente de hormônios, então o tratamento com hormônios sexuais
masculinos é usualmente muito benéfico
A
forma mais comum de tratamento envolve administrar uma vez ao mês através de
injeção Depotestosterona, uma forma sintética de testosterona. A dose necessita
ser aumentada gradualmente e ser aplicada mais freqüentemente quando o menino
torna-se mais velho. O tratamento deve resultar na progressão normal do
desenvolvimento físico e sexual, incluindo o crescimento de pêlos púbicos e o
aumento do tamanho do pênis e escroto, crescimento da barba, agravamento da
voz, aumento do tamanho e da força muscular.
Outros benefícios são.
- Claridade de
raciocínio
- Melhor retenção de
detalhes
- Mais energia e um
alto grau de concentração
- Diminuição do tremor
nas mãos
- Melhora do alto
controle
- Melhora da atividade
sexual
- Facilidade na
aprendizagem e assentamento no trabalho
- Melhora da
autoestima.
Nota: Homens com SK
são capazes de completar normalmente a função sexual, incluindo ereção e
ejaculação.
Porém são
impossibilitados de produzirem quantidade normal de sêmen para tornarem-se
pais.
Cariótipo


Sindrômico
Jovem
do sexo masculino, 17 anos, com síndrome de Klinefelter.
Principal
Queixa, ginecomastia (Cortesia W.B. Saunders Co.)

Sindrômico
Paciente
B. H. M., com síndrome de Klinefelter
(gentileza
do Dr. Sérgio P. A. Toledo, da Santa C. M. do Hospital das Clínicas da
Universidade de São Paulo)
4. Síndrome de Down (Mongolismo)
É
devida à trissomia do cromossomo 21 e ocorre com a freqüência de 1 caso para
500 a 600 nascimentos normais. Causa, seguramente, mais deficientes mentais que
qualquer outra doença. A síndrome de Down constitui a primeira anormalidade
cromossômica descrita para o homem, pois Lejeune, já em 1959, demonstrou que os
indivíduos com síndrome de Down apresentam excesso de um pequeno cromossomo
acrocêntrico. De acordo com a classificação de Denver, trata-se de um
cromossomo do grupo G; porém é impossível saber com certeza se se trata do
cromossomo 21 ou do 22, pois ambos são morfologicamente idênticos. Em todo
caso, deve tratar-se sempre do mesmo cromossomo que se encontra triplicado em
todos os mongolóides; por convenção, este cromossomo é considerado como sendo o
21.
A
identificação dos mongolóides, principalmente dos brancos, é fácil pois a aparência
dos pacientes é típica. A característica mais marcante é o retardamento mental,
pois seu QI varia entre 15 e 50. Outras características são a face achatada, a
existência de uma prega típica no canto dos olhos, a língua saliente e sulcada,
a dentição irregular, as orelhas pequenas e deformadas.
O
abdômen costuma ser saliente e o tecido adiposo é abundante. A genitália é
pouco desenvolvida; nos homens o pênis é pequeno e há criptorquidismo e na
mulheres os lábios e o clitóris são pouco desenvolvidos; embora não se conheça
nenhum caso de homem afetado que tenha se reproduzido, as mulheres mongolóides
são férteis. Os dedos são, freqüentemente, curtos e grossos e com falta de uma
falange no dedo mínimo; nas palmas das mãos é comum a existência de uma prega
transversal denominada prega simiesca. A pele é flácida determinando o
aparecimento de rugas nas frontes e os ligamentos são frouxos causando uma
marcha insegura; defeitos congênitos do coração são freqüentes. Em conseqüência
das anomalias cardíacas e de uma baixa resistência às infecções, a longevidade
dos mongolóides costuma ser reduzida; hoje, os cuidados médicos aumentam
sensivelmente as possibilidades de sobrevivência dos mongolóides.
No
recém-nascido não se nota o principal sintoma de mongolismo, ou seja, o
retardamento mental. Peso inferior ao normal, orelha disforme, prega simiesca e
outros achados são algumas indicações que recomendam a realização do exame
citogenético.
Um dado que levanta a
suspeita para a síndrome de Down é a idade materna, pois o acontecimento é
tanto mais freqüente quanto mais idosa for a mãe; de fato 60% dos mongolóides
são filhos de mulheres com mais de 30 anos. O risco de uma mulher com menos de
30 anos ter filhos mongolóides é de aproximadamente 1:3000; em mulheres entre 30
e 35 anos o risco aumenta para 1:600, chegando, nas mulheres, nas mulheres com
mais de 45 anos, até 1:50.
A
causa desse efeito da idade materna reside na ovogênese: ocorre que, por época
do nascimento de uma menina, os ovócitos encontram-se na prófase I e, logo após
o nascimento, interrompem a meiose por um período que dura de 12 a 50 anos (da
menarca à menopausa). Quanto mais longo for esse período, por mais tempo
permanecem interrompidas as meioses dos ovócitos e mais influências ambientais
(radiações, medicamentos, infecções) podem alterar a segregação dos cromossomos
originando, em conseqüência, maior número de óvulos aneuplóides.
Um
fator independente da idade e que possivelmente aumenta a ocorrência de zigotos
aneuplóides é que, ao ser lançado na tuba, o ovócito encontra um meio diferente
daquele em que permaneceu vários anos; desse modo, ele fica exposto à ação de
fatores ambientais, tornando-se mais vulnerável à ocorrência de
não-segregações. Relacionado com esse aspecto, há indícios de que a ocorrência
de relações sexuais esporádicas, isto é, esparsas, aumenta a chance de
nascimento de crianças mongolóides visto que, nesse caso, o ovócito leva mais
tempo para ser fertilizado. É evidente que a diminuição na freqüência dos
encontros sexuais atinge principalmente mulheres com mais de 35 anos, como
conseqüência do aumento de duração do casamento. A comprovação dessa hipótese
seria útil no aconselhamento genético, em geral como medida preventiva.
Devido
à alta correlação entre incidência de mongolismo e idade materna, acreditou-se,
durante muito tempo, que o cromossomo extra fosse sempre originário de uma
não-segregação ocorrida na ovulogênese, predominantemente na primeira divisão
meiótica. Dados recentes provenientes da aplicação das técnicas de bandeamento,
revelam, no entanto, que cerca de 20% dos casos de trissomia do 21 derivada
falta de segregação ocorrida na gametogênese paterna. Nesse casos, o aumento da
idade paterna também acarreta aumento na ocorrência das aneuploidias, porém
esse efeito só é constatado claramente em pais com idade superior a 55 anos;
como a paternidade nessa idade é relativamente rara, esse fato não foi
percebido com a mesma facilidade como nas mulheres com mais de 35 anos.
idade materna em qualquer gestação após o nascimento de um mongolóide
menos de 29 anos 1 em 3000 1 em 1000
30 --- 34 1 em 600 1 em 200
35 --- 39 1 em 280 1 em 100
40 --- 44 1 em 70 1 em 25
45 --- 49 1 em 40 1 em 15
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Contudo,
mulheres jovens também podem gerar filhos mongolóides quando ela, ou seu
cônjuge, possuem um cromossomo anormal. Alguns desses tipos de cromossomos são
formados pela translocação entre um cromossomo 21 e um do grupo D, geralmente o
14 ou, mais raramente o 13 ou 15; ou ainda pela translocação entre dois
cromossomos G, ou seja, entre os dois 21 ou entre um 21 e um 22.
A
translocação D/G é responsável pelo nascimento de aproximadamente 2,5% dos
mongolóides; estas crianças apresentam 46 cromossomos, dos quais dois são
normais, um 14 (ou 13 ou 15) normal e o terceiro 21 translocado sobre o outro
14 (ou 13 ou 15). Dessa forma, esses pacientes têm o cromossomo 21 em dose
tríplice, apresentando, portanto, as mesmas características que os possuidores
da trissomia simples.
Dentre
os mongolóides com translocação, cerca de metade herda o cromossomo translocado
de um dos genitores enquanto que a outra metade corresponde a casos
esporádicos. Dentre os primeiros, uma minoria recebe o cromossomo translocado
do pai, o que nos leva a supor que os espermatozóides normais levam vantagem em
relação aos que transportam o cromossomo translocado; isso não ocorre com os
óvulos, pois os dois tipos - normais e aneuplóides- são igualmente viáveis.
Por
isso, quando uma mulher jovem deu luz a um mongolóide e pretende ter outros
filhos, é recomendável que se faça o cariótipo dela e o do marido. Esse
cariótipo poderá revelar que algum dos dois, embora sejam fenotipicamente
normal, possui um translocação balanceada: ela exibe 45 cromossomos dos quais
44 são normais e um é translocado formado pela união de 14 (ou 15) com um 21.
Como
se nota, essa mulher tem o material genético completo, de modo que é
fenotipicamente normal, porém, 20 % de seus descendentes são mongolóides. A
explicação para esse fato é que na gametogênese dessa mulher podem se originar
seis tipos de óvulos que, fecundados por espermatozóides normais, originam seis
tipos possíveis de zigotos.
Dois
seis tipos de zigotos possíveis três são letais, dois originam indivíduos
normais e um origina mongolóide por translocação. Assim, a descendência dessas
mulheres deveria ser de 1/3 de mongolóides, provavelmente devido ao fato de que
os indivíduos com trissomia são mais sujeito a à morte intra uterina.
Outro
caso no qual mulheres jovens geram filhos mongolóides resulta na translocação
de um cromossomo 21 para o outro 21. Se uma pessoa tiver uma translocação
balanceada 21/21 será fenotipicamente normal, porém todos os seus filhos serão
afetados pela síndrome de Down; este é um dos poucos casos existentes na Genética
Médica em que há um risco extremamente alto de gerar anormalidade.
Já
nos casos de translocação 21/22 o risco de conceber crianças mongolóides é de
5% se a translocação afeta o pai e de 16% se ela afeta a mãe.
Cariótipo

Sindrômico

Paciente
com síndrome de Down exibindo a fácies características
5. Síndrome de Patau
A trissomia 13 foi reconhecida pela
primeira vez por Patau e cols. O fenótipo dos afetados é tão evidente que o
diagnóstico é geralmente baseado em dados clínicos, muitas vezes antes de se
conhecer o resultado do cariótipo. A sua incidência foi estimada em cerca de 1
caso para 6000 nascimentos. Aproximadamente 45% dos afetados falecem após 1 mês
de vida; 70%, aos 6 meses e somente menos de 5% dos casos sobrevivem mais de 3
anos. A maior sobrevida relatada na literatura foi a de 10 anos de idade.
Também
está associada à idade materna, sendo que em 40% dos casos a idade da mãe é
superior a 35 anos.
A
cabeça é pequena, os olhos- pequenos ou ausentes- são extremamente afastados, orelhas
deformadas e baixamente implantadas, pescoço curto, anomalias cardíacas, renais
e sexuais, lábio leporino e palato fendido.
Sindrômico


Criança de 1 mês com síndrome de Patau. Note o
hemangioma na glabela, microftalmia, lábio leporino e fenda palatina.
6. Síndrome de Edwards
Deve-se
à trissomia do 18. Também está associada à idade materna, pois mais da metade
dos casos são gerados por mulheres com mais de 35 anos de idade.
As anomalias são tão severas que
levam o paciente à morte antes da primeira infância. Os indivíduos têm escasso
desenvolvimento físico e mental, crânio excessivamente alongado, boca pequena e
triangular, orelhas deformadas e implantadas baixo, defeitos cardíacos, atrofia
dos ossos dos pés e unhas, dedo indicador longo que, tipicamente, se flexiona
sobre o médio.

Sindrômico
Paciente
7 meses com a síndrome de Edwards
7. Síndrome do Miado
A síndrome do miado (síndrome 5p-),
já conta, atualmente, com mais de 150 casos documentados na literatura. Estima-se
que a síndrome seja de incidência não muito freqüente, haja vista que, até o
momento, o número é provavelmente inferior a 1000. Mesmo assim, acredita-se que
essa anomalia esteja presente em 1% dos indivíduos excepcionais com QI abaixo
35.
A deficiência ou deleção do braço do
cromossomo 5 determina a síndrome do miado, que recebeu esse nome pelo fato de
que as crianças afetadas têm um choro que lembra o miado de um gato. Os
pacientes têm cabeça pequena (microcefalia), orelhas disformes, atrofia dos
membros que ocasiona retardamento neuromotor e retardamento mental acentuado.
Sumário para Síndrome do Miado:
- microcefalia;
- deficiência mental;
- micrognatia;
- assimetria facial;
- orelhas mal formadas
e de implantação baixa;
- hipertelorismo ocular
(aumento da distância entre os olhos);
- fenda palpebral
oblíqua;
- nariz achatado.

Sindrômico
Paciente
de 5 meses com síndrome do miado (5p-).
8. Síndromes 13q e 13r
Existem na literatura mundial mais de
50 publicações sobre indivíduos possuidores de deficiência parcial no braço
maior de um cromossomo 13 (13q-) ou que possuíam um cromossomo em anel (13r).
Ausência ou hipoplasia do polegar, defeito cerebral grave, bolsa escrotal
bífida com genitália ambígua, anomalias oculares, cardiopatia congênita e
fáceis com características específicas que constituem as principais
manifestações destas alterações no cromossomo 13.
Estudando alguns pacientes com
deficiência no braço maior do 13, Niebuhr e Ottsen fizeram a tentativa de
sistematizar a síndrome resultante, dividindo a mesma em três grupos distintos.
O primeiro grupo representa
defeciências da bandas cromossômicas q32 e q34. Clinicamente, estes
pacientes exibem uma deficiência mental grave, microcefalia, hipertelorismo
ocular, bossa frontal, deslocamento anterior dos incisivos superiores dando o
aspecto de dentes de coelho e orelhas grandes com sulcos profundos. No
cariótipo, um dos cromossomos 13 se apresenta com perda de material nas
cromátides, às vezes tomando a forma de um anel.
O segundo grupo apresenta
deficiências da banda q32 e parte da q31. Estes pacientes caracterizam-se
clinicamente pelo atraso mental, microcefalia, ausência ou hipoplasia dos
polegares, agenesia do primeiro metacarpiano e fusão do quarto e quinto
metacarpianos. Malformações graves da genitália externa no sexo masculino são
freqüentemente observadas neste grupo de pacientes. O cariótipo, com a técnica
de bandeamento, evidencia o segmento cromossômico deficiente.
Finalmente, o terceiro grupo
representa uma deficiência intersticial da banda q21. Estes pacientes
apresentam retinoblastoma, com ou sem
defeitos congênitos associados.

Sindrômico
Síndrome
13q-.
9. Síndrome 18q-
Esta anomalia foi descrita, pela
primeira vez, em 1964 por de Grouchy, e sua incidência parece ser rara. O
atraso mental é profundo na maioria dos afetados, com QI menor que 30. As
dismorfias presentes são características, ressaltando a retração da porção
média da face, lábio superior em forma de “chapéu de guarda” e exagero nos
relevos das bordas das orelhas. Existem pequenas fossetas ao nível de várias
articulações. Nas mãos, os dedos são longos e afinados distalmente. Os olhos
são locais de numerosas malformações.
10. Síndrome do olho de gato
A associação do coloboma de íris
e/ou atresia anal com um cromossomo adicional do grupo G foi descrita em mais
de 25 pacientes.Com o uso de bandeamento pela fluorescência, a evidência
anterior de que a síndrome representa uma trissomia parcial do cromossomo 22 (22q+)
foi confirmada. As principais características fenotípicas apresentadas pela
maioria dos afetados são as seguintes: atraso psicomotor acentuado, coloboma de
íris conferindo aspecto de pupila de gato, inclinação antimongolóide das fendas
palpebrais, papilomas ou fístulas pré-auriculares, orelhas anormais, atresia
anal, anomalias gênito-urinárias e defeito cardíaco.
Quando presente, o defeito cardíaco
é a principal causa de morte. A sobrevida dos afetados ainda não está bem
estabelecida, mas existem alguns pacientes com mais de 10 anos de idade, e um
com 20 anos. Alguns afetados são mosaicos para a síndrome e isso pode
contribuir para um amplo espectro na expressão fenotípica dessa anomalia
autossômica.

Sindrômico
Paciente
de 9 meses com a síndrome do olho de gato
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