CÂNCER DE MAMA

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Lauro J. Moreira Guimarães, 37148

 

 

PALAVRAS CHAVE:

CÂNCER

CÂNCER DE MAMA

 

INTRODUÇÃO

 

 

CÂNCER

 

 

As causas de câncer são variadas, podendo ser externas ou internas ao organismo, estando ambas inter-relacionadas. As causas externas relacionam-se ao meio ambiente e aos hábitos ou costumes próprios de um ambiente social e cultural. As causas internas são, na maioria das vezes, geneticamente pré-determinadas, estão ligadas à capacidade do organismo de se defender das agressões externas. Esses fatores causais podem interagir de várias formas, aumentando a probabilidade de transformações malignas nas células normais.

De todos os casos, 80% a 90% dos cânceres estão associados a fatores ambientais. Alguns deles são bem conhecidos: o cigarro pode causar câncer de pulmão, a exposição excessiva ao sol pode causar câncer de pele, e alguns vírus podem causar leucemia. Outros estão em estudo, tais como alguns componentes dos alimentos que ingerimos, e muitos são ainda completamente desconhecidos.

 O envelhecimento traz mudanças nas células que aumentam a sua suscetibilidade à transformação maligna. Isso, somado ao fato de as células das pessoas idosas terem sido expostas por mais tempo aos diferentes fatores de risco para câncer, explica em parte o porquê de o câncer ser mais freqüente nesses indivíduos. Os fatores de risco ambientais de câncer são denominados cancerígenos ou carcinógenos. Esses fatores atuam alterando a estrutura genética (DNA) das células.

O surgimento do câncer depende da intensidade e duração da exposição das células aos agentes causadores de câncer. Por exemplo, o risco de uma pessoa desenvolver câncer de pulmão é diretamente proporcional ao número de cigarros fumados por dia e ao número de anos que ela vem fumando.

 


 

 

 


Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo.

As células dos diversos órgãos do nosso corpo estão constantemente se reproduzindo, isto é, uma célula adulta divide-se em duas, e por este processo, chamado mitose, vai havendo o crescimento e a renovação das células durante os anos. A mitose é realizada controladamente dentro das necessidades do organismo. Porém, em determinadas ocasiões e por razões ainda desconhecidas, certas células reproduzem-se com uma velocidade maior, desencadeando o aparecimento de massas celulares denominadas neoplasias ou, mais comumente, tumores.

Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas. Por outro lado, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco de vida.

Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de célula. Se o câncer tem início em tecidos epiteliais como pele ou mucosas ele é denominado carcinoma. Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma.

Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases).

 


 

 

 


O Câncer de Mama

 

O câncer de mama é provavelmente o mais temido pelas mulheres devido à sua alta freqüência e sobretudo pelos seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção de sexualidade e a própria imagem pessoal. Ele é relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente.

Este tipo de câncer representa nos países ocidentais uma das principais causas de morte em mulheres. As estatísticas indicam o aumento de sua freqüência tantos nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes em suas taxas de incidência ajustadas por idade nos registros de câncer de base populacional de diversos continentes. Tem-se documentado também o aumento no risco de mulheres migrantes de áreas de baixo risco para áreas de risco alto. Nos Estados Unidos, a Sociedade Americana de Cancerologia indica que uma em cada 10 mulheres tem a probabilidade de desenvolver um câncer de mama durante a sua vida.

No Brasil, o câncer de mama é o que mais causa mortes entre as mulheres. Dos 269.000 novos casos de câncer com previsão de serem diagnosticados em 1998, o câncer de mama será o principal a atingir a população feminina, sendo responsável por 32.695 novos casos e 7.165 óbitos.

 

Sintomas

 

O sintoma do câncer de mama já localmente detectável ao exame físico é o aparecimento de nódulo ou caroço no seio, com ou sem irritação e dor no local.

 

 

A Estrutura das Mamas

 

As glândulas mamárias, que têm como principal função a secreção do leite, estão situadas na parede anterior do tórax e se compõem de:

 

Ácino - menor parte da glândula e responsável pela produção do leite durante a lactação;

Lóbulo mamário - conjunto de ácinos;

Lobo mamário - conjunto de lóbulos mamários que se liga à papila através de um ducto;

Ductos mamários - em número de 15 a 20 canais, conduzem a secreção (leite) até a papila;

Tecido glandular - conjunto de lobos e ductos;

Papila - protuberância elástica onde desembocam os ductos mamários;

Aréola - estrutura central da mama onde se projeta a papila;

Tecido adiposo - todo o restante da mama é preenchido por tecido adiposo ou gorduroso, cuja quantidade varia com as características físicas, estado nutricional e idade da mulher.

 


 

 

 


As primeiras metástases comumente aparecem nos gânglios linfáticos das axilas. Os ossos, fígado, pulmão e cérebro são outros órgãos que podem apresentar metástases de câncer de mama. Calcula-se em seis a oito anos o período necessário para que um nódulo atinja um centímetro de diâmetro.

Esta lenta evolução possibilita a descoberta ainda cedo destas lesões, se as mamas são, periodicamente, examinadas.

 

 


 

 


ESTRUTURA NORMAL DA MAMA

 

A mama passa por diversas alterações ao longo da vida, assim a amamentação, a época do ciclo mestrual  e a idade da mulher são responsáveis por modificações no tamanho, consistência e forma do seio. Além disso, a comparação das mamas pode mostrar uma pequena diferença entre elas, pois geralmente não são simétricas.

As alterações na mama são decorretes de influência hormonal ( níveis de estrogênio e progesterona que ocorrem desde a fase intra-útero até a menopausa.

Além desses outros hormônios também estão envolvidos no desenvolvimento, alterações variáveis e  involução do tecido mamário.

 

 

 

 

Nas neoplasias malignas o crescimento é mais rápido, desordenado e infiltrativo; as células não guardam semelhança com as que lhes deram origem e têm capacidade de se desenvolver em outras partes do corpo, fenômeno este denominado metástase, que é a característica principal dos tumores malignos.

O câncer de mama geralmente se apresenta como um nódulo na mama.

 

 

Tecido Mamário

 

As mulheres mais jovens apresentam mamas com maior quantidade de tecido glandular, o que torna esses órgãos mais densos e firmes.

Ao se aproximar da menopausa, o tecido mamário vai-se atrofiando e sendo substituído progressivamente por tecido gorduroso, até se constituir, quase que exclusivamente, de gordura e resquícios de tecido glandular na fase pós-menopausa.

Essas mudanças de características promovem uma nítida diferença entre as densidades radiológicas das mamas da mulher jovem e da mulher na pós-menopausa.

Aspecto radiológico do tecido mamário

 


 

 

 


Ocorrência do Câncer de Mama

 

 

O câncer de mama constitui-se é o tipo mais comum de tumor entre as mulheres e, depois do câncer de pulmão, o mais letal (MARSHALL, 1993).

O maior fator de risco para o câncer de mama é a idade, as taxas de incidência aumentam rapidamente após os 30 anos, embora esta taxa seja atenuada após a menopausa. Com relação à etnia, estudos mostram que há maior ocorrência entre mulheres negras que em caucasianas, revertendo o quadro em idades mais avançadas.

Além destes fatores observa-se que a história familiar, menarca precoce, gravidez tardia, menopausa tardia, radiação e expressão de estrógeno pós-menopausa aumentam a incidência (WILLETT, 1995). Além dos fatores de susceptilidade, o risco de câncer de mama também está relacionada à flutuações hormonais (RUDDON, 1987)

 

 

O Fator de Risco

 

Infelizmente, qualquer mulher pode vir a ter um câncer de mama. No entanto, há determinados grupos de mulheres com maiores possibilidades de terem a doença. Essas mulheres têm em comum certas características denominadas fatores de risco. Vale dizer, elas apresentam condições favoráveis ao desenvolvimento da doença mas não obrigatoriamente terão o câncer de mama; apenas há maior probabilidade de tê-lo quando comparadas com a população feminina em geral, que não apresenta esses fatores.

O câncer de mama ocorre com muito maior freqüência nas mulheres que nos homens, numa proporção de 100 casos femininos para 1 masculino.

 Nas mulheres a doença é mais freqüentemente descoberta entre os 40 e os60 anos de idade.

 

 

Fatores de Risco Genéticos e Clínicos

 

Genéticos - Entre os vários aspectos relacionados com o risco de desenvolvimento do câncer de mama, o fator familiar é, talvez, o mais aceito na comunidade científica. Mulheres com mãe ou irmã com câncer de mama apresentam duas a três vezes mais risco; e, se ambas, mãe e irmã, tiverem a doença, o risco aumenta ainda mais, especialmente se a doença delas tiver ocorrido antes da menopausa.

Clínicos - As mulheres que já apresentaram câncer em uma das mamas têm maiores probabilidades de vir a desenvolver câncer na outra mama, já que todos os fatores determinantes do câncer de mama (genéticos, hormonais etc.) permanecem e se direcionam à outra mama.

Considera-se que as hiperplasias mamárias, que fazem parte do grupo das chamadas alterações funcionais benignas da mama, apresentam um risco relativo aumentado para o câncer de mama. As hiperplasias atípicas têm um risco maior que as típicas.


 

 

 

 


Eventos Moleculares que Atuam na Ocorrência do Câncer

 

A correlação entre carcinogênese (a ocorrência do câncer) e mutagênese (produção de uma mudança da seqüência do DNA) é clara entre carcinógenos químicos, os quais normalmente provocam uma simples mudança na seqüência nucleotídica. O aparecimento do câncer é dependente de muitos fatores, entretanto agentes carcinogênicos aumentam a probabilidade de ocorrência de eventos críticos (ALBERTS, et al. 1995).

 

 

Possíveis Indutores do Câncer de Mama

 

O tempo de exposição à hormônios parece exercer um importante papel na susceptibilidade do câncer de mama em mulheres. A função destes no desenvolvimento de tumores tem sido deduzida do conhecimento de fatores de risco associados à doença. Estudos tem demonstrado que mulheres com alto risco de câncer de mama, apresentam elevados níveis plasmáticos de prolactina, progesterona e estrógeno (HENDERSDON , et al. 1997).

 

 

O Selênio

 

O selênio é essencial para a saúde. No caso de doenças crônicas como arterosclerose, câncer, artrite, cirrose e efisema, há fortes indícios de que o selênio atue como elemento protetor (HENDLER,1997).

Por muitos anos o selênio foi considerado tóxico para animais, em locais onde se encontra em grande quantidade no solo sob a forma de selenito ou selenato. Entretanto, mais recentemente descobriu-se que este elemento em quantidades muito pequenas é necessários na dieta (LEHNINGER, 1991).

Níveis sangüíneos de selênio têm se apresentado mais altos em indivíduos saudáveis do que apresentaram diversas formas de câncer. (HENDLER, 1997)

Quando combinado com aminoácidos é componente essencial do grupo prostético de várias enzimas e, particularmente da glutationa peroxidase, a qual junto com o peptídeo glutationa atua na proteção das células contra o peróxido de hidrogênio. O sítio ativo da glutationa peroxidase contém selenocisteina, um aminoácido raro, onde o átomo de enxofre é substituído pelo átomo de selênio (LEHNINGER, 1991). Na alimentação, frutos do mar, rins e fígado constituem fontes de selênio (WATSON, 1997)

Na síntese da selêniocisteína, um átomo de selênio toma o lugar de um átomo de enxofre na cisteína ligada à um tipo especial de tRNA. O tRNA tem afinidade por um sinal presente no mRNA que codificam a proteína utilizando a selenocisteína (ALBERTS, 1995).

 

 

Displasia Mamária

 

A displasia mamária ou hiperplasia cística, é acometimento extremamente comum da mama feminina, tida como desequilíbrio endócrino que resulta em um distorção das alterações mamárias cíclicas que ocorrem no ciclo menstrual normal. Caracteriza-se por quatro padrões morfológicos dominantes:

 

1) fibrose; 2) formação cística;

 

3) adenose esclerosante e 4) hiperplasia epitelial ductal.

 

A presença de grandes quantidades de estrógeno é básico para o desenvolvimento da displasia. Experimentalmente, injeções de estrógeno induzem a formação de cistos mamárias em camundongos fêmeas.

 

Fibrose

 

Caracteriza-se pelo crescimento excessivo do tecido fibroso do estroma, sem a ocorrência proeminente da hiperplasia epitelial. Afeta comumente o quadrante superior externo, podendo afetar outras regiões e com acometimento bilateral.

 

Formação cística

 

Na formação cística há a formação de cistos, eventualmente acompanhada por hiperplasia estromal e epitelial. Sua formação é atribuída à hiperplasia do epitélio do ducto e à dilatação dos ductos a cada ciclo menstrual.

 

 

Adenose Esclerosante

 

Caracteriza-se pela fibrose intralobular e pela proliferação de pequenos canalículos ou ácinos, podendo ser acompanhada por fibrose e pela formação cística.

 

 

Prevenção do Câncer de Mama

 

 

Acredita-se que o câncer de mama demore cerca de 3 a 30 anos para desenvolver.

Durante este período há pelo menos três oportunidades para interrupção de sua história natural. A primeira oportunidade constitui-se em prevenir ou limitar a exposição de agentes causadores de câncer. A Segunda oportunidade e conter o crescimento de células que ainda não tenham alcançado o estágio pré-cancerígeno diagnosticável. Nos três casos; é possível remover ou eliminar estas células antes que provoquem os sintomas clínicos (HANDERSON, 1993).

 

 

O Diagnóstico do Câncer de Mama

 

AUTO-EXAME

 

A mulher pode fazer a detecção precoce do câncer de mama através de um exame visual e de palpação. Este exame deve ser realizado cerca de 7 dias após a menstruação ou, para aquelas que não menstruam mais, uma vez por mês (por exemplo, na data do aniversário) .

- O auto-exame não substitui o exame clínico de rotina, que deve ser anual para mulheres acima de 50 anos de idade

- A presença de um nódulo mamário não é obrigatoriamente indicadora de neoplasia maligna

- Em 90% dos casos é a própria mulher quem descobre alterações em sua mama.

 

 

O QUE PROCURAR?

 

Diante do espelho:

 

Deformações ou alterações no formato das mamas. Abaulamentos ou retrações. Ferida ao redor do mamilo.

 

No banho ou deitada:

 

Caroços nas mamas ou axilas

Secreções pelos mamilos

 

 

COMO EXAMINAR SUAS MAMAS?

 

Diante do espelho:

 

Eleve e abaixeos braços. Observe se há alguma anormalidade na pele, alterações no formato, abaulamentos ou retrações.

 


 


Durante o banho:

 

Com a pele molhada ou ensaboada, eleve o braço direito e deslize os dedos da mão esquerda suavemente sobre a mama direita estendendo até a axila.


Faça o mesmo na mama esquerda.

 


Deitada:

 

Coloque um travesseiro debaixo do lado esquerdo do corpo e a mão esquerda sob a cabeça. Com os dedos da mão direita, apalpe a parte interna da mama. Inverta a posição para o lado direito e apalpe da mesma forma a mama direita. Preste atenção se existem massas ou inchaços que você não tenha notado antes.

 


 



Com o braço esquerdo posicionado ao lado do corpo, apalpe a parte externa da mama esquerda com os dedos da mão direita.

 

 


A T E N Ç Ã O:

 

Caso você encontre alguma das anormalidades citadas, lembre-se que é importante procurar um serviço médico: os ambulatórios, postos e centros de saúde pública podem ajudá-la. Quanto mais cedo melhor!

Além disso, caso você, por qualquer motivo, procurar seu médico, peça-lhe para que examine também suas mamas. E se for solicitada uma mamografia, exiga o selo de qualidade no relatório do seu exame. Este é a garantia de um exame confiável.

O exame clínico é feito por um profissional da saúde treinado, que faz uma avaliação sistematizada das mamas. A eficiência do exame é proporcional ao grau de habilidade e experiência do profissional para detectar qualquer anormalidade nas mamas examinadas. Ele deve ser realizado anualmente, e o médico indicará a necessidade de mamografia.

 

A Mamografia

 

A mamografia é o exame radiológico dos tecidos moles das mamas e é considerado um dos mais importantes procedimentos para o rastreio do câncer ainda impalpável de mama. A sensibilidade da mamografia é alta, ainda que, na maioria dos estudos feitos, sejam registradas perdas entre 10 a 15% dos casos de câncer detectáveis ao exame físico. A sensibilidade da prova é muito menor em mulheres jovens. A mamografia, devido à sua pouca eficácia em mulheres com menos de 40 anos e mais de 70, em termos epidemiológicos e de saúde pública, não deve ser utilizada em programas maciços, e sim ser indicada no seguimento das mulheres de alto risco ou com suspeitas de doenças mamárias.

O rastreamento do câncer de mama feito pela mamografia, com periodicidade de um a três anos, reduz significativamente a mortalidade em mulheres de 50 a 70 anos. Nas mulheres com menos de 50 anos, existe pouca evidência deste benefício. O Instituto Nacional de Câncer recomenda que o Exame Clínico das Mamas - ECM seja realizado a cada três anos pelas mulheres com menos de 35 anos, a cada dois anos pelas mulheres entre 35 e 39 anos e anualmente pelas mulheres entre 40 e 49 anos. As mulheres na faixa etária entre 50 e 70 anos devem submeter-se ao exame anual ou semestralmente, sendo a mamografia indicada em casos suspeitos e de alto risco.

 

A maioria dos nódulos que aparecem nas mamas são benignos. Os cistos são as alterações benignas mais comuns. São dolorosos e aumentam antes da menstruação. Eles não se transformam em câncer.

Os fibroadenomas também são tumores benignos freqüentes e podem ser tratados facilmente apenas com uma pequena cirurgia, geralmente com anestesia local.

A saída de secreção pelo mamilo pode ser normal. Porém, quando esta saída de secreção é de um lado só, sai sem apertar e é sanguinolenta ou totalmente transparente (como água) , deve ser investigada.

O câncer é um nódulo que cresce rapidamente e geralmente não dói.

A displasia mamaria, ou doença fibrocística, constituem cerca de 13% das queixas das pacientes no consultório, a qual reflete um condição clinica representada por dor e espessamento mamário. Embora de etiologia desconhecida, pode estar relacionada com fatores hormonais.

Constatou-se que em pacientes com mastalgia e presença de cistos, alteração do perfil lipídico, com elevação de gorduras saturadas e redução dos ácidos graxos essenciais, esta relação aumentada leva à uma condição de aumento da sensibilidade hormonal aos estrogênios (Cláudio da Silva, 1997)

Há diversas características comuns entre o quadro da displasia mamária e o câncer de mama, sendo que algumas evidencias sugerem a com displasia, apresentam grande incidência de câncer de mama.

Alguns estudos têm demonstrado que há diversos agentes que podem ser considerados carcinogênicos, entre eles os radicais livres originários do próprio metabolismo celular.

Estes radicais, ou produtos reativos do oxigênio podem reagir diretamente com elementos celulares, inclusive com a cadeia de DNA, provocando alterações gênicas, e desencadeando desta forma os tumores.

O interesse da quimioprevenção do câncer tem crescido muito nos últimos anos, com a pesquisa crescente de agentes capazes de inibir o aparecimento de tumores induzidos pelos produtos reativos de oxigênio.

 

 

O Estadiamento

 

Para que possamos afirmar que se um tumor está em estádio avançado ou não, usa-se um artifício para a classificação dos tumores, criado pela União Internacional Contra o Câncer (UICC), denominado estadiamento, baseando-se no fato de que os tumores seguem um curso biológico comum. Esta avaliação tem como base a dimensão do tumor (T) , a avaliação da extensão aos linfonodos (N) e a presença ou não de metástases à distância (M) . Após a avaliação destes fatores, os casos são classificados em estádios que variam de I a IV graus crescentes de gravidade da doença. Portanto, o estadiamento clínico é importante porque permite estabelecer a extensão e a gravidade da doença, planejar o tratamento, dar o prognóstico, ou seja, prever a evolução das enfermidades, e, finalmente, grupar os casos para estudo e pesquisa.

 

 


 

 


Terapias Tradicionais

 

No tratamento do câncer de mama, são utilizados hormônios em conjunto com a retirada dos ovários, reduzindo desta forma a expressão do estrógeno em mulheres na pré-menopausa, ou administração de doses de estrógeno na mulher pós- menopausa.

Esta terapia leva à regressão dos tumores em 30-40% das pacientes.

A administração de hormônios compreende o uso de progestinas, androgênios, glicocorticóides, ou a remoção cirúrgica das glândulas adrenal e hipófise, com resposta observada de aproximadamente 50%.

Mais recentemente, tem-se utilizado o tamoxifen como droga anti-estrógeno, nos períodos pré e pós-menopausa, com resposta semelhante aos demais tratamentos, mas com baixa toxicidade (TANNOCK AND HILL, 1992).

 

 

 

Perguntas e Respostas Sobre o Câncer

 

 

O que é câncer?

 

Câncer é definido como um grupo de doenças que se caracterizam pela perda do controle da divisão celular e pela capacidade de invadir outras estruturas orgânicas.

 

Como Surge o Câncer?

 

As células que constituem os animais são formadas por três partes: a membrana celular, que é a parte mais externa da célula; o citoplasma, que constitui o corpo da célula; e o núcleo, que contem os cromossomas que por sua vez são compostos de genes. Os genes são arquivos que guardam e fornecem instruções para a organização das estruturas, formas e atividades das células no no organismo. Toda a informação genética encontra-se inscrita nos genes, numa "memória química" - o ácido desoxirribonucleico (DNA). É através do DNA que os cromossomas passam as informações para o funcionamento da célula.

Uma célula normal pode sofrer alterações no DNA dos genes. É o que chamamos mutação genética. As células cujo material genético foi alterado passam a receber instruções erradas para as suas atividades. As alterações podem ocorrer em genes especiais, denominados protooncogenes, que a princípio são inativos em células normais. Quando ativados, os protooncogenes transformam-se em oncogenes, responsáveis pela malignização (cancerização) das células normais. Essas células diferentes são denominadas cancerosas.

 

O que causa o câncer?

 

O câncer pode ser causado por fatores externos (substâncias químicas, irradiação e vírus) e internos (hormônios, condições imunológicas e mutações genéticas). Os fatores causais podem agir em conjunto ou em seqüência para iniciar ou promover o processo de carcinogênese. Em geral, dez ou mais anos se passam entre exposições ou mutações e a detecção do câncer.

 

O câncer é hereditário ?

 

Em geral o câncer não é hereditário. Existem apenas alguns raros casos que são herdados, tal como o retinoblastoma, um tipo de câncer de olho que ocorre em crianças. No entanto, existem alguns fatores genéticos que tornam determinadas pessoas mais sensíveis à ação dos carcinógenos ambientais, o que explica por que algumas delas desenvolvem câncer e outras não, quando expostas a um mesmo carcinógeno.

 

O câncer é contagioso ?

 

Não. Mesmo os cânceres causados por vírus não são contagiosos como um resfriado, ou seja, não passam de uma pessoa para a outra por contágio. No entanto, alguns vírus oncogênicos, isto é, capazes de produzir câncer, podem ser transmitidos através do contato sexual, de transfusões de sangue ou de seringas contaminadas utilizadas para injetar drogas. Como exemplos de vírus carcinogênicos, tem-se o vírus da hepatite B (câncer de fígado) e vírus HTLV - I / Human T-lymphotropic virus type I (leucemia e linfoma de célula T do adulto).

 

Qual a diferença entre câncer in situ e invasivo?

 

O carcinoma in situ (câncer não invasivo) é o primeiro estágio em que o câncer não hemapoético pode ser classificado. Nesse estágio, as células cancerosas estão somente na camada da qual elas se desenvolveram e ainda não se espalharam para outras camadas do órgão de origem. A maioria dos cânceres in situ é curável, se for tratada antes que progrida para a fase de câncer invasivo. Nessa fase, o câncer invade outras camadas celulares do órgão e invade e ganha a capacidade de se disseminar para outras partes do corpo.

 

O câncer tem cura?

 

Desde o início do século até o momento, a postura da sociedade em geral é de acreditar que o câncer é sempre sinônimo de morte, e que seu tratamento raras vezes leva à cura. Atualmente, muitos tipos de câncer são curados, desde que tratados em estágios iniciais, demonstrando-se a importância do diagnóstico precoce. Mais da metade dos casos de câncer já tem cura.

 

Todo tumor é câncer?

 

Não. Nem todo tumor é câncer. A palavra tumor corresponde ao aumento de volume observado numa parte qualquer do corpo. Quando o tumor se dá por crescimento do número de células, ele é chamado neoplasia - que pode ser benigna ou maligna. Ao contrário do câncer, que é neoplasia maligna, as neoplasias benignas têm seu crescimento de forma organizada, em geral lento, e o tumor apresenta limites bem nítidos. Elas tampouco invadem os tecidos vizinhos ou desenvolvem metástases. Por exemplo, o lipoma e o mioma são tumores benignos.

 

O câncer pode ser prevenido?

 

Os cânceres causados pelo tabagismo e pelo uso de bebida alcóolica podem ser prevenidos em sua totalidade. A Sociedade Americana de Cancerologia estimou para 1998 cerca de 175.000 mortes por câncer causadas pelo uso do tabaco e um adicional de 19.000 mortes relacionadas ao uso excessivo de álcool, freqüentemente em associação com o uso do tabaco. Muitos cânceres que estão relacionados à dieta também podem ser prevenidos. Evidências científicas sugerem que aproximadamente um terço das mortes por câncer estão relacionadas a neoplasias malignas causadas por fatores dietéticos. Além disso, muitos cânceres de pele podem ser prevenidos pela proteção contra os raios solares. Exames específicos, conduzidos regularmente por profissionais da saúde podem detetectar o câncer de mama, cólon, reto, colo de útero, próstata, testículo, língua, boca e pele em estádios iniciais, quando o tratamento é mais facilmente bem sucedido. Auto-exames de mama e pele podem também resultar no diagnóstico precoce de tumores nessas localizações.

 

Quais são os progressos na prevenção do câncer?

 

Recentemente, tem-se observado importantes progressos na prevenção, diagnóstico e terapêutica do câncer. Os efeitos da prevenção primária, como a redução da prevalência do tabagismo, já podem ser observados na população masculina norte-americana, enquanto no Brasil os esforços são contínuos para se aumentar a adesão aos programas de controle do tabagismo. As novas estratégias que ajudam os fumantes a abandonar o cigarro, como o uso dos adesivos de reposição de nicotina e as terapias de apoio psicológico, já vêm apontando para resultados favoráveis em diferentes estudos científicos. O redirecionamento dos padrões dietéticos vem também ganhando adesão crescente em nosso país. No que diz respeito à prevenção o exame de Papanicolaou e a mamografia, respectivamente, na detecção do câncer do colo do útero e de mama, diferentes estudos científicos têm mostrado sua utilidade no diagnóstico precoce desses cânceres, embora o impacto da mamografia, sobre a mortalidade por câncer de mama ainda seja objeto de investigações.

 

Como uma pessoa com câncer pode ser tratada?

 

O tratamento do câncer requer uma estrutura médico-hospitalar e recursos humanos qualificados, integrando equipes multiprofissionais. O tratamento propiamente dito do câncer pode ser feito pela cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, utilizadas de forma isolada ou combinada, dependendo do tipo celular do órgão de origem e do grau de invasão do tumor.

 

Quem está sob risco de desenvolver câncer?

 

Qualquer pessoa. Como a ocorrência do câncer aumenta com a idade do indivíduo, a maioria dos casos acontece entre adultos de meia idade ou os mais velhos. O risco relativo mede a relação existente entre os fatores de risco e o câncer. Ele compara o risco de um câncer se desenvolver em pessoas com determinada exposição ou característica ao risco observado naquelas pessoas sem essa exposição ou característica. Por exemplo, os fumantes têm um risco relativo 10 vezes maior de desenvolver câncer de pulmão quando comparados aos não fumantes. A maioria dos riscos relativos não apresentam essa dimensão. Por exemplo, as mulheres com uma história familiar em primeiro grau de câncer de mama (ocorrência da doença em mãe, irmã ou filha) têm cerca de duas vezes mais risco de desenvolver câncer de mama, quando comparadas às mulheres que não apresentam essa história familiar.

 

Quais as fontes de dados de informação em câncer?

 

Os dados dos Registros de Câncer - Populacionais e Hospitalares - e os dados de Mortalidade constituem-se na base das informações para estudar a magnitude do câncer no Brasil. Os Registros de Câncer se caracterizam como centros sistematizados de coleta, armazenamento e análise da ocorrência e das características de todos os casos novos de câncer, ocorridos em uma população (Registros de Câncer de Base Populacional - RCBP) ou em um hospital (Registros Hospitalares de Câncer - RHC). Os RCBP produzem informações sobre a incidência do câncer em uma população geograficamente definida.

Os RHC levantam informações sobre as características dos tumores e a avaliação da sobrevida e assistência prestada ao paciente com neoplasia maligna atendidos nos hospitais. O principal papel dos Registros de Câncer é fornecer subsídio aos profissionais da área da saúde para a avaliação da qualidade da assistência prestada, para a pesquisa sobre o câncer e para o planejamento das ações de saúde. Existem hoje no Brasil cinco Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP) com informações consolidadas e cerca de 15 em diferentes fases de implantação e operacionalização.

A expectativa de que em futuro próximo haverá cerca de 20 RCBP produzindo informações de qualidade sobre a incidência do câncer no Brasil é um fato relevante para a garantia de que as próximas estimativas do número de casos novos de câncer aproximem-se cada vez mais da realidade nacional. Estes registros têm sido as fontes que nos permitem a avaliação de dados referentes a incidência de câncer no país. Com relação à mortalidade, a fonte de dados é o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

A maioria dos estudos brasileiros sobre a saúde da população baseia-se na análise de dados sobre a mortalidade por uma determinada causa, porque a morte dá origem a um documento legal, de preenchimento obrigatório – o atestado de óbito. Apesar de apresentar problemas de subnotificação, a qualidade dessa informação é considerada boa para as neoplasias malignas, dada a necessidade de hospitalização da maioria dos pacientes e o conhecimento dos óbitos ocorridos nos hospitais. Os dados dos RCBP e do SIM constituem-se na base de cálculo das estimativas de casos novos e de óbitos por câncer no Brasil.

 

Cäncer de Mama

 

 

Trauma no seio pode causar câncer ?

 

NÃO Uma batida no seio pode causar uma alteração conhecida como necrose gordurosa da mama, que significa destruição do tecido gorduroso que circunda a mama. Pode haver necrose gordurosa em qualquer parte do corpo onde haja gordura, mas na mama chama nossa atenção pelo fato de gerar uma lesão semelhante ao câncer, pois há formação de um nódulo firme e fixo ao tecidos circundantes. Algumas vezes somente a biópsia pode descartar a hipótese de câncer de mama.

 

O que é fator de risco para câncer de mama ?

 

Os fatores de risco para desenvolver câncer de mama são conclusões de estudos que observaram algumas características comuns, mais frequentes em mulheres que desenvolveram câncer de mama.

 

Quais os fatores de risco para câncer de mama ?

 

1. SEXO FEMININO

2. IDADE - o risco aumenta à medida que aumenta a idade

3.Menarca precoce (ter tido a primeira menstruação antes dos 12 anos)

4. Menopausa tardia (ter tido a última menstruação depois dos 55anos)

5. Ter tido o primeiro filho somente após os 30 anos

6. História familiar de câncer de mama antes dos 50 anos (principalmente parentes de primeiro grau:

irmãs, filhas, mãe)

7. Ter feito biópsia de mama e apresentado alterações proliferativas com atipias (células com aspecto anormal, mas que não podem ser diagnosticadas como câncer).

 

Todo nódulo na mama é câncer ?

 

NÃO Em cerca de 80% dos casos os nódulos são benignos. Mulheres jovens frequentemente apresentam vários nódulos em uma mama, que tornam-se mais palpáveis de acordo com o ciclo menstrual. A avaliação do nódulo deve ser feita pela paciente e depois pelo médico 1 semana após o ciclo menstrual.

 

Dor pode ser um sintoma de câncer ?

 

SIM A dor na mama como primeiro ou único sinal de câncer é muito rara, entretanto o conceito de que câncer de mama não dói não é mais válido, pois observa-se que uma percentagem significativa das mulheres relatam dor mamária localizada na região onde foi descoberto o câncer. Dor localizada, sem alteração de intensidade de acordo com o ciclo menstrual e somente em uma mama deve ser investigada com cuidado.

 

De que forma eu posso evitar câncer de mama ?

 

Não há como evitar a doença já que as causas não foram determinadas, mas há como evitar suas graves consequências através do diagnóstico precoce, possibilitando um tratamento eficaz e preservando ao máximo, dentro de uma margem de segurança para a mulher, a estética e função da mama.

 

Uso de anticoncepcional oral aumenta o risco para câncer de mama ?

 

NÃO Os estudos disponíveis falham em demonstrar uma associação entre o uso de anticoncepcional oral e o surgimento de um câncer de mama. Na realidade há estudos com conclusões contraditórias que não autorizam-nos a descartar alguma influência, mas se existir não parece de maior relevância.

 

Hábitos alimentares estão associados ao aumento do risco para câncer de mama ?

 

EM ESTUDO Na atualidade os países ocidentais do hemisfério Norte possuem o maior número de casos de câncer de mama no mundo, enquanto o Japão uma das menores taxas. Entretanto notou-se que as mulheres japonesas que imigravam para os EUA , a cada geração , apresentavam maior incidência de Câncer de mama, aproximando-se das americanas. Esse fato leva-nos a citar a importância de fatores ambientais como fatores de risco ainda mais fortes do que a hereditariedade, entretanto defini-los permanece um desafio.

 

Quais alimentos estão associados ao aumento do risco para desenvolver um câncer de mama ?

 

Embora ainda especule-se quais os fatores dietéticos responsáveis por um aumento no risco para câncer de mama, alguns indícios apontam para o aumento na ingestão de gorduras e álcool como fatores contribuintes.

 

 

FONTES:

 

American Cancer Society. Cancer Facts & Figures - 1998.

 

Copyright © 1996-2000 INCA - Ministério da Saúde

 

 MINISTÉRIO DA SAÚDE. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. COORDENAÇÃO NACIONAL DE CONTROLE DE TABAGISMO - CONTAPP. "Falando Sobre Câncer e Seus

Fatores de Risco". Rio de Janeiro, 1996.